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Glossário Musical · Definição

Soul brasileiro

O soul brasileiro é a versão local da black music norte-americana, feita em português e misturada com samba, baião, jazz e MPB . Firmou-se entre o fim dos anos 1960 e os anos 1980, com Tim Maia, Cassiano e Hyldon entre os precursores, e ganhou lugar próprio nos bailes black do…

Gêneros Musicais

O que é Soul brasileiro?

Redação Disconecta
Redação Disconecta
5 min de leitura
Foto: Sandra de Sá. Crédito: Karyme França.
Foto: Divulgação

O soul brasileiro é a versão local da black music norte-americana, feita em português e misturada com samba, baião, jazz e MPB. Firmou-se entre o fim dos anos 1960 e os anos 1980, com Tim Maia, Cassiano e Hyldon entre os precursores, e ganhou lugar próprio nos bailes black do Rio de Janeiro. Este guia reúne a origem do gênero, o movimento Black Rio, a fase Racional de Tim Maia, as características do som, o contexto da época, os artistas essenciais e os álbuns para começar.

Origem e história do soul brasileiro

A influência de James Brown, do soul e do funk norte-americanos chegou ao Brasil nos anos 1960 e 1970, e artistas brasileiros passaram a cantar esse som em português. Tim Maia lançou o primeiro álbum, Tim Maia, em 1970, e Cassiano, que formou o grupo Os Diagonais, e Hyldon, que tocou com eles, estão entre os nomes citados como precursores do funk e do soul de estilo americano no país. No mesmo ano, Tony Tornado venceu a fase nacional do V Festival Internacional da Canção com “BR-3” e, mais tarde, foi preso depois de erguer o punho cerrado, gesto associado aos Panteras Negras.

O Disconecta já tinha mostrado esse percurso em o soul brasileiro que moldou um estilo próprio nos anos 1970 e 1980, de Tim Maia a Sandra de Sá, passando por Cassiano, Hyldon, Di Melo, Tony Bizarro e Robson Jorge & Lincoln Olivetti.

Black Rio e os bailes black

Nos anos 1970, os bailes de soul e funk do Rio de Janeiro reuniram milhares de jovens. O Baile da Pesada, comandado pelos DJs Big Boy e Ademir Lemos, tocava soul, funk e rock no Canecão no início da década, e equipes de som como a Soul Grand Prix, de Dom Filó, levaram a festa a clubes dos subúrbios e de outros bairros. O nome Black Rio vem da reportagem de Lena Frias, publicada no Caderno B do Jornal do Brasil em 17 de julho de 1976.

O movimento foi vigiado pela ditadura ao longo dos anos 1970: um relatório do DOPS de 1975, por exemplo, descreve um baile organizado pela Soul Grand Prix e pela Black Power, e Dom Filó foi levado por agentes da repressão e interrogado. A estética do Black Power, os cabelos, as roupas e o mote de “Say it loud, I’m black and I’m proud”, de James Brown, incorporado pelos bailes, ajudaram a afirmar uma identidade negra ligada à diáspora. A grande imprensa só voltou os olhos para os bailes em 1976, com a reportagem de Lena Frias, e a disco music e a mudança do mercado enfraqueceram a cena no fim da década.

Tim Maia e a fase Racional

Tim Maia aderiu à Cultura Racional, doutrina baseada no livro Universo em Desencanto, e lançou os discos da fase Racional por conta própria, pelo selo Seroma. Em 25 de setembro de 1975, segundo seu biógrafo, rompeu com a seita. O terceiro volume da fase Racional só saiu em 2011, de forma póstuma. Em 2026, o primeiro volume ganhou a reedição oficial em vinil, como o Disconecta publicou em a reedição de Tim Maia Racional em vinil pela Três Selos Rocinante.

Características do som

  • Base de soul e funk, com baixo marcado, metais, teclados e guitarras de groove.
  • Mistura brasileira: o samba, o baião e o jazz entram nos arranjos. O disco de estreia de Tim Maia abre com o baião de “Coroné Antônio Bento”.
  • Letras em português e arranjos sofisticados, como os de Lincoln Olivetti nos anos 1980.
  • Cena de baile: o soul brasileiro nasceu ligado a DJs, equipes de som e pistas, e não só aos festivais.

