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Histórias

Arthur Brown e o recado de Charles Manson: o dia em que o Deus do Fogo foi advertido nos bastidores

5 min de leitura
Foto: Patrick Ford/Redferns/Michael Ochs Archives/Getty Images
Foto: Patrick Ford/Redferns/Michael Ochs Archives/Getty Images
Resumo
  • ▪ Arthur Brown, de 84 anos, contou à Classic Rock que foi advertido por uma seguidora de Charles Manson em 1968.
  • ▪ O encontro ocorreu nos bastidores do Shrine Auditorium, em Los Angeles, um ano antes dos assassinatos que mataram Sharon Tate.
  • ▪ "Fire" chegou ao primeiro lugar no Reino Unido e ao segundo nos EUA, e deu a Brown o apelido de God Of Hellfire.

Em 1968, Arthur Brown vivia o auge de uma persona que mexia com os nervos do público: o “God Of Hellfire”, figura de palco que cantava com um capacete em chamas. Passadas mais de cinco décadas, o músico, hoje com 84 anos, relembra que o personagem lhe rendeu encontros bem pouco amistosos, incluindo um com seguidores de Charles Manson.

As lembranças aparecem em uma entrevista que abrange toda a sua carreira, concedida à Classic Rock. Brown fala sobre a polêmica em torno do single “Fire”, lançado no fim de 1968 sob o nome The Crazy World Of Arthur Brown. A música chegou ao primeiro lugar no Reino Unido e ao segundo nos Estados Unidos. O apelido do cantor vem do verso de abertura: “Eu sou o deus do fogo infernal, e trago a vocês… fogo”.

A fama, porém, atraiu atenção indesejada dos dois lados do Atlântico. Brown conta que, em um show dos primeiros tempos, um homem o atacou pela lateral do palco. “Quando percebi, minha cabeça estava sobre o teclado e havia sangue por todo lado”, lembra. Fiel ao personagem, ele se levantou e voltou a cantar. O agressor, segundo o músico, achou aquilo brilhante e passou a gritar o nome dele.

Em outra apresentação, o grupo notou homens se reunindo para tentar invadir o palco. O baterista Drachen Theaker virou o pedestal do prato de cabeça para baixo e o empunhou como um porrete. Enquanto ele mantinha a pose durona, Brown subiu e quebrou o vidro que protegia um machado de prata de duas lâminas. Voltou maquiado, com a cabeça em chamas, brandindo a arma. “Naquele momento, eles decidiram que não fariam nada”, diz.

O episódio mais perturbador, no entanto, envolveu o círculo de Manson. De acordo com Brown, aconteceu no Shrine Auditorium, em Los Angeles, em 1968, um ano antes de seguidores de Manson cometerem uma série de assassinatos na cidade, que matou sete pessoas, entre elas a atriz Sharon Tate.

“Uma das garotas de Manson veio ao camarim e disse: ‘O Charlie não está feliz com você'”, conta o cantor. Ele perguntou o motivo, e ela respondeu que ele precisava parar com aquela história de Deus do Fogo. Brown disse que estava prestes a entrar no palco e que a veria depois. Nunca mais a encontrou.

“Foi um encontro estranho. Quer dizer, o que você faz com isso? Eu deveria pedir desculpas?”, questiona.

Autor

  • Marcelo Scherer

    Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate da cultura física como host do podcast e newsletter Papo de Colecionador, dedicado a LPs e CDs. Além de assinar resenhas críticas no site, expande o debate musical no comando dos programas Disconecta na Rádio na Fm Cultura 107,7 de Porto Alegre/RS e Pôr do Som na Sintonia Fm 94.7 de Torres/RS.

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