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Semiramis: Uma jóia do prog italiano

Apesar de sua breve existência, a banda Semiramis tem uma história interessante e um lugar especial na música progressiva italiana e se assim como eu, você não conhecia a história dessa banda italiana, nas linhas a seguir tentarei passar o máximo de informação sobre esse tesouro cult da rica cena progressiva italiana.

O início

Em 1970, em Roma, quatro amigos de infância do bairro de Centocelle, Maurizio Zarrillo, os primos Memmo Pulvano e Marcello Reddavide, e o cantor Maurizio “Macos” Macioce, uniram-se para formar uma banda chamada Semiramis, cujo nome foi inspirado na famosa rainha babilônica, rapidamente se tornou uma parte significativa da história da música progressiva italiana, apesar de sua breve existência.

Em 1972, o grupo passou por uma transformação quando Macos deixou a banda e foi substituído por Michele Zarrillo, irmão mais novo de Maurizio e um talentoso guitarrista. Sob a liderança de Michele, a banda começou a se apresentar ao vivo, oferecendo tanto composições originais quanto covers de artistas como Rolling Stones, Creedence, Sabbath, Led Zeppelin, incorporando influências do progressivo italiano.

Apesar da inexperiência dos membros, Semiramis rapidamente se estabeleceu como uma das principais bandas alternativas da época. Sua performance no Festival Pop de Villa Pamphili em maio chamou a atenção da Trident Records de Milão, que lhes ofereceu um contrato discográfico. Infelizmente, antes de iniciar as gravações do estúdio, Pulvano deixou o grupo por razões de trabalho, e foi substituído por Paolo Faenza na bateria e Giampiero Artegiani no teclado, trazendo um novo elemento sonoro com seu Synth Eminent.

Formação da banda

  • Maurizio Zarrillo: Atuava como tecladista da banda. Ele foi um dos membros fundadores e desempenhava um papel crucial na criação do som distintivo de Semiramis, particularmente por meio de seu trabalho no teclado.
  • Michele Zarrillo: Irmão mais novo de Maurizio, Michele era o guitarrista e vocalista principal da banda. Michele era conhecido por sua habilidade técnica na guitarra e por sua voz expressiva. Michele Zarrillo alcançou o sucesso como compositor na Itália, vencendo o Festival de San Remo e com suas músicas sendo gravadas por vários cantores italianos renomados, incluindo Laura Pausini e Tiziano Ferro.
  • Marcello Reddavide: Atuava como baixista. Reddavide era um dos membros fundadores e primos de Maurizio Zarrillo.
  • Paolo Faenza: Ingressou na banda como baterista, substituindo Memmo Pulvano. Faenza era conhecido por sua técnica habilidosa e pela capacidade de adicionar complexidade rítmica às músicas da banda.
  • Giampiero Artegiani: Juntou-se como tecladista, trazendo um elemento adicional à sonoridade da banda com seu Synth Eminent. A inclusão de Artegiani enriqueceu a textura musical dos Semiramis, contribuindo para o caráter progressivo e experimental

A banda possui apenas um álbum de estúdio, entitulado Dedicato a Frazz, que é um trabalho conceitual, com o título sendo um acrônimo dos sobrenomes dos membros da banda. A narrativa central gira em torno do personagem Frazz, cuja história termina em tragédia. Reconhecido por sua originalidade e complexidade musical, recebeu elogios pela fusão de instrumentos e estilos, e pela habilidade técnica e expressiva dos membros, especialmente Michele Zarrillo

Musicalmente, o álbum é uma mistura de hard prog, rock clássico e momentos intimistas. Michele Zarrillo, tanto na guitarra quanto nos vocais, mostrou sua habilidade em interpretar as complexidades emocionais e técnicas das músicas. Faixas como La Bottega del Rigattiere, Uno Zoo di Vetro e Per Una Strada Affollata destacam-se por sua riqueza sonora e estruturas bem elaboradas, mostrando a influência de bandas como Genesis

Apesar de algumas críticas à voz ainda imatura de Michele, influenciada por Nico di Palo e Pino Ballarini, o impacto geral do som é consistente e impressionante. Dedicato a Frazz, embora complexo e não facilmente digerível, foi aclamado como uma pequena joia e um dos melhores álbuns do Progressive Italiano. Infelizmente, a banda se desfez em 1974, antes de completar um segundo álbum. Michele Zarrillo, posteriormente, seguiu uma bem-sucedida carreira solo, conhecido especialmente por sua participação no Festival de Sanremo desde os anos 80.

Em 2017 a banda se reuniu para uma performance ao vivo em Gênova, 44 anos do lançamento do álbum, apresentando o álbum inteiro com a adição de partes faladas narradas por Giampiero Artegiani, que introduzia cada faixa, criando uma atmosfera emocional. A banda mostrou uma grande energia e vigor com uma performance realmente emocionante, terminando o show com uma nova música “Morire per Guarire”, com a parte da narração por Giampiero Artegiani “La Fine non Esiste”. No CD/streaming, há outra nova música chamada “Mille Universi” que retorna ao mundo progressivo uma banda grandiosa e inspirada.

Infelizmente, este é o último concerto com Maurizio Zarrillo, que faleceu 2 meses após o show, um pouco antes da banda se apresentar no Japão para promover o trabalho ao vivo da banda.

Para quem desconhecia a existência da banda ou deste álbum específico, recomendo a sua audição e tenha a chance de se extasiar com este notável trabalho, um testemunho da habilidade e paixão dos jovens músicos dos Semiramis.

Fontes utilizadas

Um agradecimento especial ao meu amigo Luis Fernado Brod

Autor

  • Julio Mauro

    Júlio César Mauro é aquele típico nerd e pai de duas meninas, que tem seu jeito único – um pouco rabugento e com TDA. Não deu certo na música, mas encontrou seu caminho na TI, onde está há uns 26 anos. O cara é conhecido por não ter papas na língua e por um senso de humor bem afiado, que nem todo mundo entende. Já rolou até uma fase de co-apresentador no programa Gazeta Games na Rádio Gazeta de São Paulo, mostrando seu lado gamer. E, claro, a música? Continua sendo uma das suas grandes paixões.

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