Tom Petty escreveu “Wildflowers” em cerca de três minutos e a canção passou de 200 milhões de execuções
Resumo
- ▪ Tom Petty teria escrito a faixa "Wildflowers" em cerca de três minutos e meio, de uma só vez.
- ▪ Ele gravou a canção num gravador de fita e nunca mais a tocou, desconfiando que tudo tinha vindo fácil demais.
- ▪ O álbum teve produção de Rick Rubin, que lembra Petty meio assustado com a qualidade das músicas.
Não existe fórmula para explicar por que Tom Petty escrevia tão bem. Ele não tentava reinventar a roda a cada clássico. Seu método era estar no lugar certo, na hora certa, quando a inspiração aparecia, e tentar registrar aquele instante sempre que entrava no estúdio.
Nem sempre funcionava. Quando um disco emperrava, o trabalho era árduo. Mas algumas canções chegavam sem esforço, assim que ele começava a dedilhar o violão. É um pouco como pescar: na maior parte do tempo nada fisga, mas quem tem paciência para notar a nota que se destaca costuma ser recompensado, seja com o riff de “Refugee” ou com a levada inicial de “Don’t Do Me Like That”.
Petty também contava com a ajuda dos Heartbreakers, mas houve casos em que a música parecia tão boa que ele quase não queria assumir a autoria. “Southern Accents” é uma das mais belas que ele fez e, sobre o tempo que dedicou a ela, ele admitiu haver algo quase divino na maneira como a canção tomou forma.
Mesmo depois de mais de uma década de carreira, ele escreveu os maiores sucessos no fim dos anos 1980. “Full Moon Fever” rendeu um de seus maiores hits, com a parceria de Jeff Lynne. Em seguida, ao reunir a banda de novo, nasceu “Wildflowers”, um dos melhores discos dos Heartbreakers que os Heartbreakers não gravaram exatamente. Todos os integrantes, com exceção de Stan Lynch, contribuíram de algum modo, mas Petty sabia bem o que queria do projeto.
As músicas vinham mais rápido do que ele conseguia processar. Quando começou a esboçar canções para o álbum, a faixa-título surgiu em menos tempo do que você levou para ler boa parte deste texto.
Tudo aconteceu em menos de cinco minutos, sem necessidade de edição. Segundo o próprio Petty, em entrevista: “Só respirei fundo e saiu. A música inteira. Fluxo de consciência: letra, melodia, acordes. Terminei. Toquei num gravador de fita, toquei a música toda e nunca mais toquei. Gastei só três minutos e meio nela. Voltei por dias ouvindo aquela fita, achando que tinha algo errado, porque tinha vindo fácil demais. Aí percebi que provavelmente não havia nada errado.”
A versão gravada mantém essa sensação, mas o status de clássico também se deve ao trabalho de Petty e Rick Rubin nos bastidores. A faixa soa como uma canção acústica tradicional, porém, olhando as camadas por trás, lembra uma pequena sinfonia de elementos que se encaixam numa canção doce, sobre desejar o melhor a alguém.
Nem todo compositor consegue captar algo assim, e o fato de Petty ter conseguido foi o que o deixou assustado. Ninguém fazia algo tão bom tão depressa. Ao terminar o álbum, até Rubin lembrava de vê-lo meio desconcertado com a qualidade das músicas.