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The Exploited em Sydney: mais de 4 décadas mantendo a mesma agressividade

O The Exploited não carrega a célebre frase “Punk’s Not Dead” aos seus longos 45 anos de atividade em vão.

A banda Escocesa liderada pelo icônico Wattie Buchan fez o punk respirar no início dos anos 80, com seu primeiro álbum de estréia Punks Not Dead (1981).

O início dos anos 80 marcaram a explosão do pós punk – numa época onde cada ano correspondia a 5 anos – o punk já soava niilista demais e esteticamente agressivo pra tocar em rádios quando o new wave eclodiu.

Bandas do inicio do pós punk como Wire, Gang Of Four e Public Image Ltd. e do primeiro estouro da New Wave como DEVO, Talking Heads e New Order tiveram sua estética muito mais aceita e flertaram apaixonadamente com o mainstream, outras como Blondie e The Police chegaram inclusive a alcançar o topo da Billboard. 

O Punk definitivamente precisava ressurgir e respirar novamente, mais agressivo e direto que no final da década anterior.

Eis que surge o The Exploited com  Punk’s Not Dead, a segunda onda do punk britânico e sua nova estética consolidando algumas vertentes como o hardcore, oi!, skinhead punk, street punk e até mesmo o crossover, este último, lá no início dos anos 90 com o álbum onde inclusive também flertaram com algumas influências do thrash metal.

Passados 45 anos após este acontecimento, e diante de uma preocupação que assola todos que gostam de música pesada, de que o rock e suas vertentes estão morrendo e que não haverá mais futuro para guitarras distorcidas e pedais duplos, em pleno 2023, eu me encontro diante de uma cena punk que ainda respira – talvez com alguns pulmões danificados, é bem verdade – e de uma geração que ainda que tímida, se renova!

Uma cena que ainda se renova

Transitando em meio a punks da cena antiga de Sydney, ostentando seus moicanos coloridos e de camisetas do Turnstile usadas por seus filhos, a geração antiga consegue se enxergar na nova como uma espécie em extinção que merece ser cultivada para quem sabe poder gerar novos frutos de contestação e rebeldia.

O show aconteceu em uma casa tradicional da cena punk e metal da capital australiana (onde vi um show brutal do Napalm Death, cerca de dois meses antes), lotada por um público ansioso que teve adiado em mais de três anos um show que era pra ter acontecido em 2020 antes do mundo parar. 

Wattie Buchan, atualmente um senhor de 66 anos, já não é mais o mesmo devido aos excessos ao longo de sua trajetória, fora hospitalizado dias antes, após o show em Adelaide, cidade ao Sul da Austrália, com suspeita de infarto.

Incorporado pelo espirito do it yourself, Wattie mostrou potência vocal, vigor e raiva ao cantar suas letras viscerais ao longo de quase uma hora e meia de apresentação. O The Exploited está na sua melhor formação musical (opinião minha, é verdade). Wullie Buchan, irmão de Wattie, na banda desde 1982, é responsável pela batida hardcore característica do Exploited. Combinado com a guitarra crossover de Steve Campbel, o membro mais novo na banda, desde 2020, com visíveis influências do thrash metal, trazendo experiência com o espírito de entusiasmo de quem está dividindo o palco com suas referências e o timbre de baixo agressivo e peculiar de Irish Rob, uma figura imensamente carismática, responsável pelas palhaçadas e ironia mais amena combinada com as piadas ríspidas e ácidas de Wattie – porém, não menos engraçadas. 

Setlist Impecável

O setlist contou com as músicas clássicas do repertório da banda, feito para o público,  entoadas pela plateia como verdadeiros hinos, Iniciando de cara com a  brutal  “Let’s Start a War” , em um moshpit  insano sintetizando a energia e euforia do público que lotava o Factory Theatre, banda e público estavam definitivamente conectados pela raiva de Wattie Buchan,  “Noize Annoys”, “Fuck The System”, “Chaos Is My LIfe” vieram na sequência.

A Apresentação obviamente contou com as famigeradas e clássicas “Beat The Bastards”, “Punk’s Not Dead”, “Sex And Violence”, “Cop Cars” e terminando com “(Fuck The) U.S.A”, um show muito honesto, mandou sua mensagem, mostrando que ainda é possível todos acreditarmos que o ‘faça você mesmo’ ainda ressoa na cabeça e no coração de muita gente que se move pelo inconformismo, pela revolta com quem destrói tudo ao nosso redor  motivado pelo simples prazer de controlar e manipular nossos desejos, nossos gostos e nosso comportamento.

O Punk está muito longe de morrer, o estilo de vida, o comportamento, a estética,  a forma de enxergar o mundo vão muito além de um padrão musical enlatado, pasteurizado e comercializado de forma quase descartável como vemos hoje em dia nas grandes mídias e nas prateleiras digitais.

Eles ainda acreditam.

“Punk’s not dead, Oh no, it’s not!”

Autor

5 respostas para “The Exploited em Sydney: mais de 4 décadas mantendo a mesma agressividade”

  1. Avatar de Diogo
    Diogo

    Sabe muito Afonso! Belo texto irmão. 🤘🏼🤘🏼

    1. Avatar de Afonso Scherer
      Afonso Scherer

      Obrigado pela leitura, Diogo! será sempre bem-vindo em todas as leituras!

      Abraços!

  2. Avatar de Vanessa Aquino
    Vanessa Aquino

    Belo texto!!

    1. Avatar de Afonso Scherer
      Afonso Scherer

      Obrigado pela leitura, Vanessa! Teu apoio é muito importante!
      Teremos muitos outros textos bem legais!

  3. Avatar de FELIPE ARNT
    FELIPE ARNT

    Porra, muito bom o texto, mano! Seguimos resistindo, todos. Hoje, depois de mais 20 anos de estrada na música, formei uma banda punk, a Lençol de Mosca, pra trazer de volta a cultura de tocar covers (sem deixar as próprias de lado, claro). E entre esses covers está “S.P.G.” e “Dead Cities” do The Exploited. Pois o cover é uma forma de homenagear nossas influências. Forte abraço!

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