Cenas e termos ligados ao soul brasileiro

  • Black Rio: movimento de bailes dos anos 1970, e por extensão a música ligada a essa cena. Não é um gênero.
  • Black music brasileira: termo amplo para a música negra brasileira de influência da diáspora. Segundo Dom Filó, em entrevista ao Jornal do Brasil, na época não se falava em black music, e sim em “MPB com um sotaque diferente”.

Soul brasileiro hoje

O disco de Di Melo, de 1975, lançado pela Odeon, foi redescoberto décadas depois por colecionadores e DJs, e o vinil original alcança preços altos entre colecionadores. Em 2026, a Universal Music Brasil relançou em vinil Cuban Soul – 18 Kilates, de Cassiano, que completa 50 anos. Sandra de Sá, que frequentou bailes de samba, gafieira e soul em Pilares na adolescência, se apresentou no Tiny Desk Brasil, como mostrou a matéria sobre Sandra de Sá no Tiny Desk Brasil. Ed Motta, sobrinho de Tim Maia, é outro nome associado ao soul brasileiro contemporâneo.

Artistas essenciais do soul brasileiro

  • Tim Maia (Rio de Janeiro): Tim Maia, de 1970, e a fase Racional, de 1974 e 1975.
  • Cassiano (Campina Grande): Apresentamos Nosso Cassiano, de 1973, e Cuban Soul – 18 Kilates, de 1976. Morreu em 2021.
  • Hyldon (Salvador): Na Rua, na Chuva, na Fazenda, de 1975, com a canção “Casinha de Sapê”.
  • Di Melo (Recife): disco de estreia de 1975, pela EMI-Odeon.
  • Banda Black Rio (Rio de Janeiro): criada em 1976 pelo saxofonista Oberdan Magalhães, lançou Maria Fumaça em 1977.
  • Gerson King Combo (Rio de Janeiro): conhecido como o “James Brown brasileiro”, lançou o disco homônimo em 1977.
  • Robson Jorge & Lincoln Olivetti: dupla do álbum de 1982, lançado pela Som Livre, referência em arranjos.
  • Sandra de Sá (Rio de Janeiro): gravou “Olhos Coloridos”, de Macau, em 1982.
  • Tony Tornado: vencedor da fase nacional do V FIC, em 1970, com “BR-3”.

Álbuns de soul brasileiro para começar

  1. Tim Maia, Tim Maia (1970)
  2. Apresentamos Nosso Cassiano, Cassiano (1973)
  3. Di Melo, Di Melo (1975)
  4. Na Rua, na Chuva, na Fazenda, Hyldon (1975)
  5. Cuban Soul – 18 Kilates, Cassiano (1976)
  6. Maria Fumaça, Banda Black Rio (1977)
  7. Gerson King Combo, Gerson King Combo (1977)
  8. Robson Jorge & Lincoln Olivetti, Robson Jorge & Lincoln Olivetti (1982)

Mais sobre soul brasileiro no Disconecta

Atualizado em 30 de outubro de 2026. Fontes: Wikipédia (português e inglês), Revista Brasileira de História (SciELO), Quatro Cinco Um, O Tempo, Jornal do Brasil, Observador, Jovem Pan, Nova Brasil FM, Correio da Manhã e Tribuna do Norte. Os fatos desta página precisam de revisão editorial.

Perguntas frequentes sobre Soul brasileiro

O que é soul brasileiro?

É a versão brasileira de soul e funk norte-americanos, cantada em português e misturada com samba, baião e jazz. Floresceu nos anos 1970, com Tim Maia, Cassiano, Hyldon, Banda Black Rio e outros.

Quais são os principais artistas do soul brasileiro?

Tim Maia, Cassiano, Hyldon, Banda Black Rio, Gerson King Combo, Di Melo, Sandra de Sá, Tony Tornado e a dupla Robson Jorge e Lincoln Olivetti estão entre os nomes mais citados.

O que foi o Black Rio?

Foi um movimento de bailes de soul e funk nos subúrbios e em bairros do Rio de Janeiro nos anos 1970. O nome veio da reportagem de Lena Frias no Jornal do Brasil, em 17 de julho de 1976, e o movimento foi vigiado pelos órgãos da ditadura.

Existe soul brasileiro atual?

Sim. Sandra de Sá, que cresceu ouvindo samba, gafieira e soul em Pilares, se apresentou no Tiny Desk Brasil em 2025, e Ed Motta, sobrinho de Tim Maia, é associado ao soul brasileiro contemporâneo. Reedições em vinil, como a de Cassiano e a de Tim Maia Racional, mantêm o catálogo em circulação.

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