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Greta Van Fleet lança “Palace For The People”, seu 4º álbum de estúdio

5 min de leitura
Greta Van Fleet - Palace For The People Foto: Reprodução
Foto: Greta Van Fleet – Palace For The People Foto: Reprodução

O Greta Van Fleet chega com seu quarto álbum de estúdio Palace For The People.

E a questão é: O Greta Van Fleet conseguiu construir sua própria identidade, deixando de lado as comparações com influências gritantes do rock clássico?

O quarteto de Michigan, simplesmente, parece ter atingido uma maturidade, ampliando a sua sonoridade sem deixar de lado os elementos responsáveis por sua subida.

Sucedendo Starcatcher, de 2023, o novo trabalho reúne 13 faixas que explora diferentes possibilidades para a sua sonoridade. As guitarras ainda estão em evidência, assim como os vocais de Josh Kiszka. Contudo, o álbum pode ser um dos mais legais e até fora do “mais do mesmo”.

Ainda investindo pesado em refrões e riffs marcantes, o Greta Van Fleet ainda tenta organizar todos os elementos que os constituem como banda de maneira menos previsível, trazendo até novas referências.

A abertura Into The Beginnig estabelece o clima do álbum antes de Tear It Down, que foi lançada como single, chegar. Riff pesado e interpretação vocal de urgência intensiva, há a familiaridade imediata com o som que tornou o Greta Van Fleet conhecido.

Heart and the Beat segue um caminho mais direto, destacando-se o baixo de Sam Kiszka e a bateria de Danny Wagner sustentando a base rítmica, em cima de Jake Kiszka na guitarra combinando blues rock e hard rock.

Sobre a guitarra de Jake, não há limitações em reproduzir as fórmulas de Jimmy Page e Ritchie Blackmore. Textura variada, mudanças e momentos que fazem com que o instrumento está lá para conduzir a narrativa das composições é evidente.

A intensidade inicial é reduzida à uma abordagem acústica em Boughten Bliss. Josh ganha espaço, fazendo a faixa funcionar pelo fato de não tentar atingir um ponto máximo, assim permitindo que ela se desenvolva calmamente, beirando a delicadeza.

Essa alternância segue em Field Of Star, que começa contemplativa antes de incorporar guitarras mais pesadas. Como resultado, se aproxima de um lado progressivo, passando por diferentes estágios até chegar em um final expansivo.

Outro single, Play Your Games, recupera o imediatismo do grupo. Marcante pela condução virogora, reforça a vocação da banda pro rock arena. É divertida, dá para se ouvir, mas o seu impacto depende da fórmula que já apareceu nos discos antecessores.

Dreams You Hold é um dos momentos mais interessantes, onde a banda explora territórios menos familiares. Em contrapartida, Lost In The Golden amplia as referências, incorporando elementos melódicos que remetem ao Oriente Médio. A mudança quebra a sequência roqueira do disco, sem colocar a identidade do Greta Van Fleet no bolso.

Touch Again também merece um destaque por combinar o psychodelic blues, instrumentação em camada e uma abordagem que valoriza uma construção sonora mais densa.

O fato de Mike Elizondo assumir a produção do álbum também é notável. Com uma bagagem que transita pelo rock, hip hop, pop e outros estilos, ele consegue impulsionar a paleta sonora do Greta Van Fleet, entregando a potência necessária da guitarra, por exemplo, sem fazer com que o disco dependa apenas dele. Arranjos de cordas, metais e percussões são adicinados em diferentes momentos, parecendo ser uma coleção de experimentos desconectados, mas que fazem total diferença.

Saw You Stand se entrega à emoção. De maneira contida, que só vai crescendo no seu decorrer, Josh transita em algo mais delicado enquanto os instrumentos vão apenas acompanhando o desenvolvimento, sem um tomar espaço do outro.

Enquanto em Heya parece ter sido construída em um refrão direcionado às apresentações ao vivo, Call My Own faz com que os instrumentos tenham um “descanso”, com a bateria conduzindo sem precisar dominar.

Finalizando com Born Into This, o Greta Van Fleet investe em um desenvolvimento instrumental, evoluindo lentamente, ampliando a dimensão de sua composição, encerrando o álbum de um modo, não perfeito, mas ótimo.

Assim, com uma ideia de espaço compartilhado, onde a música é um ponto de encontro, capaz de reunir pessoas diferentes em torno de uma experiência comum, o disco também traz a mudança de perspectiva. Após os antecessores se jogando em imagens cósmicas e mitologias, Palace For The People se volta à resistência, reconstrução e senso de comunidade.

Deste modo, quando o Greta Van Fleet investe em referência mais conhecidas, o resultado é certeiro, mas previsível. Porém, há certos momentos em que eles se mostram ampliados, mudando a atmosfesta e trabalhando em uma contenção, o que fazem deste álbum se mostrar interessante. Até ouso dizer: maduro.

Demorou um pouco para que o Greta Van Fleet se mostrasse consciente de suas possibilidades. Não abandonaram o fator Led Zeppeliano, e até a voz de Josh se distanciou de Robert Plant. Eles podem iniciar nesses fundamentos, mas o destino final é outro.

Eles não se resolveram totalmente com as questões que os acompanham desde o início e muito menos deram uma ruptura definitiva com sua sonoridade inicial, mas estão buscando novos caminhos sem abandonar o que os fizeram chamar atenção.

O Gretta Van Fleet continua apostando em guitarras, vocais agudos e ambição, entretanto, abrindo novas portas para que outras camadas entrem no seu som. Há preservação do rock, mas também uma busca de ampliação de seus próprios limites.

Autor

  • Victor Persico

    Jornalista, especialista em cultura pop, rock clássico e vertentes. Com um olhar analítico para a indústria contemporânea, acompanha de perto os novos lançamentos, resenhas de discos recentes e a movimentação do mercado musical global, traduzindo o impacto cultural dos artistas que estão moldando o cenário atual.

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