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Carlinhos Carneiro emocionou público na celebração de 25 anos de Bidê ou Balde

Antes de qualquer coisa, preciso confessar aqui uma particularidade musical, não era um assíduo fã da Bidê Ou Balde nos seus tempos áureos, especialmente na fase dos álbuns Se Sexo é O Que Importa, Só o Rock é Sobre Amor de 2000 e Outubro Ou Nada de 2002. Ambos lançados pelo extinto selo Antídoto que colocaram na roda diversas bandas nos anos 90 e 2000, grupos esse que agitaram a cena do rock brasileiro como a própria Bidê, Tequila Baby, Acústicos e Valvulados, Reação em Cadeia, Júpiter Maçã, Maria do Relento, Rosa Tattooada, entre outros de uma lista que vai longe.

Nessa época, estava ouvindo no som punk da Tequila Baby e ao mesmo tempo mergulhando em mares profundos das sonoridades setentistas do nosso rock quando a Bidê Ou Balde estava no seu auge. Nesse período, eu estava com meus 15 anos, buscando saber dos sons dos anos 70 e muito vidrado nos elementos Zeppelianos, Stonianos e The Whoianos, aqueles poderosos acordes que davam uma cozinha rítmica inigualável para os espetaculares solos de guitarra que não deixavam o meu sono em sua total tranquilidade, cada dia mais queria mais destes sons.

Os anos se passaram, e exatamente 25 anos depois estou aqui, em meio a discos de diversas bandas, de vários estilos, benefícios da maturidade que abriu minha mente para espaços auditivos musicais diversos, entre eles, a própria Bidê. Entendo o conceito sonoro da banda, a cada álbum que escuto, me transmite uma diversidade de sons em meio a letras inteligentíssimas que expressam a rotina do jovem brasileiro, marcados de festas e amores, numa linha roqueira dançante e cativante, que formam um casamento musical perfeito para um público jovem dos anos 2000 como eu, ou para os jovens dos tempos atuais em uma cultura extremamente digitalizada utilizando spotify, enquanto alguns como eu, escutamos na íntegra os materiais em mídia física.

Estes elementos que conectam, permitiu a banda, conquistar muitos jovens e adultos não só no Rio Grande Do Sul, mas, em todo Brasil, percorrendo em diversos festivais, chegando em algum momento ao mainstream e conseguindo participar do Acústico MTV. Um álbum histórico que marcou os anos 2000 que retrata a fase áurea das bandas do Rio Grande do Sul e ilustrava como o estado sulista era o segundo polo roqueiro do país, perdendo apenas para o SP. Sim, nesta década, era um mercado muito forte, quase que auto sustentável, e a Bidê Ou Balde foi uma destas grandes forças.

Fiquei mais velho, me tornei um admirador da obra da Bidê, meu álbum favorito, por incrível que pareça, não é o primeiro e o segundo álbum, embora estes, eu os adore. Mas o predileto da casa da discografia da banda é Gilgongo! ou, a Última Transmissão da Rádio Ducher, uma ópera rock que na minha visão é subestimado! Poucos falam deste disco, com uma temática voltada para programa de rádio, como se estivéssemos ouvindo um programa e ali tocassem as canções. É uma viagem sonora muito bacana que a banda nos apresenta em cada faixa, comandada pela diva gaúcha da rádio, Kátia Suman, recomendo fortemente vocês ouvirem na íntegra.

O dia do show dos 25 anos de Bidê Ou Balde

Há 6 meses, o Carlinhos Carneiro anunciou o show para celebrar os 25 anos da Bidê Ou Balde, estes mesmos anos que a pessoa que vos escreve, envelheceu e passou a aprender e apreciar a obra, que nunca tinha visto um show da banda, e que agora teve a chance de poder vivenciar as canções que marcaram a história da nossa música!

