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“Rubber Soul” entrega nova vista na transformação dos Beatles

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Rubber Soul - The Beatles Foto: Reprodução
Foto: Rubber Soul – The Beatles Foto: Reprodução

Rubber Soul foi lançado em 1965 e continua surpreendendo. Um dos álbuns queridinhos dos Beatles ganha nova edição especial que permite aos ouvintes voltar às sessões de um dos momentos mais importantes da banda.

Lançado originalmente em 1965, o sexto álbum de estúdio agora chega com novos mixes, gravações inéditas, demos e versões alternativas.

O projeto traz uma atualização sonora, ampliando-se com registros que mostram como John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr trabalharam para transformar as primeiras ideias em clássicos.

Dado como um dos maiores momentos de mudanças do grupo, que já eram rodeados de rotina intensa de shows, filmes e gravações, em Rubber Soul é visto o aproveitamento do estúdio para o processo criativo.

Com sessões ocorridas em outubro e novembro de 1965, o álbum é um belo ponta pé que viria a ser aperfeiçoado em Revolver, lançado no ano seguinte.

Rubber Soul recebeu um novo mix estéreo a partir das fitas originais de quatro canais, utilizando recursos de separação de elementos das gravações, podendo reorganizar vozes e instrumentos com maior precisão. Contudo, a noxa mixagem é apenas uma parte deste presente. O material adicional é o que transforma o relançamento em uma oportunidade de saber o que e como rolava as sessões.

Com 24 gravações de sessões, entre elas 20 takes inéditos e três demos caseiras, o repertório traz diferentes momentos para Norwegian Wood (This Bird Has Flown), Nowhere Man, I’m Looking Through You, Drive My Car, In My Life e Michelle.

Enquanto algumas apresentam mudanças de arranjos, outras trazem interpretações diferentes das que se tornaram conhecidas.

Norwegian Wood, por exemplo, traz diferentes estágios antes da chegada de Harrison com a sitar, instrumento que deixou uma das características mais particulares do álbum, além do interesse do guitarrista pela música indiana.

Nowhere Man e In My Life também ganha novas dimensões a partir das gravações, junto com uma gravação de Day Tripper, onde Lennon e McCartney desenvolvem a composição, sendo um dos momentos mais informais do processo criativo da dupla.

A cereja vai para Little Girl, uma demo de Lennon que permaneceu inédita até então, mostrando que Rubber Soul guardava mais material do que o repertório oficial. E é fantástica!

Além de tudo isso, a edição traz a versão americana do álbum, apresentando 12 faixas, enquanto a britânica vinha com 14, onde Drive My Car, Nowhere Man e If I Need Someone ficaram de fora, tendo I’ve Just Seen A Face e It’s Only Love, originalmente lançadas em Help!.

A inclusão serve para preservar o lance de que os discos da banda não chegavam aos Estados Unidos com a mesma sequêcncia das versões britânicas.

E para quem quer mais, Rubber Soul Super Deluxe vem com a mixagem mono original, onde pode-se ouvir e comparar as decisões de produção e perceber a experiência mudando de acordo com a mixagem.

Deste modo, só podemos celebrar, ouvir e matar as saudades do Fab Four, além de rever a sua evolução de uma estrutura pop que experimenta novas sonoridades e abordagens, passeando livremente pelo folk, soul e música indiana de modo sofisticado e com gigantesca maturidade.

Os Beatles se mostravam cada vez mais interessados em ampliar seus limites, como visto em Norwegian Wood, In My Life e Nowhere Man, enquanto Drive My Car e Think For Youself deixam claro que ainda havia a ligação com o pop e o rock.

E além de tudo, a experimentação, erros, modificações e testes no material inédito só nos faz se aproximar mais da banda. Um documento de criação que, graças aos envolvidos, não ficou guardado. E sabemos que Rubber Soul tem muito material, mas há os bootlegs pela internet que podemos nos aventurar.

Rubber Soul é um retrato de transformação e sua nova edição só acrescenta de modo sublime outras imagens a esse retrato, mostrando que ainda havia espaço para descobrir novos detalhes.

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