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Histórias

Como “Dreams” levou Sammy Hagar às notas mais agudas da carreira e chegou a 100 milhões de plays

5 min de leitura
Foto: Matt Becker
Foto: Matt Becker
Resumo
  • ▪ "Dreams", do Van Halen, traz algumas das notas mais agudas da carreira de Sammy Hagar.
  • ▪ Mick Jones, do Foreigner, trabalhou na maior parte das músicas de "5150", álbum que inclui a faixa.
  • ▪ A canção passa de 100 milhões de plays e é vista como o tema da fase do Van Halen com Hagar.

Sammy Hagar nunca construiu a carreira tentando soar como a voz mais delicada do mundo. Criado no rock and roll, ele costuma levar o canto ao limite, e foi exatamente isso que aconteceu em “Dreams”, faixa do Van Halen que hoje passa de 100 milhões de plays.

Quando começaram as conversas para ele entrar na banda, em 1985 “The Red Rocker” já tinha muita estrada. Mesmo assim, o desafio era grande. A relação do grupo com o antigo vocalista, David Lee Roth, estava desgastada. Roth é lembrado como um dos maiores showmen da história, mas tinha limitações vocais que pouca gente queria admitir. Com Hagar no microfone, Eddie Van Halen percebeu que a banda ganhava a força de um trem de carga.

Hagar era bem mais melódico que o antecessor, e cada trabalho parecia um passo rumo a algo mais aventureiro. Como o Van Halen chamou Mick Jones, do Foreigner, para trabalhar na maior parte das músicas de “5150”, coube ao vocalista criar melodias que encaixassem nas partes de guitarra de Eddie.

Não era tarefa simples. Eddie transmitia a diversão de tocar guitarra em cada nota, e nos teclados também era perigoso. “Jump” já era um hit certo ainda na fase de demo, e, como Roth sempre foi desconfiado dos teclados, Hagar mergulhou de cabeça nesse som quando ouviu a base de “Dreams”.

Ele sabia que tinha nas mãos uma das primeiras grandes baladas do Van Halen, mas algo não funcionava quando começou a cantar. A banda soava bem e a melodia estava boa, só que com o Van Halen “boa” não basta. Em vez de usar a voz habitual de rock, Hagar decidiu se testar e ir além do alcance de sempre.

Ele forçou algumas notas, mas se orgulha de ter feito um dos canto mais agudos da carreira. Segundo o que o próprio músico contou: “Quando você canta nessa faixa supersônica, eu nunca cantei tão alto na vida. […] Mick Jones disse: ‘Uau, de onde saiu isso?’ ‘Não sei!’ Eu não sabia o que cantar, então comecei a gritar por cima da música, e saiu. Foi um momento muito, muito espiritual, e essa canção é muito, muito espiritual. Quando ouço hoje, fico todo arrepiado, cara, e penso: ‘Como eu fiz isso?'”

Hagar não conseguiria repetir o feito do mesmo jeito, mas isso faz parte do charme. A faixa soa como alguém tentando alcançar o limite da própria voz e, como a letra trata de correr atrás dos sonhos, esse é o tom certo, o que talvez explique os mais de 100 milhões de plays.

Por mais que o Van Halen tenha feito ótimo hard rock com Roth, “Dreams” funciona como o tema da fase seguinte. Não precisava ser cópia do que veio antes: com uma canção assim como base, a banda ficaria bem.

Autor

  • Luis Fernando Brod

    Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a história por trás de álbuns lendários e dissecar a trajetória de ícones da música nas décadas de 70, 80 e 90. No Disconecta, assina reportagens especiais, retrospectivas e a cobertura diária do rock internacional. Criador do canal no youtube Minha Vida em Vinil onde cobre música e colecionismo em mídia física.

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