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Camisa de Vênus desfila clássicos e repertório novo em noite intensa em Porto Alegre, sua “casa”

Toda grande banda tem pelo menos uma forte ligação com alguma cidade. Um exemplo é o Biquíni Cavadão e Fortaleza representam uma relação de amor praticamente inexplicável, todo show deles na capital Cearense, infalivelmente é sob o ritmo de ” A Hard Days’s Night”, aquela fervorosidade dos fãs nunca morre.

Um pouco de História

Podemos mencionar aqui a Camisa De Vênus, 43 anos de história dentro do rock brasileiro ( teve intervalos neste período, nos anos 90 e 2000) tem uma forte ligação histórica com a cidade de Porto Alegre – RS. Desde os anos 80, segue essa conexão musical entre eles e o público gaúcho ( na verdade é sul-rio-grandense, mas ninguém liga, vai gaúcho mesmo) quando eles vieram pela primeira vez tocar na capital, na clássica casa descoberta Araújo Vianna ( hoje é um complexo e moderno espaço para shows, e claro, coberto) para centenas de pessoas ácidas por rock, alimentadas pela extinta e maravilhosa Rádio Ipanema, que foi a primeira fora do eixo São Paulo á tocar o som da banda baiana, e, a cidade que é o coração de todos os gaúchos foi a primeira do Brasil fora da capital paulistana a receber o show da Camisa.

Este show foi antológico, que pode conferir aqui abaixo, o aúdio fervoroso e intenso da performance da banda, diante de vários loucos presentes neste dia:

Disso, vieram performances históricas, como o emblemático show no Ginásio do Internacional, Gigantinho, para mais de 10.000 almas roqueiras lavadas com seu show explosivo, registrado historicamente no álbum ao vivo ” Viva”, considerado um dos melhores discos ao vivo da música brasileira, superando públicos como o show do Van Halen no extinto Estádio Olímpico do Grêmio e o show do Roberto Carlos ( essa história deste show é inacreditável, que pode conferir aqui, papo histórico com Marcelo Nova e Drake Nova para o meu canal Na Ponta Da Agulha, com a parceria do inigualável Marcelo Scherer, do canal Disconecta)

Para brilhantar ainda mais essa relação, a banda gravou um show da turnê do álbum de inéditas de 2016 ” Dançando na Lua”, no Araújo Viana, casa abarrotada de pessoas saindo pela janela, entre essas, a própria pessoa aqui que os escreve, presenciou este ato público de louvor ao rock and roll em quase duas horas de intensa energia, com a banda revigorada com os novos integrantes que seguem até hoje, o próprio Drake Nova, na guitarra, Célio Glouster na bateria, o fundador da banda junto com Marcelo, Robério Santana, e fechando a formação, Leandro Dalle, guitarrista base e solo, intercalando junto com o Drake, que está mais de 10 anos tocando com o Marceleza, desde a sua carreira solo e foi convocado pelo próprio para a missão de integrar a nova ( e a melhor) fase da Capa de Pica, ops, da Camisa de Vênus.

O Dia do Show

De lá pra cá, foram 5 shows seguidos e os últimos aqui no estado que presenciei deles, todos intensos, repertórios variados ( a banda nunca repete o mesmo set-list, a lá Metallica). Contando com este, realizado na noite de sábado, 09.12, no espetácular Theatro do Bourbon Country, realizado pela competente Opus Entretenimento , foi uma noite de celebrar o momento da banda, que estão em turnê de divulgação do pesado álbum ” Agulha no Palheiro”, lançado em 2022, de forma independente, e, da fase particular de Marceleza, que lançou o ” As Cartas que Eu Nunca Lhe Enviei” que gravou em duo com seu filho e fiel parceiro musical, Drake Nova, que além de tocar todos os instrumentos, produziu, mixou e masterizou o álbum, também de forma própria o seu lançamento, como destacou em nosso papo para o Na Ponta Da Agulha.

Começou o baile roqueiro com a nova ” Gegê, Cadê Getúlio?”, mantendo a essência da banda, com a ironia e provocação que vem carregando nestes anos todos, levantando a galera, e uma parcela dos presentes cantaram a música em cada vogal interpretado pelo Marceleza, um dos últimos grandes compositores do rock brasileiro.

A noite seguiu intercalando clássicos e músicas do novo álbum, a banda muito á vontade, sentindo-se em casa, cada momento que se passava, era nítido nos olhares de cada músico, conscientes de que representam uma pequena parcela de grandes bandas que nunca caíram nas exigÊncias escrapulosas da indústria fonográfica, de mudar o seu visual ou som, diferente de outras bandas que em algum momento de suas trajetórias acabaram se submetendo as tais mudanças sonoras e visuais vindas da indústria fonográfica.

Para a surpresa, eles tocaram uma faixa do álbum solo do Marceleza, a filosófica ” O Lado Errado do Trilho do Trem”, fui um dos poucos que sabia a letra, já que a maioria desconhecia e ficaram me olhando com cara de pálido, ou, pensaram que sou louco. Feliz era eu, vivenciando este momento de extensa criatividade dele e da banda, que me viram eu cantando a nova música e abriram claramente um sorriso de felicidade, talvez saberem que as canções novas estão atingindo as pessoas, faço parte desta lista.

O Comportamento do Público

Senti o público muito morno, marcado pela geração da faixa etária apartir de 45 anos, querendo apenas o repertório oitentista da banda, e ignorando-as canções recentes. Mesmo diante de uma performance intensa, foi necessário os integrantes gritarem e empurrarem ânimo para o público acomodado nas poltronas quentes e confortáveis do theatro. Show de rock como da Camisa , assistir sentado é uma declação de rasgar por inteiro o ingresso adquirido, é como se não tivesse assistido a apresentação por inteira, uma performance pesada como a da Camisa não comporta para este tipo de espetáculo.

Outro lado, que é muito chato e vem frequentemente acontecendo nos últimos tempos é a constante necessidade de uma parcela do público em expressar sua posição política, ambos os lados, sem exceção, lindamente calados pelo Marceleza com o hino ” O Adventista” com uma frase alterada para ” Eu acredito no Lula e no Bolsonoro (só que não)”, grande parte do público gritaram Bota pra Fuder, e, estes que teimavam em ganhar no grito com seus ídolos políticos foram convidados a se retirarem e não voltaram mais.

O Legado Da Banda

As fotos abaixo do texto, registrados brilhantemente pelo competente fotógrafo e jornalista Thiago Borba, ilustram a performance intensa dos 5 rapazes ( alguns jovens senhores) que fazem o seu som, sem rodeios, que traduzem em fortes textos, recheados de ironia e sarcasmo, acompanhados de acordes pesados e rasgados, a realidade da sociedade, marcada por hipocrisia e individualismo, que desde os anos 80 a banda discute em suas canções, e, são coisas que dificilmente irá mudar, só reforça a sua obra que transcende uma atemporalidade sem igual, as gerações irão passar, vão conhecer a banda e se identificar com as suas letras.

Setlist Camisa de Vênus no Theatro do Bourbon Country, Porto Alegre, 09.12.23

1 – Gegê, Cadê Getúlio?

2 – Dançando na Lua

3 – Deus me dê Grana

4 – Tão Pouco Tempo

5 – Gotham City

6 – Bota Pra Fudê

7 – A Ferro e Fogo

8 – O Lado Errado do Trilho do Trem

9 – O Adventista

10 – Simca Chambord

11 – Agulha No Palheiro

12 – Passatempo

13 – Sílvia

14 – Hoje

15 – Só o Fim

16 – My Way

17 – Eu Não Matei Joana D’arc

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