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Em disco de estreia, Big Special recria rock com influências diversas e sonoridade moderna

Calcado no post-punk, Big Special mostra que o rock não está morto e mistura elementos modernos apresentando uma sonoridade única em seu primeiro trabalho, POSTINSDUSTRIAL HOMETOWN BLUES, disco que conversa com a nova safra de rock inglês.

Originários de Black Country, aproximadamente 23 km de Birmingham, berço do heavy metal e da revolução industrial, o duo formado por Joe Hicklin nos vocais e o baterista Callum Moloney, refletem o clima cinzento e de desilusão no nome do álbum.

O disco percorre o já citado pós punk, mas não só, desfila batidas dançantes do disco punk, influenciado por LCD Soundsystem e adiciona elementos sonoros modernos conectando-se com bandas contemporâneas como IDLES. 

Prova dessa fusão bem sucedida, são os três faixas em sequência que estão no EP Tree lançados pela banda, Desperate Breakfast, Shithouse e This Here Ain’t Water que mesmo recém lançadas, ganham ares de hinos logo de cara, nem vale mergulhar em uma análise de suas estruturas, coloque o fone de ouvido e delicie-se.

Não podemos deixar de citar as duas faixas iniciais, a excelente Black Country Gothic, que abre o disco com o pé na porta, se apropriando do minimalismo punk, porém com camadas muito bem construídas e melódicas de synths marcantes, aqui o duo faz um tributo à sua cidade natal.

Liricamente a dupla transita nas mazelas do dia a dia inglês, o tédio, a desilusão e também nos problemas sociais, a face punk do Big Special.

I Mock Joggers é a segunda do álbum e empolga de cara, com vocais sincopados e rimados de rap em cima de uma faixa crua de melodia simples, mais uma vez apresentando seu lado crú e punk.

My Shape é um mergulho em uma viagem psicodélica iniciada pelos teclados e acompanhada de um vocal falado, apesar de ter mais de três minutos, ela tem cara de vinheta para Black Dog/ White Horse. Uma linda faixa que tem sua batida suave calcada no breakbeat, outra influência clara da música eletrônica dos anos 90 de bandas como Underworld ou mesmo Chemical Brothers com menos intensidade. A faixa é linda e possui uma melodia vocal que explora um pouco da música armênia com muito pop, principalmente no refrão, e assim como as três citadas do EP Tree, tem tudo para ser mais num grande hino da banda.

Broadcast: Time Away mergulha no synth com vocais falados, que como você deve ter percebido é uma constante no álbum e nos transportam para um portal futurista calcado nas influências de Moby dos anos 90, porém, mais soturna.

iLL, apesar de começar em uma linguagem moderna com influência de Black Keys e seu blues rock atual, ela possui um refrão que lembra muito do que o  pessoal do The Killers apresentou no início do século em seu Hot Fuss.

Mongrel , essa sim, é uma vinheta com seus poucos mais de um minuto meio, nos prepara para outra pedrada, Butcher’s Bin, aqui a comparação com o IDLES é impossível de não ser feita. Ela é uma pedrada punk moderna com teclados que fazem a cama e um baixo marcante repetido em loop eletrônico, seguido de um lindo break e um retorno empolgante para o mantra inicial.

Dust Off/ Start Again é insana, apocalíptica, com vocais cuspidos Hicklin logo no início da faixa, passando para um clima hipnótico e construção melódica oriental que retorna aos vocais agressivos com camadas e camadas de synths, uma faixa estranha mas que cativa ao mesmo tempo.

Trees, a primeira faixa do EP de mesmo nome, tem uma linha vocal que te fisga logo de primeira e desenrola nos seus mais de 2 minutos que mais uma vez conversa com a sonoridade contemporânea de TANG! do IDLES.

For the Birds  entrega mais uma vez as melodias esperançosas da tríade de álbum de Moby, Play, 18 e Hotel, e mantém-se nessa linha na bela Dig!, música que fecha POSTINSDUSTRIAL HOMETOWN BLUES e que ainda lembra as linhas musicais das apoteóticas canções do The Killers.

Big Special é uma banda contemporânea que não tem vergonha de revisitar o passado, mixar com o presente e adicionar ingredientes próprios em seu caldeirão sonoro. Uma grata surpresa e uma continuidade da mistura punk, disco punk, chillout e rock de arena.

Ouça abaixo POSTINSDUSTRIAL HOMETOWN BLUES do Big Special

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