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Graham Nash revela por que não queria Neil Young no Crosby, Stills & Nash

5 min de leitura
Foto: Far Out / Crosby Stills Nash and Young / Original Posters
Foto: Far Out / Crosby Stills Nash and Young / Original Posters
Resumo
  • ▪ Graham Nash não queria Neil Young no Crosby, Stills & Nash por temer mudar o som vocal do trio.
  • ▪ Ahmet Ertegun, da Atlantic, sugeriu Young para reforçar o grupo nos shows, já que Stills tocava vários instrumentos no disco.
  • ▪ Um café da manhã na Bleecker Street, em Manhattan, resolveu a questão, e Young levou “Ohio” ao repertório.

Graham Nash não via com bons olhos a entrada de Neil Young no Crosby, Stills & Nash. O músico explicou que temia estragar o som vocal que o trio tinha acabado de encontrar.

A necessidade de um quarto integrante surgiu na hora de levar o disco de estreia para os palcos. Stephen Stills havia empilhado guitarras, baixo e teclados em estúdio, mas ao vivo só teria duas mãos. Outro músico daria ao grupo espaço para alternar entre o repertório acústico e uma banda elétrica completa.

Quem sugeriu Young foi Ahmet Ertegun, chefe da Atlantic. Young e Stills já tinham trabalhado juntos no Buffalo Springfield, e a dúvida era se essa antiga parceria funcionaria dentro do novo grupo.

Nash contou que, depois de muitas conversas, a decisão de convidar Young estava tomada, mas ele não gostou da ideia. Segundo ele, a preocupação era preservar a sonoridade vocal do trio:

“Tínhamos acabado de descobrir esse som vocal e de fazer um ótimo disco. Depois de muitas discussões, quando ficou decidido que Neil deveria ser convidado, eu não gostei da ideia no começo, porque não queria perturbar aquele som vocal. Estávamos intimamente ligados e sabíamos aonde precisávamos chegar com qualquer música. E tudo isso teria que mudar com a entrada de outra voz.”

A resistência, no entanto, não tinha relação com a qualidade de Young como cantor. Nash levava um toca-discos na estrada com The Hollies e ouvia “Expecting to Fly”, que considerava um dos melhores discos que já tinha escutado. Segundo ele, um café da manhã com Young na Bleecker Street, em Manhattan, resolveu a questão antes de qualquer discussão.

Com Young, o grupo ganhou mais peso, com faixas como “Ohio” e guitarras mais pesadas nos shows. Ele deixou a banda depois de alguns anos, quando concluiu que a carreira solo era mais divertida.

Quem acompanha o músico pode conferir o filme “Corduroy plants”, o box set atualizado e o novo álbum de Neil Young.

Autor

  • Marcelo Scherer

    Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate da cultura física como host do podcast e newsletter Papo de Colecionador, dedicado a LPs e CDs. Além de assinar resenhas críticas no site, expande o debate musical no comando dos programas Disconecta na Rádio na Fm Cultura 107,7 de Porto Alegre/RS e Pôr do Som na Sintonia Fm 94.7 de Torres/RS.

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