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Queens of the Stone Age em novos caminhos em seu 9º álbum. Confira “Perfetch”.

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Queens Of The Stone Age - Perfetch Foto: Reprodução
Foto: Queens Of The Stone Age – Perfetch Foto: Reprodução

Queens Of The Stone Age chegam com seu novo álbum, Perfetch, marcando o que talvez seja uma mudança significativa em sua trajetória. A banda liderada por Josh Homme reduz o peso das guitarras que ajudaram a definir sua identidade, trazendo um investimento maior em composições introspectivas, elementos orquestrais e experimentalismo.

Como resultado, um afastamento de algumas características conhecidas do grupo, porém sem abandonar o rock que os acompanha.

Vindo após In The Times New Roman, lançado em 2023, o disco chega após um período difícil para Homme, com questões pessoais e também uma cirurgia relacionada a um câncer. O contexto parece de maneira indireta nas letras e na atmosfera das músicas, que aborda perda, relações afetivas, arrependimentos, amadurecimento e a tentativa de encontrar equilíbrio. Não é um relato biográfico, é explícito a maneira de que todos esses acontecimentos atravessam cada faixa.

Como o próprio nome do álbum já diz, Perfecth parte da imperfeição, palavra criada por Homme para experessar que nada é completamente perfeito. O conceiro ainda dialoga com a técnica japonesa de reparação de cerâmicas quebradas com ouro, o kintsugi. Em vez de esconder as marcas de dano, o processo as incorpora à peça.

A ideia se reflete na abertura It’s Only Love, onde mostra o Queens Of The Stone Age menos preocupado em estabelecer um riff, com violões, piano, cordas e uma atmosfera de tensão tomando conta. A ideia é totalmente fora de seu trabalho anterior.

Em Insignificant Other, o balanço característico do grupo é usado, mas em uma direção mais contida, combinando rock, blues e elementos de soul em uma letra sobre o desaparecimento de alguém que antes ocupava um lugar central na vida do narrador.

Já em Where The Goth Girls At? a dose de guitarras e atitude chega maior, porém com uma presença teatral e de referências à relação do cantor com a própria mortalidade.

Em Mono se abre para algo mais interessante, onde a experimentação é disposta sem buscar uma sonoridade uniforme. Como se fosse uma exploração de percepção espacial do som, a faixa também beira na dispersão, especialmente para quem espera algo mais objetivo. Mas, é o Queens Of The Stone Age explorando novos territórios, apesar de não ser muito convincente.

O folk chega aos repertório em From The Ciff, trazendo um equilíbrio entre as mudanças. Sunday consegue seu espaço, sendo que foi lançada originalmente por Iggy Pop em Post Pop Depression, em 2016. A regravação incorpora o universo do Queens Of The Stone Age, preservando a sua relação ao art rock, conectando o presente momento com o período anterior de Homme.

Nikki Lane faz sua participação em Easy Street, que traz uma abordagem mais acessível, se diferenciando de momentos mais sombrios do álbum. Há a reflexão sobre comportamentos antigos e a possibilidade de deixá-los para trás. Em contrapartida, o clima introspectivo chega em Phantom Limb, tratando de ausência e da dificuldade de lidar com aquilo que fica após uma perda.

O encerramento com Run Away From The Mob retoma a intesidade que muitos associam ao grupo. Iniciando de maneira econômica, acaba ganhando corpo no trecho final em que as guitarras ressoam dominando tudo. É um contraponto ao restante do álbum. Enquanto o álbum parece estar contido, ele finaliza em uma expansão sonora.

A redução de peso irá dividir opiniões. A identidade do Queens Of The Stone Age segue um novo caminho, trazendo menos frequência às combinações de riffs e grooves. O objetivo, pelo que tudo indica, é a criação de atmosferas que não causam impacto imediato.

Nove músicas em pouco mais de 36 minutos que fazem com que mostre que a banda consegue se alternar entre faixas acústicas, expeirmentações e momentos de rock mais direto, sendo também uma sequência variada.

Ainda assim, ainda é equivocado avaliar Perfecth pela sua ausência de características da banda. A interpretação de Homme e seus arranjos faz com que este álbum seja um momento de observação e contemplação, não sendo algo uniforme. A perspectiva aqui é diferente.

O Queens Of The Stone Age está contido, mas continua visceral em outra linguagem.

Autor

  • Victor Persico

    Jornalista, especialista em cultura pop, rock clássico e vertentes. Com um olhar analítico para a indústria contemporânea, acompanha de perto os novos lançamentos, resenhas de discos recentes e a movimentação do mercado musical global, traduzindo o impacto cultural dos artistas que estão moldando o cenário atual.

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