Rodrigo Santos lança álbum cantando Nelson Motta com várias participações especiais
Como dizia Johnny Alf, o inesperado fez uma surpresa: Rodrigo Santos, que eu só conhecia do Barão Vermelho, baixista roqueiro raiz, me diz que queria gravar um disco inteiro com novas interpretações de meus rocks e baladas com Lulu Santos, Erasmo Carlos, Rita Lee e outros parceiros, e a participação de convidados. Adorei a ideia, recebi como uma baita homenagem, um presentão pelos meus 60 anos de música. Obrigado, amigos.
No maior entusiasmo, começamos a trabalhar na escolha das músicas e dos convidados. E logo ampliamos o repertório para além dos rocks como “Perigosa” (em dueto com o encantador Chico Chico, e a guitarra de Andy Summers), “Areias escaldantes” (que parece ter sido feita para João Penca & e seus Miquinhos Amestrados) e “Vênus e Marte” (uma das últimas músicas de Erasmo, com vibrante participação de Roberto Frejat), para baladas bacanas, techno bossa, disco samba, reggaes maneiros, com as que considero minhas melhores músicas. Todas receberam um trato especial com arranjos e levadas muito diferentes das versões originais nas interpretações de Rodrigo e amigos.
E assim, Rodrigo renovou rockzinhos maneiros como “Garota dourada”, com participação de Rodrigo Suricato, e “Sereia”, em um dueto com a elegância suave de Léo Jaime, que receberam um tempero jamaicano com levadas espertas de reggae e dancehall. E “De repente California” teve uma participação maneiríssima de Rogério Flausino.
Rodrigo resgatou rocks brabos com Lulu, como “Palestina”, uma novela de espionagem de 1982, que ficou pesadíssima com a voz de trovão e o estilo de “Big Mama” Sandra de Sá. E a pouco conhecida, mas excelente música de Lulu, “De repente”, de 1984, ganhou o estilo moderno de Sérgio Britto.
“Ladeira” é uma heavy MPB em parceria com Rogério Flausino e P. Jota, gravada pelo Jota Quest, em uma nova versão bem pesada e suingada, com riffs poderosos e participação vigorosa de Ivo Meireles.
E, quem diria, o hino disco “Dancin Days” explodiu como um samba funk com Fernanda Abreu e uma bateria de escola de samba.
É surpreendente e emocionante ouvir a mil vezes cantada por todo mundo, “Como uma onda”, ganhando novos brilhos e nuances e a suavidade calorosa de Paula Toller.
E ouvir uma nova leitura de minha música favorita, que considero a melhor, “Certas coisas”, em uma versão densa e dramática em dueto com Moska.
Outra surpresa que não poderia ser melhor foi ouvir o grande mestre Luis Caldas numa versão country-nordestina empolgante do nosso hit “Tudo azul”, um rock-baião com Lulu, 1983.
A techno-bossa “Coisas do Brasil”, com Guilherme Arantes, 1986, não poderia ter convidada mais adequada que Fernanda Takai, com sua suavidade e sensibilidade tão bossa nova, tão rock and roll e sempre moderna.
“Noturno carioca”, com Erasmo, é uma das minhas cinco parcerias favoritas em letra e música, em um dueto de Rodrigo e Leila Pinheiro, com vozes em perfeita harmonia, expressando o clima de paz, amor e plenitude de um momento.
E, surpresa das surpresas, meu hino romântico “Bem que se quis”, em uma levada mais suingada, em um dueto de Rodrigo com o sempre brilhante e ultra estiloso Lobão, totalmente rock and roll.
Texto de Nelson Mota – Via Piky Comunicação









