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Histórias

Benito Di Paula: 5 músicas para conhecer

5 min de leitura
Benito Di Paula Foto: Reprodução
Foto: Benito Di Paula Foto: Reprodução
Resumo
  • ▪ Benito Di Paula introduziu o piano no samba e ajudou a criar o samba joia na década de 1970.
  • ▪ A faixa Retalhos de Cetim aborda a dor de cotovelo no carnaval e integra o álbum Um Novo Samba de 1974.
  • ▪ Lançada em 1972, a faixa Violão Não Se Empresta a Ninguém abre o primeiro álbum de Benito Di Paula.

Benito Di Paula nos deixou e para a música popular brasileira é uma lástima.

Uma das maiores vozes do Brasil, Benito introduziu o piano no samba com total maestria o que resultou na criação do samba jóia. O rótulo é utilizado para a vertente comercial do samba que teve um sucesso gigantesco no Brasil durante a década de 1970. Além de Benito, Agepê, Gilson de Souza, Luiz Ayrão e Luiz Américo se encaixam no termo, que é melodicamente a união do lirismo do bolero e a estética das baladas internacionais.

Aliás, o “joia” era dado como ironia e preconceito. Uma pura besteira.

Deste modo, Benito Di Paula segue lembrado e destacamos cinco músicas que você tem que ouvir já. Se já as conhece, ouça novamente. Benito continuará vivo.

Ah, Como Eu Amei (1981)

Numa mescla de saudade e amor, Benito entrega uma das interpretações mais lindas de sua discografia, repleta de lembranças que ficam marcadas depois da passagem do tempo. Com felicidade no que foi vivido, mas também com tristeza e arrependimento, a letra traz a consciência de que nem tudo sai como o esperado.

É uma revisitação ao passado e reconhecimento da intensidade de sentimentos que fazem parte de uma vida.

Charlie Brown (1974)

Benito di Paula apresenta um Brasil que não se explica em apenas um cenário. Ao convidar o personagem Charlie Brown, de Charles M. Schulz, percorre referências culturais, cidades, paisagens e manifestações populares, destacando o samba e o carnaval.

Em tom descontraído e acolhedor, transforma o encontro imaginário em uma celebração da diversidade brasileira. E além disso, é um exemplo forte da sua capacidade de criar canções populares com identidade própria. Se teve um momento mais certeiro em sua vida, foi aqui.

Retalhos de Cetim (1974)

Amor frustrado em meio à preparação do carnaval engloba esse sucesso. Em um contraste de alegria carnavalesca e tristeza, Benito canta que passa o ano se organizando para o desfile de sua escola de samba, com a expectativa de ver a mulher amada na avenida.

Expectativa, entrega e desilusão amorosa. Uma dor de cotovelo poéticamente perfeita e que fecha o álbum Um Novo Samba, de 1974.

Do Jeito Que a Vida Quer (1976)

“Ninguém sabe a mágoa que trago no peito”. Ideia central da faixa, que contrapõe a tristeza escondida atrás de um sorriso à capacidade de seguir em frente. Como um refúgio, Benito mostra que enquanto a música toca, a dor perde espaço, ainda que por pouco tempo.

Em vez de oferecer solução para os problemas, Benito Di Paula canta sobre continuar vivendo apesar delesaceitando os caminhos que a vida apresenta. Melancolia e resistência emocional com um balanço sensacional.

Violão Não Se Empresta a Ninguém (1972)

Fechamos com o primeiro álbum de Benito Di Paula, e sua primeira faixa que chega com humor e a boa dose de teimosia. Alguém empresta o violão e fica esperando que ele seja devolvido a tempo. O atraso ameaça até mesmo a participação no desfile de carnaval.

O apego ao instrumento traz a narrativa divertida, na qual a preocupação mistura a amizade, impaciência aos compromissos com o samba. Quem já teve a audácia absurda de emprestar um instrumento musical se identifica com a canção.

Autor

  • Victor Persico

    Jornalista, especialista em cultura pop, rock clássico e vertentes. Com um olhar analítico para a indústria contemporânea, acompanha de perto os novos lançamentos, resenhas de discos recentes e a movimentação do mercado musical global, traduzindo o impacto cultural dos artistas que estão moldando o cenário atual.

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