O baterista que Charlie Watts, Phil Collins e Neil Peart consideravam o maior de todos os tempos
Resumo
- ▪ Charlie Watts, Phil Collins e Neil Peart citaram Buddy Rich como referência máxima na bateria.
- ▪ Watts, criado no jazz, admirava as introduções de Rich nos discos da Verve com Charlie Parker.
- ▪ Peart lembrou que Gene Krupa chamou Rich de o maior baterista que já respirou, e concordou.
Ninguém vira baterista de rock por simples força de vontade. Entre os instrumentos de uma banda clássica, a bateria é o coração que dita o ritmo de tudo, e exige músculo, paixão pelo ofício e noção exata de quando soltar aquela virada que todo mundo vai lembrar. Como cada coração bate de um jeito, é raro ver uma banda inteira se encaixar no mesmo groove com naturalidade.
Muitas das maiores bandas de rock viveram justamente dessa sintonia. Os Beatles tinham Ringo Starr para ancorá-los, e Charlie Watts, dos Rolling Stones, costuma ser esquecido quando se fala dos grandes bateristas da sua geração. Seu toque era mais sutil que o de outros gigantes do instrumento, mas ele sabia que tudo dependia do fôlego colocado em cada batida.
Watts cresceu tocando jazz, muito antes de qualquer outro gênero. Mesmo capaz de segurar uma banda como poucos, olhava para nomes como Buddy Rich para elevar o próprio jogo nas viradas. Sobre ele, disse: “Ele é um homem incrível, não é? A história desse cara é impressionante. Alguns dos discos em que ele tocou são notáveis, como os da Verve com Charlie Parker. Algumas das introduções que ele toca chegam a ser ridículas, e ele usa só dois tambores! Não é tudo o que ele tem, mas usa só dois.”
O jazz não é exatamente uma língua universal entre músicos, mas o mais próximo disso no mundo do rock era o progressivo. As grandes bandas do estilo transformavam suas músicas em engenhocas musicais, como Rich fazia, e Phil Collins foi um dos que enxergaram a magia daquele som de big band.
Collins foi um dos melhores bateristas da sua geração, mas ouvir Rich foi decisivo. Perguntado se ele era o maior de todos, respondeu: “Acho que sim. Pode-se dizer o que quiser sobre o Buddy. Muita gente falou mal dele. Eu o conheci uma vez. Antes de tudo, enquanto tocava ao lado dos Beatles, do The Who e de todas as estrelas pop, eu também ouvia jazz de big band.”
O baterista do Genesis encaixou algumas viradas com sabor de Rich no repertório da banda. Já quem queria a mesma potência do mestre do jazz encontrava Neil Peart. Ele ajudou a transformar o Rush em uma das grandes bandas de rock progressivo, em boa parte graças a anos de escuta de Buddy Rich e a releituras de seus solos em tributos ocasionais. Sobre a bateria do astro, a história do músico também rendeu a matéria sobre a bateria DW R30 em homenagem a Neil Peart.
Peart tinha muitos heróis entre os bateristas de hard rock, mas olhava para Rich de forma diferente. Ele lembrou que Gene Krupa chamou Rich de “o maior baterista que já respirou”. Nas palavras de Peart: “São palavras de briga, sem dúvida, ditas há uns 50 anos, mas acredito que Gene estava certo. Não é só a musicalidade natural do Buddy, o instinto de solista e o ouvido de dançarino. Ele tinha tudo isso, mas o maior de seus dons eram aquelas mãos.”
Rich pode ter detestado muita coisa do rock quando o gênero nasceu, mas o rock não o esqueceu. Se ele mostrava como destruir uma bateria em poucos minutos, coube aos jovens roqueiros correr atrás.


