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Músicas de Nick Cave e Kylie Minogue teriam sido usadas para treinar IA sem permissão

5 min de leitura
Foto: Ian Allen / QuentinCurran
Foto: Ian Allen / QuentinCurran
Resumo
  • ▪ A ICMP acusa uso de obras de Kylie Minogue e Nick Cave para treinar IA sem permissão.
  • ▪ John Phelan da ICMP critica pressão de empresas de tecnologia sobre leis de direitos autorais na Austrália.
  • ▪ Nick Cave já expressou forte oposição à IA, chamando uma música gerada por ChatGPT de "horrível".

A Confederação Internacional de Editores de Música (ICMP) alegou que obras de Kylie Minogue e Nick Cave foram utilizadas para treinar inteligência artificial sem a autorização dos artistas.

As afirmações foram feitas pela ICMP, um órgão global que representa grandes gravadoras e milhares de independentes em seis continentes.

Em entrevista ao Guardian Australia, John Phelan, diretor-geral da ICMP, expressou preocupação com a pressão que empresas de tecnologia estariam exercendo sobre o governo australiano para enfraquecer suas leis de direitos autorais. Ele afirmou: “Eles estão tentando coagir os formuladores de políticas australianos dizendo ‘se vocês não fizerem isso, não investiremos’”.

Embora a indústria de IA declare que seus modelos não podem ser treinados com conteúdo australiano devido às regras de direitos autorais, a ICMP mostrou ao Guardian Australia que o Google Gemini foi capaz de reproduzir letras de Minogue, Cave e também de G-Flip, outro artista australiano.

Phelan também mencionou um conjunto de dados, publicado pela The Atlantic em junho, que continha músicas de mais de 12 milhões de vídeos do YouTube supostamente usados para treinar IA, e que incluía novamente Minogue e Cave.

Ele alertou que “o mundo está observando de perto o que a Austrália faz” e enfatizou: “É justo dizer que a indústria musical global, assim como todas as indústrias criativas em todo o mundo com as quais trabalhamos, está chocada com a ideia de um esquema estatutário ou um acordo governamental que interfira na forma como as indústrias australianas operam e contratam globalmente”.

Apenas a Austrália, entre 62 países que consideraram mudanças nas proteções de direitos autorais, introduziu uma exceção de “mineração de texto e dados”. A questão foi recentemente debatida em um comitê parlamentar do governo australiano, que recomendou ao governo “examinar as configurações atuais de direitos autorais”.

Nick Cave já se manifestou anteriormente como crítico da IA, declarando em 2024: “Sua intenção é contornar completamente o inconveniente da luta artística, indo direto para a mercadoria, o que reflete sobre nós, o que somos, como seres humanos, que somos apenas coisas que consomem. Não fazemos mais coisas. Apenas consumimos. É assustador.”

Ele acrescentou: “Sou uma pessoa enormemente otimista em relação ao mundo em geral, mas acho que o efeito desmoralizante ou humilhante que a IA terá sobre nós como espécie nos impedirá de nos importar com algo como a luta artística, e simplesmente aceitaremos o que nos for dado por meio dessas coisas.”

Em 2023, Cave usou o ChatGPT para escrever uma música como experimento, concluindo: “O apocalipse está a caminho. Essa música é horrível.”

Autor

  • Marcelo Scherer

    Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate da cultura física como host do podcast e newsletter Papo de Colecionador, dedicado a LPs e CDs. Além de assinar resenhas críticas no site, expande o debate musical no comando dos programas Disconecta na Rádio na Fm Cultura 107,7 de Porto Alegre/RS e Pôr do Som na Sintonia Fm 94.7 de Torres/RS.

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