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Histórias

O solo de Snowy White em “Pigs on the Wing” que o Pink Floyd deixou fora de “Animals”

5 min de leitura
Pink Floyd.
Pink Floyd. — Foto: Pink Floyd Archives.
Resumo
  • ▪ Snowy White gravou um solo de guitarra em "Pigs on the Wing" em 1977, durante um único dia de estúdio.
  • ▪ O solo foi feito em uma tomada, com uma Strat branca, mas não entrou na versão em vinil de "Animals".
  • ▪ White voltou a tocar com o Pink Floyd nos shows de "The Wall", na banda substituta que abria cada noite.

Em 1977, o Pink Floyd já estava entre as maiores bandas do mundo e começava a olhar para fora do núcleo fixo na hora de gravar. Foi nesse cenário que o guitarrista Snowy White passou por um estúdio da banda e teve uma experiência que ele certamente não esperava: tocou um solo em “Pigs on the Wing” que não chegou ao disco.

A mudança de postura vinha de antes. Depois de “Dark Side of the Moon”, Roger Waters já não tinha o mesmo entusiasmo inicial, mas a banda ainda tinha fôlego. “Wish You Were Here” foi um dos trabalhos mais bem-acabados do grupo, e a abertura a convidados ficou evidente ali: Clare Torry havia feito os vocais de “Great Gig in the Sky”, e Roy Harper participou de “Have A Cigar”.

Com “Animals”, Waters finalmente deu casa a esboços de David Gilmour para “Dogs”. Enquanto as ideias eram testadas no estúdio, ele sentiu que faltava gente nova por perto, e White foi chamado.

Ele ficou empolgado com o convite. Segundo seu relato à Guitar World, tudo foi rápido: “Roger se vira e coloca ‘Pigs on the Wing’, e então diz: ‘Por que você não faz um solo no meio? Pode pegar qualquer uma dessas guitarras aí e tentar’. Então peguei uma Strat branca, liguei, mexi um pouco e fiz o solo em uma tomada só.”

Depois desse único dia de estúdio, a banda decidiu retirar a contribuição. O solo não entrou na versão em vinil do álbum.

A história, porém, não terminou ali. White teve outras chances com o grupo e virou um amigo de longa data da banda: quando “The Wall” virou um grande espetáculo ao vivo, subiu ao palco como integrante da banda substituta que abria cada show.

Para quem coloca alma em um solo destinado a um dos discos mais importantes da história, ver a parte descartada deve ter sido frustrante. Mas o estúdio tem dessas: o que soa perfeito num momento pode parecer deslocado no seguinte, dependendo do que se está construindo.

Autor

  • Luis Fernando Brod

    Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a história por trás de álbuns lendários e dissecar a trajetória de ícones da música nas décadas de 70, 80 e 90. No Disconecta, assina reportagens especiais, retrospectivas e a cobertura diária do rock internacional. Criador do canal no youtube Minha Vida em Vinil onde cobre música e colecionismo em mídia física.

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