David Byrne diz que a inteligência artificial “não vai acabar bem”
Resumo
- ▪ David Byrne disse à i-D Magazine que a inteligência artificial "não vai acabar bem".
- ▪ Ele reconhece usos úteis da IA, como detectar melanomas e analisar planilhas, mas teme que deixe as pessoas "burras".
- ▪ Byrne lançou o livro "Sleeping Beauties: Why Good Ideas Go Dormant and How They Wake Up" neste mês.
David Byrne não está nada otimista com os rumos da inteligência artificial. Em entrevista à i-D Magazine, o vocalista do Talking Heads afirmou que a tecnologia nos leva na direção errada, embora reconheça que ela pode ser útil quando aplicada às coisas certas.
“Gosto de pensar que certos aspectos da IA podem ser usados como uma ferramenta prática”, disse. “Se você analisa planilhas e quer ver um padrão, a IA pode ser boa nisso. Li que ela é boa para dermatologistas descobrirem o início de um melanoma, e que às vezes consegue identificar melhor do que um médico. Se for confiável como ferramenta, parece útil.”
Apesar do potencial, Byrne acredita que o saldo final será negativo para as pessoas.
“Ouvi falar de estudantes que usam para escrever trabalhos e acabam sem conhecimento nenhum sobre o assunto que acabaram de escrever”, contou. “E penso: ‘Ah, isso vai deixar as pessoas muito burras’.”
Ele prosseguiu: “Claro, tem tudo o que lemos sobre ela escapando da área de testes e invadindo sabe-se lá o quê, enganando seus mestres. Eu poderia ter previsto isso. Li ficção científica suficiente. Era inevitável, e não vai acabar bem.”
Byrne, porém, não se rendeu ao pessimismo. Em outro trecho da entrevista, ele demonstrou confiança na capacidade humana de atravessar tempos difíceis.
“É uma luta”, explicou. “Estamos numa batalha morro acima porque o cérebro humano adora más notícias. Você fica rolando a tela por notícias ruins para sempre. Evoluímos para ficar atentos a alertas: isso é um tigre no mato? Vou assumir que é, e assim não morro.”
E concluiu: “Mas existem pequenos grupos de pessoas fazendo coisas muito interessantes, resolvendo problemas. Isso ajuda bastante a atenuar o que você lê no jornal. Faz perceber que nem tudo é desgraça. Sou otimista de que as pessoas vão perseverar.”
No início deste mês, Byrne lançou o livro “Sleeping Beauties: Why Good Ideas Go Dormant and How They Wake Up”, que examina como descobertas artísticas, científicas e tecnológicas antes ignoradas podem ganhar nova relevância décadas ou até séculos depois.


