Steven Wilson criou regras para evitar o “prog baunilha” em “Requiem For A Village”
Resumo
- ▪ Steven Wilson criou regras para a banda evitar o "prog baunilha" em "Requiem For A Village", seu nono álbum solo.
- ▪ Uma das regras proibia o guitarrista Randy de afinar a guitarra se ela desafinasse de um dia para o outro.
- ▪ O disco tem Andy Partridge e David Tennant, e Wilson fala em uma possível continuação com o conceito do vilarejo.
Antes de gravar “Requiem For A Village”, Steven Wilson escreveu uma lista de regras para a banda. O objetivo era simples: impedir que o disco soasse como o que ele chama de “prog baunilha”. O resultado é seu nono álbum solo, que conta com participações de Andy Partridge, do XTC, e do ator David Tennant.
A virada vem na sequência de “The Overview”. Em fevereiro, ele contou à Prog que queria permanecer no terreno conceitual e de grande escala, mas voltando a um vocabulário musical mais peculiar. “Estou muito interessado em manter as pequenas esquisitices e imperfeições”, disse. Numa entrevista mais recente, afirmou que o disco tem “momentos em que harmonias, intervalos e notas surgem de um jeito que a maioria dos músicos treinados acharia ofensivo, e eu adoro essa ideia”.
Ao programa Now Spinning, Wilson detalhou a primeira regra: abraçar a dissonância e aceitar instrumentos desafinados. Com o guitarrista Randy, o combinado era tocar a guitarra do jeito que ela estivesse. “Se chegarmos ao estúdio de manhã e a guitarra tiver desafinado, você não pode afinar.”
Ele admite que a maioria dos guitarristas sairia furiosa ao ouvir isso. “Mas acho que o Randy entendeu”, diz.
A segunda regra foi tocar instrumentos que ele normalmente não toca, ou que nem sabe tocar, abordando-os como uma criança faria. “O que uma criança faz diante de um piano? Só faz barulho!”, comparou. Segundo ele, há muito disso no disco: toca violino (“não sei tocar violino, mas achei algo interessante para fazer”), bateria e oboé. Wilson resume o método como aquela ideia de Brian Eno de abraçar limitações, imperfeições e o inesperado.
O músico também deixa claro que não quer fazer o que esperam dele. “Sempre vai existir um mercado para o que se pode chamar de ‘prog rock baunilha'”, afirma, citando bandas que fazem discos que o Genesis poderia ter feito em 1973. Ele diz não querer ser condescendente com isso e lembra que fez um disco assim com “The Raven”, sua homenagem a um álbum de prog dos anos 70. Mas foi algo pontual. Seu interesse agora é criar uma paleta e um vocabulário próprios, combinados de forma orgânica, sem soar como uma colcha de retalhos.
Wilson reconhece que, ao descrever o disco, é fácil imaginar uma mistura caótica de gêneros que não combinam. Para ele, não é nada disso: “Parece um disco do Steven Wilson, pelo menos espero que sim.” E completa: “Não estou juntando essas coisas de forma forçada, eu simplesmente gosto delas e acho interessante juntá-las, sem pensar demais.”
O álbum começou como obra isolada, mas ele já conversou com Andy sobre uma possível continuação “no melhor estilo prog rock”. Para Wilson, o conceito do vilarejo criou um mundo fascinante, com potencial para mais histórias. “Requiem For A Village” já está disponível.
Quem acompanha a carreira de Wilson sabe que ele raramente fica parado. O músico já indicou a possibilidade de um novo álbum do Porcupine Tree e confirmou que o segundo álbum do Storm Corrosion está em andamento, o que mostra um artista dividido entre projetos bem diferentes entre si.


