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Histórias

Como Warren Haynes encontrou uma “vida nova” para suas músicas em “Dreams & Songs: A Symphonic Journey”

5 min de leitura
Como Warren Haynes encontrou uma "vida nova" com seu disco atual
Foto: Como Warren Haynes encontrou uma “vida nova” com seu disco atual — Foto: Divulgação
Resumo
  • ▪ "Dreams & Songs: A Symphonic Journey" foi gravado em 2019 em Asheville com a Asheville Symphony Orchestra.
  • ▪ Haynes recriou "Just Another Rider" com a linha de metais original, em arranjo de Steven Bernstein.
  • ▪ O Gov’t Mule faz show de Réveillon em Boston e o Christmas Jam volta a Asheville em 12 de dezembro.

Warren Haynes nunca fez questão de ficar dentro das linhas. É esse hábito de colorir fora do traçado que, em boa medida, mantém o guitarrista em movimento criativo: sempre há algo novo a perseguir, e os projetos, os possíveis e os já em andamento, não param de circular por sua cabeça.

Ex-integrante da Allman Brothers Band, ele passou o início do outono na estrada com o Gov’t Mule, dividindo a programação com Ziggy Marley e os Melody Makers. A banda adaptou os próprios shows para ganhar um tom mais reggae, prova de que o grupo é, por natureza, camaleônico.

Esse traço atravessa toda a obra de Haynes e torna o recém-lançado “Dreams & Songs: A Symphonic Journey” uma chegada especialmente bem-vinda. O set abre com “Dreams and Songs Pt. 1”, de sua autoria, passa sem emenda para “Dreams”, da Allman Brothers, e segue rumo a “Banks of the Deep End”, do Mule. Ali, fica claro como tudo o que o guitarrista fez ao longo da carreira se conecta.

Lançado em LP triplo ou CD duplo, o material foi gravado ao vivo em 2019, no Thomas Wolfe Auditorium, em Asheville, na Carolina do Norte, cidade natal de Haynes. O repertório reúne boa parte de sua trajetória.

A Asheville Symphony Orchestra deu ao concerto mais profundidade. Na banda principal, Haynes teve ao lado o baixista Oteil Burbridge, John Medeski (órgão e teclados), Jeff Sipe (bateria) e Greg Osby (saxofone), além de Edwin McCain e Jasmine Muhammad nos vocais de apoio.

A ideia saiu de Asheville e foi para a estrada, com novos shows de “Dreams & Songs” em vários lugares, incluindo uma noite memorável no histórico Red Rocks Amphitheatre, no Colorado. As próximas datas, segundo o site do músico, serão em 11 e 12 de março, em Nashville.

Na estreia, ainda havia desafios a resolver, mas o trabalho anterior com a música de Jerry Garcia em formato sinfônico ajudou bastante. “A família de Jerry Garcia ligou dizendo que queria fazer a música dele com uma orquestra e artistas convidados, e perguntou se eu topava ser o primeiro”, lembra. “Eu disse: ‘Sim, seria uma honra’. Até então, eu nunca tinha feito nada com orquestra. Já tinha pensado nisso, mas nunca a sério. Foi uma experiência tão boa que comecei a pensar em fazer isso com a minha própria música.”

“No começo, eu não sabia bem o que seria. Mas, quando decidimos por uma espécie de retrospectiva, fez sentido ter vários catálogos para escolher”, explica. “Virou um apanhado do que venho fazendo nos últimos 30 e tantos anos, tudo de um jeito diferente, com orquestra.”

Ele admite que levou tempo para se sentir à vontade nesse ambiente. “Mas o projeto da Garcia Symphonic Celebration foi ótimo para isso”, diz Haynes. “Quando cheguei a ‘Dreams & Songs’, eu já estava bem confortável trabalhando com orquestra e me sentia cada vez melhor. Foi uma oportunidade maravilhosa.”

O disco também reverencia os anos em que Haynes trabalhou com integrantes do Grateful Dead, após a morte de Garcia, em uma versão potente de “Shakedown Street”. Ele gosta das reviravoltas que conseguiu acrescentar ao material com a orquestra.

“Just Another Rider” é um dos exemplos citados. Gregg Allman incluiu a faixa, coescrita com Haynes, em seu álbum solo de 2011 “Low Country Blues”, e ela virou favorita entre os fãs da comunidade da Allman Brothers Band.

“Na verdade, a Allman Brothers ensaiou essa música, mas nunca a tocou ao vivo. Estávamos avaliando material novo, mas algumas coisas nunca chegaram ao palco”, conta. “Gregg decidiu gravá-la no disco solo dele. Eu tinha escrito uma linha de metais que não entrou na versão de estúdio.”

Ao levar a canção para a orquestra, ele viu uma chance. “Pensei: ‘Posso trazer essa linha de metais de volta'”, recorda o guitarrista. “Mandei para Steven Bernstein, o arranjador, que a usou no arranjo orquestral, e ficou ótimo. É outro dos meus arranjos favoritos do projeto.”

“Estou muito feliz com todos, mas essa música vira outra coisa. A versão de estúdio é muito legal, mas a orquestral ganha uma vida totalmente nova”, diz. “No final, há mais quatro ou cinco minutos em que ela se transforma em outra peça musical. Sempre amei essa canção e fiquei contente em incluí-la.”

Na virada do ano, o Gov’t Mule deixa de lado os tradicionais shows no Beacon, em Nova York, e se apresenta em Boston. O MGM Music Hall recebe o Gov’t Mule and Friends, com uma lista variada de convidados: Steve Gorman e Audley Freed, ex-Black Crowes, Kevn Kinney, do Drivin N Cryin, e o tecladista Reese Wynans (Stevie Ray Vaughan and Double Trouble), ligado aos primeiros tempos dos Allmans.

Os ex-colegas de Allman Brothers Band Chuck Leavell, Jaimoe e Marc Quinones também estão confirmados, e haverá outros convidados. A divulgação promete levar a Boston o que chama de A Southern State of Mind.

“Depois de 20 anos no Beacon, em Nova York, levar para Boston foi um passo meio lógico”, diz. “Sempre foi um ótimo mercado para nós, e pensamos: ‘O que podemos fazer para realmente receber o ano novo?'”

“Pensamos em celebrar a música do Sul, não só o que chamam de rock sulista, mas coisas que as pessoas talvez não esperem. Outras músicas que saíram do Sul”, explica. “Então, olhando nossa rede de amigos e quem poderia se juntar a nós, vamos ver que pontos conseguimos ligar e levar muita música sulista legal para Boston.”

O Christmas Jam anual também volta a Asheville em 12 de dezembro, com Greta Van Fleet, the War on Drugs, JJ Grey & Mofro, Daniel Donato, Lukas Nelson e muitos outros.

Quanto aos próximos passos, há ideias em andamento, como sempre. “Tenho me concentrado em muita música que fica entre o meu disco ‘Ashes & Dust’ e “Million Voices Whisper “, meu lançamento solo mais recente”, conta. “Tenho escrito várias músicas nessa linha.”

“Também venho pensando num disco instrumental com influência de jazz, que está na lista há muito tempo, mas nunca foi riscado”, acrescenta. “Então essas duas coisas estão em primeiro plano agora. Vamos ver aonde isso vai dar.”

Autor

  • Luis Fernando Brod

    Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a história por trás de álbuns lendários e dissecar a trajetória de ícones da música nas décadas de 70, 80 e 90. No Disconecta, assina reportagens especiais, retrospectivas e a cobertura diária do rock internacional. Criador do canal no youtube Minha Vida em Vinil onde cobre música e colecionismo em mídia física.

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