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Paul McCartney escreveu música para tentar fazer as pazes com John Lennon em 1971

5 min de leitura
Foto: Far Out / Linda McCartney
Foto: Far Out / Linda McCartney
Resumo
  • ▪ Paul McCartney compôs a música “Dear Friend” em 1971 para tentar fazer as pazes com John Lennon.
  • ▪ A faixa faz parte do álbum “Wild Life”, o primeiro trabalho completo da banda Wings.
  • ▪ McCartney afirmou que tem dificuldades em ouvir a canção por considerá-la muito emocionante.

Durante sua década com os Beatles, Paul McCartney compôs algumas das canções mais celebradas de todos os tempos. Após o fim da banda em 1970, McCartney continuou sua carreira com o Wings, grupo que lançou músicas notáveis nos anos 1970, como “Silly Love Songs” e “Band on the Run”.

Há, contudo, uma música que o próprio McCartney tem dificuldade em ouvir. O primeiro álbum completo do Wings, “Wild Life”, de 1971, incluiu letras inspiradas no período de McCartney com os Beatles. Uma dessas canções foi “Dear Friend”.

Embora os dois primeiros trabalhos solo de McCartney estivessem repletos da tensão e do ressentimento pós-Beatles, o primeiro álbum do Wings também fazia referência ao Fab Four. “Dear Friend” é talvez a canção mais explicitamente escrita sobre John Lennon em seu catálogo.

McCartney, que em trabalhos anteriores havia feito críticas a Lennon, usou “Dear Friend” como um gesto de reconciliação. A canção, com acordes de piano e percussão atmosférica, mostra McCartney estendendo a mão ao seu antigo parceiro de composição, John Lennon. O relacionamento deles havia se tornado cada vez mais tenso com o fim dos Beatles.

Na música, McCartney canta: “Caro amigo, que horas são? Isso é realmente o limite? Isso realmente significa tanto para você? Você está com medo ou é verdade?”. É claro que a faixa é uma carta para Lennon, seu “caro amigo”, pedindo-lhe para se lembrar da verdadeira amizade e priorizá-la em detrimento dos problemas anteriores.

McCartney revelou em seu site oficial que tem dificuldade em ouvir a música, admitindo: “Eu tenho que meio que engolir o choro”. Ele explicou: “Sou eu conversando com John depois de todas as disputas sobre a separação dos Beatles. Acho muito emocionante quando a escuto agora”. McCartney acrescentou: “Estou tentando dizer a John: ‘Olha, sabe, está tudo bem. Tome um copo de vinho. Vamos ficar de boa’. E, felizmente, nós nos reconciliamos, o que foi uma grande fonte de alegria, porque teria sido terrível se ele tivesse sido morto como as coisas estavam naquele momento e eu nunca tivesse conseguido resolver isso com ele”.

Felizmente, os dois conseguiram reparar seu relacionamento até certo ponto antes da morte de Lennon em 1980. A música permanece como uma tentativa de reconexão e um testemunho de sua parceria, apesar do desgaste nos últimos anos da banda.

Autor

  • Marcelo Scherer

    Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate da cultura física como host do podcast e newsletter Papo de Colecionador, dedicado a LPs e CDs. Além de assinar resenhas críticas no site, expande o debate musical no comando dos programas Disconecta na Rádio na Fm Cultura 107,7 de Porto Alegre/RS e Pôr do Som na Sintonia Fm 94.7 de Torres/RS.

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