Chad Hugo rebate Pharrell na Justiça e diz que ex-parceiro tenta transformar os Neptunes em obra de uma pessoa só
Resumo
- ▪ Chad Hugo respondeu ao pedido de Pharrell Williams para arquivar a ação por direitos autorais.
- ▪ A defesa diz que o caso envolve quase 50 sessões de estúdio entre 2019 e 2021, e não só "U Gotta".
- ▪ Os danos alegados podem superar US$ 1 milhão e ligam-se ao álbum "No One Ever Really Dies".
A briga judicial entre os ex-parceiros dos Neptunes ganhou um novo capítulo. Chad Hugo respondeu ao pedido de Pharrell Williams para derrubar o processo por direitos autorais e sustenta que o cantor busca minimizar o papel dele na história da dupla.
Para Hugo, o caso é bem mais amplo e envolve composições feitas pelos dois em quase 50 sessões de estúdio, realizadas entre 2019 e 2021.
A defesa de Hugo afirma que Williams e as empresas ligadas a ele, incluindo gravadoras e editoras, têm em mãos os registros que mostrariam como cada uma dessas composições foi lançada. A faixa “U Gotta”, do EarthGang, aparece como exemplo porque o nome de Hugo teria sido retirado dos créditos, mesmo com os próprios artistas reconhecendo a participação dele.
“Os réus pedem ao tribunal que exclua Chad Hugo dos Neptunes com base apenas nas alegações da petição, antes que qualquer documento tenha sido apresentado”, diz o texto. “Mas os Neptunes eram duas pessoas. Durante três décadas, Hugo e Pharrell Williams escreveram e produziram discos juntos sob esse nome. Hugo sempre esteve no centro do sucesso dos Neptunes e é igualmente responsável pelo lugar especial da dupla na indústria. Nos últimos anos, Williams tentou apagar Hugo de uma das maiores duplas de hip hop de todos os tempos. Este caso trata da tentativa de Williams de reescrever a história e transformar o sucesso dos Neptunes no trabalho de uma só pessoa.”
Hugo também chama de “especialmente injusta” a cobrança de Williams por mais detalhes. Ele diz ter pedido várias vezes, entre 2021 e 2024, demonstrativos de direitos autorais, registros financeiros e outros papéis, mas ter recebido “quase nada, apesar de o advogado ter reconhecido que existem documentos adicionais”.
No pedido de arquivamento, eles argumentaram que, depois de três anos e três versões da queixa, Hugo não definiu com clareza uma reivindicação que pudesse ser analisada pela Justiça federal.
De acordo com essa defesa, a primeira versão do processo mencionava apenas o álbum “No One Ever Really Dies”, do N.E.R.D., sem apontar músicas específicas. A segunda trouxe oito faixas que não pertenciam ao disco, mas todas saíram da versão seguinte, protocolada no mês passado. Agora, só “U Gotta” é citada, sem informar se Hugo reclama direitos sobre a composição, a gravação ou ambas.
“[A segunda queixa modificada] é tão vaga e ambígua quanto aos direitos autorais em questão que os réus não conseguem preparar uma resposta de forma razoável”, diz a petição de Williams. “Por mais incompreensível que seja, parece que Hugo não faz ideia de quais composições ou gravações sonoras teria criado, embora afirme que esteve ao lado dos réus durante todo o tempo.”
Williams ainda sustenta que, sem uma reivindicação válida de direitos autorais na esfera federal, os pedidos baseados em leis estaduais também devem ser arquivados. Eles tratam de suposto descumprimento de dever fiduciário e de prestação de contas incompleta, e Hugo poderia levá-los separadamente à Justiça estadual.
No processo, Hugo conta que fundou os Neptunes e o N.E.R.D. ao lado de Williams e que os dois se tornaram algumas das “forças musicais mais influentes de sua geração”, com um som que ajudou a moldar o hip hop, o R&B e o pop atuais. Ele destaca que atuou como compositor, produtor, arranjador e músico, ainda que Williams fosse o rosto público da parceria.
“Embora o réu Williams frequentemente tenha recebido maior visibilidade pública, as contribuições do autor como parceiro criativo fundador, coautor, produtor e cofundador dos Neptunes e do N.E.R.D. foram indispensáveis para o valor comercial, a reputação e o reconhecimento de marca associados a esses projetos”, diz a segunda queixa modificada.
Os supostos prejuízos, que podem superar US$ 1 milhão, continuam ligados a “No One Ever Really Dies”. Hugo lembra que o disco estreou na 10ª posição das paradas da Billboard e acumula milhões de reproduções. A Disconecta já havia noticiado o processo de US$ 1 milhão contra Pharrell Williams.


