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Histórias

Como Joni Mitchell fez história com uma faixa descartável em “Help Me”

5 min de leitura
Joni Mitchell. UNSPECIFIED – JANUARY 01: of Huey LEWIS & The News; (by David Redfern/Redferns)
Foto: Joni Mitchell. UNSPECIFIED – JANUARY 01: of Huey LEWIS & The News; (by David Redfern/Redferns)
Resumo
  • ▪ Em 1974, Joni Mitchell chegou ao topo das paradas com a canção Help Me, lançada no álbum Court And Spark.
  • ▪ A faixa foi a primeira no Top 10 dos Estados Unidos totalmente composta e produzida por uma artista mulher.
  • ▪ Antes do sucesso de 1974, a canadense emplacou Big Yellow Taxi no Top 40 norte-americano no ano de 1970.

Em 1974, Joni Mitchell alcançou seu primeiro e único primeiro lugar nas paradas com “Help Me”. A canção, escrita inteiramente por ela, faz parte do álbum “Court And Spark”, lançado no mesmo ano.

Além de se consolidar como um dos maiores sucessos de sua trajetória, a faixa estabeleceu um marco inédito no mercado norte-americano: tornou-se a primeira canção no Top 10 dos Estados Unidos totalmente composta e produzida por uma artista mulher. A conquista carrega uma ironia singular, já que a canadense não imaginava que a faixa viraria single e chegou a defini-la como uma canção descartável.

A composição começa com os versos diretos: “Help me / I think I’m falling / In love again / When I get that crazy feeling / I know I’m in trouble again”. A escolha comercial, no entanto, seguiu uma lógica da indústria que nem sempre agradava a artista. Conforme revelou ao portal Songfacts, suas gravadoras sempre tiveram a tendência de selecionar as músicas mais rápidas dos álbuns para os compactos, acreditando que chamariam atenção por se destacarem nos discos de vinil, enquanto ela sentia que o rádio pedia por suas baladas.

Apesar de carregar os créditos pela realização de “Help Me” e de tantas outras obras fundamentais, Mitchell sempre evitou assumir a responsabilidade pelas estratégias de divulgação. Ela explicou que historicamente não participava da escolha das músicas promovidas nas emissoras e, no geral, não concordava com essas decisões, lamentando faixas que nunca ganhavam espaço no rádio e perdiam a chance de alcançar ouvintes.

Antes de chegar ao topo com “Help Me”, Mitchell já acumulava passagens de destaque nas paradas. Em 1970, “Big Yellow Taxi” tornou-se sua primeira faixa a figurar no Top 40, permanecendo como uma de suas criações mais lembradas. Ela também experimentou alcance moderado com “You Turn Me On” e “Raised On Robbery”.

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A fase de ouro de “Court And Spark” continuou com “Free Man In Paris”, lançada na sequência de “Help Me”, que se tornou sua última música a figurar no Top 5. Já em 1976, com a faixa “In France They Kiss on Main Street”, a artista fez sua aparição derradeira no Top 40.

A autonomia na produção que rendeu o marco histórico de 1974 foi construída passo a passo. David Crosby havia produzido o primeiro registro de estúdio da cantora, “Song To A Seagull”. Em seu segundo trabalho, “Clouds”, ela dividiu o comando com Paul A. Rothchild. A partir do terceiro disco, “Ladies Of The Canyon”, Mitchell assumiu definitivamente o controle total de suas produções em estúdio.

Autor

  • Luis Fernando Brod

    Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a história por trás de álbuns lendários e dissecar a trajetória de ícones da música nas décadas de 70, 80 e 90. No Disconecta, assina reportagens especiais, retrospectivas e a cobertura diária do rock internacional. Criador do canal no youtube Minha Vida em Vinil onde cobre música e colecionismo em mídia física.

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