Leo Sayer e os 50 anos da sua consolidação em “Endless Flight”
Leo Sayer lançava há 50 anos seu quarto álbum de estúdio, Endless Flight, que ficou marcado pela sua ampliação internacional, o que foi impulsionado pelos singles You Make Me Feel Like Dancing e When I Need You. A combinação da música dançante e a balada romântica com o pop e soft rock foi explosiva.
Gravado no Studio 55, em Los Angeles, e trazendo Richard Perry na produção, o disco ainda vem com um elenco sensacional na banda: Larry Carlton, Lee Ritenour, Ray Parker Jr, Earl Slick, Steve Gadd, Jeff Porcaro e Nigel Olson, além de Chuck Rainey e Leland Sklar assumindo os baixos. O resultado reflete em uma instrumentação diversificada e arranjos que transitam em total harmonia e relaxamento entre os estilos.
Com uma carreira já aparecendo pelo Reino Unido, onde ganhou espaço como compositor antes de se firmar como cantor, contava com os álbuns Silverbird, Just a Boy e Another Year, lançados em três anos, apresentando a mistura de pop, rock e canções de caráter narrativo.
Com Endless Flight a trajetória foi progressiva, contando ainda com a releitura de Reflections, originalmente gravada pelas Supremes. O repertório se alterna sem perder a unidade sonora, não se limitando a apenas um estilo. Leo Sayer viaja pelos estilos onde cada faixa desenvolve-se em sua própria característica. Em Hold On To My Love, que abre o álbum, a estrutura pop se alinha à composição de Leo com Barry Mann e Cynthia Weil, já conhecidos no meio da composição.
Na sequência, You Make Me Feel Like Dancing muda toda a dinâmica, voltada para a pista de dança, combinando elementos de disco music e pop, o refrão fica na cabeça no modo chiclete sem enjoar. Se você ouvir e não tiver a mínima vontade de dançar, por favor, vá se tratar.
A faixa pegou o primeiro lugar na Billboard Hot 100 no mesmo ano, além de receber o Grammy de Melhor Canção de R&B na cerimônia de 1978. Com um apelo forte ao pop, a faixa também fez com que os ouvintes acompanhassem e revisitasse seus antigos álbuns.
A terceira faixa, Reflections, Leo Sayer traz uma nova interpretação, presevando o desenho melódico da composição, evidenciando também o diálogo de Endless Flight com o soul norte americano.
Apesar das músicas fortes, a cereja do bolo vem com When I Need You, escrita por Albert Hammond e Carole Bayer Sager. Indo contra à toda a excitação do álbum, o romantismo toma conta, focando na melodia e a interpretação vocal de Leo. A faixa já havia sido escrita por Hammond, mas se popularizou neste disco.
Sucesso instantâneo, alcançou o topo nos EUA e Reino Unido, mostrando que sua carreira não dependia apenas de músicas animadas.
Se aproximando do soul e do funk, No Business Like Love Business vem com Jeff Porcaro na bateria, Lee Ritenour e Ray Parker Jr. Acho que não precisa dizer muito mais, correto?
I Hear The Laghter retoma o formato pop, mostrando o espaço de mudanças dinâmicas, com Andrew Gold na guitarra. O que faz este álbum ser brilhante é o elenco que manda suas características pra dentro de cada canção, além de que mantêm uma formação fixa para todas as faixas, melodicamente.
De modo contida, somos levados até Magdalena, com arranjo de Leland Sklar e Bill Payne, do Little Feat, abrilhantando com os teclados, acrescentando mais uma conexão com a cena musica da época.
A disco music chega novamente com How Much Love, cque também teve um destaque no Top 20 nos EUA e Top 10 no Reino Unido. Destaque para as guitarras de Larry Carlton e Ray Parker Jr que fazem mais uma faixa ótima sem repetir a fórmula de You Make Me Feel Like Dancing.
Endless Flight segue com I Think We Fell In Love Too Fast, com Steve Madaio e Trevor Lawrence ajudando na metaleira para definir a instrumentação e Ray Parker Jr, novamente, reforçando a diversidade. A faixa título, com pouco mais de quatro minutos, encerra com Nigel Olsson, baterista de Elton John, e David Hungate nos baixos, além de Paul Buckmaster nos arranjos.
Totalmente fora da linha da abertura do disco, a atmosfera é diferente, além da construção melódica.
O que faz Endless Flight ser diferenciado é a sua variedade sonora e de músicos. Muitos já estavam no meio do soul, jazz e R&B, o que foi permitido incorporar diferentes referências sem comprometer as canções.
O equilíbrio é notável, o que se percebe nos dois singles, o que apresenta duas faces distintas de Sayer. Contudo, não se deve embasar apenas a eles. Há releituras, composições e músicas com detalhes que são perceptíveis com toda a atenção. Cada um tem algo pra falar, para mostrar e Leo Sayer, simplesmente, acertou em cheio na escolha de cada um.
Em seus 50 anos, Endless Flight é um registro pesado representativo da música pop dos anos 1970. O menu dele é repleto de ótimas escolhas e um vôo suave que beira à perfeição. É a representação do ponto alto do sucesso de Leo Sayer que o levou ao reconhecimento internacional.