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Elton John: 25 anos de “Songs From The West Coast” reencontrando suas raízes

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Elton John - Songs From The West Coast Foto: Reprodução
Foto: Elton John – Songs From The West Coast Foto: Reprodução

Elton John havia lançado The Big Picture em 1997 e quando o ano de 2000 abriu parece que tudo estava ao seu alcance. Trilha sonora de The Muse e O Caminho Para o El-Dorado receberam um destaque pequeno comparado com o gigantesco One Night Only, gravado no Madison Square Garden.

Conhecido também por não olhar muito para o que se passou, Elton John se mostrava disposto a rever suas raízes. Com trabalhos lançados anteriormente que o afastou da sonoridade de seus primeiros anos, Songs From The West Coast foi celebrado, dando uma lufada de ar em sua carreira. Como se precisasse naquele momento.

Seu 26º trabalho de estúdio, a ideia de retorno já aparece nos primeiros minutos em The Emperor’s New Clothes, remetendo à época em que apenas sua voz e o piano dividiam o protagonismo, sendo o principal, antes de ter a presença de Dee Murray no baixo, Davey Johnstone na guitarra e Nigel Olsson na bateria.

Mais enxuto e construtivo, Songs From The West Coast não é uma tentativa de repetição, mas um vislumbre da décadas passadas, e que viriam a ser vistas em The Captain And The Kid em 2006.

A parceria entre Elton John e Bernie Taupin continua sendo um dos principais eixos do disco. Claro que quando Bernie saiu de cena na década de 1970, dando o lugar para Gary Osbourne, foi algo formidável e diferente, mas a locomotiva segue mais fluída quando os dois estão juntos.

A olhadinha pro passado é tão gritante que Paul Buckmaster, responsável pela orquestração no Elton John, de 1970, se faz presente assinando os arranjos.

Como resultado, Songs From The West Coast privilegia a banda de Elton, que ainda conta com as participações de Stevie Wonder, Billy Preston, Rusty Anderson (guitarrista do Paul McCartney), Rufus Wainwright, Tata Vega e Gary Barlow do Take That.

Enquanto Stevie Wonder assina a gaita e o clavinete de Dark Diamond, Rufus Wainwright pega American Triangle, que aborda o assassinato de Matthew Shepard, estudante estadunidense homossexual da Universidade de Wyoming que foi espancado e tortuado e deixado para morrer em 6 de outubro de 1998.

De toda forma, Songs From The West Coast é um dos momentos na carreira de Elton John em que seu alcance se amplia e não perde a característica de um trabalho centrado.

O funcionamento se deve ao fato de não tentar reproduzir o que foi feito nos anos 70. I Want Love, com o seu videoclipe estrelando Robert Downey Jr, é um exemplo de construção direta e interpretação contida, enquanto Original Sin não é excessivamente carregado, porém tem gigantescas proporções.

Birds e Mansfield também entrega a retomada da força artística de Elton, destacando o uso de arranjos, performance e melodias mais simples.

“Songs From The West Coast” funciona melhor quando Elton John não tenta reproduzir exatamente o que fazia nos anos 1970. “I Want Love”, por exemplo, tem uma construção direta e uma interpretação contida, enquanto “Original Sin” ganha proporções maiores sem transformar o arranjo em algo excessivamente carregado.

Entretando, há uma certa contradição em sua construção. Apesar de recuperar certos elementos dos primórdios, as letras de Taupin oscilam entre momentos menos inspirados (mas que não pecam em nada) e outros em que o espaço para Elton é grande e lhe dá liberdade.

Outra faixa importante é This Train Don’t Stop There Anymore. Falando sobre envelhecimento, fama e da percepção de que determinada fase da vida ficou pra trás, a faixa é adequada para um artista que, naquele momento, já trazia mais de três décadas nas costas.

Dito isso, Songs From The West Coast traz 12 faixas e pouco mais de 54 minutos e não precisa recorrer a grandes novidades para se sustentar. O mérito está em colocar Elton John novamente diante dos elementos que ajudaram a construir sua identidade e carreira.

Tendo piano, voz, Taupin e uma banda que não disputa espaço entre seus membros, é soberbo reparar que Elton olha pra trás e percebe que ainda havia algo a dizer naquele formato. Pode-se dizer que o piano voltou a ocupar o centro e Elton parecia interessado em escutar o que o instrumento tinha para lhe dizer.

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