Chegou o dia 02.12 como anunciado, meses repletos de materiais que o Carlinhos Carneiro promoveu em seu perfil na rede social com mais de 20 mil seguidores. Para um artista da cena underground brasileiro (o rock virou underground há muitos anos), é uma marca forte, ele está por dentro das novas tendências da indústria, fica claro que não parou no tempo, diferente de muitos artistas de sua geração que ficaram para trás, que acham que o marketing musical na era digital é conversa fiada. Ele trabalhou arduamente promovendo o show com diversos modelos interativos, engajando o seu público, me chamou muita atenção a forma e o cuidado que ele teve para levar as pessoas ao evento, sob visão e parceria do seu braço direito, o Bretanha, da Bretanha Produções.

Por volta das 22h30 eu estava chegando ao Bar Opinião, me deparei com a fila quilométrica fazendo volta na quadra da casa de shows, todo o povo era para ver o Carlinhos em ação, foi uma imagem magnífica, centenas de pessoas lotando para presenciar a celebração que estava prometendo presenças especiais, como os ex-parceiros de Bidê, Kátia Aguiar, Gi Deneuve, Pedro Hahn e Rodrigo Pilla, certamente, fortes emoções estavam sendo guardadas para compartilhar no palco!

Apesar do show estar marcado para as 23h, ele foi realmente começar a 01h, talvez o ponto baixo desta noite. Mas vamos dar um desconto, afinal, não era um show comum, além de ser um sábado a noite, todos estavam ali para celebrar junto com Carlinhos os 25 anos dessa banda tão importante para o cenários gaúcho do início do século. Vale apontar ainda que tínhamos como DJs Malásia e Luiza Pads que levaram com maestria enquanto a banda não entrava, claro, o publico deu uma chiada enquanto as horas avançavam.

Nada como uma entrada triunfal de Carlinhos no palco sob 1000 watts de potência, nesse momento a aborrecimento da demora sumiu instantaneamente, e sem deixar as pessoas pensarem muito, a banda mandou o clássico “É Preciso Dar Vazão Aos Sentimentos”, do álbum , que leva o mesmo nome, que completará 20 anos, em 2024.

Seguindo com outro megahit “Microondas”, que marcou a presença da querida Kátia Aguiar, cheio de estilo em seus teclados com sonoridade sessentista que temperou o som da banda com as vertentes jovem guarda. Sempre achei ela um charme dentro da Bidê, uma espécie de Meg White do The White Stripes, sabe? Não é uma instrumentista virtuose, mas apresenta uma pegada sonora, uma verdade e uma atitude.

O cantor focou nos dois primeiros álbuns, sem muito variar os discos seguintes, exceto o “Vasão…”, senti falta dos outros álbuns, ele não queria inventar muito, partiu para ganhar de vez a galera, como diz o ditado: “em time que está ganhando não se mexe”. Os dois primeiros grandes álbuns é uma cartada para trazer o público em suas mãos!

A banda de apoio muito competentemente é composto pelos músicos Pedro Petracco na Guitarra, Lucas Juswiak no baixo, Guilherme Schwertner na bateria, Maurício Chaise na guitarra, Valmor Pedretti nos teclados e Sassá na percussão. Todos eles com grande bagagem em bandas do cenário brasileiro, e fizeram muito bem a cozinha rítmica dando nova vida nas canções da Bide.

Todos eles estavam vestidos no estilo clássico que consagrou a banda, ternos chiques e modernos, exceto o tecladista Valmor com seu uniforme azul esportivo e uma máscara dos tempos dos personagens japoneses a lá Jaspion, criando um certo mistério entre o público presente por não mostrar seu rosto no show.

“Gerson” é outro clássico do álbum de estreia Se Sexo…, o disco é quase uma coletânea, um petardo atrás do outro, tanto que o público berrava de forma uníssona cada letra cantada pelo Carlinhos, que está melhor do que nunca. Segundo o próprio em um papo fiz em Fevereiro de 2023 ao meu canal “Na Ponta Da Agulha“, ele parou de beber, e isso refletiu em uma grande melhora vocal, tornando a voz mais potente, é nítido em várias canções quando ele canta em tons mais altos, é bom de ver artistas como ele envelhecendo e performando ainda melhor do que no passado.

O setlist foi recheado de clássicos e alguns lado b como “O Antipático”, do álbum Outubro…, surpresas como a presença do Gabriel Thomaz, cantando e tocando a enérgica “A-ha” do mesmo álbum, e uma canção do Autoramas, a belíssima balada sessentista “Copersucar” de 2001, dividindo os vocais com a Kátia Aguiar, momento muito bacana repleta de sinergia dos dois, pareciam que tocavam juntos há anos.

A cada música que passava, as emoções no público se permeavam em seus rostos suados marcados pelo intenso calor que predominava na casa, reflexos da chuva de sábado que acabou abafando o clima do dia e influenciando o ambiente interno no show, absolutamente nada tirava a atenção de cada um presente nessa noite, pessoas abraçadas uns aos outros, muitos desconhecidos, mas sem se importar se conheciam ou não. Todos na mesma conexão musical e social, compartilhando momentos vivenciados e marcados pelas canções da Bidê Ou Balde, isso ilustra o poder de sua obra de presença tão intensa na vida de centenas de pessoas. Muitas destas, jovens de 15 a 18 anos, influenciados pelos pais ou pela internet através da nova geração de pesquisadores e jornalistas de música que reverenciam a obra da banda. Esse aliás, foi um dos maiores fatores positivos da noite, os anos passaram, os álbuns envelheceram muito bem, o público se renovou naturalmente com o passar do tempo, a banda continua muito relevante no cenário rock brasileiro, talvez mais do que o próprio fundador da banda, o Carlinhos, pudesse imaginar.

Todos em plena sintonia, se divertindo, transmitindo uma grande sensação, como se a Bidê Ou Balde nunca tivesse parado suas atividades, a raiz musical, a química presencial no palco, está muito presente e não se perdeu ao passar dos anos.

No final do show, sobraram muitas lágrimas percorridas nos corações como o maior clássico “Mesmo que Mude” com a presença do guitarrista Rodrigo Pilla, co-autor de boa parte das canções junto com o Carlinhos, este clássico é um grande exemplo, uma letra lindíssima de relação amoroso que todos se identificam com ela, eu, inclusive, no final, o cantor deixou o seu recado:

” É sempre amor, mesmo que acabe. A Bide, nunca acabou, nunca brigamos, em breve, iremos voltar, é sempre amor!”

Banda Reunida. Foto: Cássio Toledo

E obviamente, não podia faltar “Melissa”, com direito uma foto da moça, musa influenciadora da canção que lançou a banda pra todo o Brasil, com direito a videoclipe vencedora do prêmio VMB de “banda revelação”, desbancando O SURTO e KLB (amém!).

Voltei para casa com a sensação que a banda tem lenha pra queimar, caso os integrantes quiserem, tem algo a compartilhar com seu público que não é pequeno, para uma banda que não é mainstream a nível Brasil, tem que ser valorizada e respeitada, e também, em nosso país. O Carlinhos é um dos nomes forte da cena alternativa, um nome que consegue levar 1000, 1500 pessoas numa só noite, qualquer grande artista no nível dele que não consegue fazer números expressivos, adoraria estar vivendo no lugar que o cantor está vivendo, ele está em grande momento em sua carreira solo, com sua banda Império da Lã e vários outros projetos, como o sensacional “Baita Troço”, todo mês, bandas novas convocadas pelo próprio para apresentar seus trabalhos. Sim, é um agitador da cena, além de tudo isso.

Como a própria banda fala “É preciso Dar Vasão Aos Sentimentos”, que assim, vamos nos permitindo!

Setlist:

É Preciso Dar Vasão Aos Sentimentos
Microondas
Gerson
Adoro Quando Chove
Matelassê
Buddy Holly
Tudo Bem
Cores Bonitas
O Antipático
Soninho
Bromélias
Aeroporto
A-há
Copersucar
Dulci
Vamos Passar a Noite de Galera
Spaceball
Melissa
Fazer Tudo a Pé
Lucinha
Me Deixa Desafinar
Mesmo que Mude
A lá Minuta
K-7

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