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Tony Iommi relembra experiência “estranha” ao gravar “13”, do Black Sabbath, com Rick Rubin

5 min de leitura
Tony Iommi
Tony Iommi — Foto: Ross Halfin
Resumo
  • ▪ Tony Iommi chamou de estranha a gravação de "13" com Rick Rubin, que falava só com ele e não com o resto da banda.
  • ▪ Iommi contou que Rubin pediu uma música no estilo de "Planet Caravan" na sexta para gravar na segunda, sem avisar os outros.
  • ▪ "13" foi lançado em 2013, sem Bill Ward, e rendeu ao Black Sabbath seu primeiro número 1 na Billboard.

Tony Iommi, guitarrista do Black Sabbath, voltou a falar sobre os bastidores de “13”, último álbum da banda, produzido por Rick Rubin. Em entrevista a Ian Danter, da Planet Rock, ele descreveu a situação como desconfortável.

Lançado em 2013 “13” foi o primeiro disco do Sabbath em 35 anos com Iommi, o baixista Geezer Butler e o vocalista Ozzy Osbourne.

Iommi contou que a banda não teve tempo de absorver o que havia feito. “No nosso último álbum do Sabbath, o que fizemos com o Rick Rubin, não tivemos tempo de absorver o que tínhamos feito. Porque o Rick não falava com os outros. Ele falava comigo e eu tinha que contar a eles. Não sei o que aconteceu ali”, disse.

Ele lembrou de um episódio que, segundo ele, resume o processo. A banda estava em Los Angeles e Iommi voltou para casa no fim de semana de folga. Na sexta-feira, Rubin ligou e pediu uma música no estilo de “Planet Caravan” para gravar na segunda.

“Eu fui trabalhando nessa ideia e ele disse: ‘Podemos gravar na segunda.’ Mas ninguém mais [no Black Sabbath] sabia”, contou. Na segunda, Rubin anunciou que gravariam a faixa, e Geezer perguntou de que música se tratava. “Ele disse: ‘Não sei nem o que é. Não sei qual é o tom.’ Foi mais ou menos isso que aconteceu, e acabamos gravando. Mas foi uma situação muito estranha”, resumiu Iommi.

“13” não contou com o baterista original Bill Ward, devido a um impasse nas negociações contratuais. Ele participou inicialmente da reunião da formação original em 2011, mas saiu no início de 2012, chamando a proposta de “contrato impossível de assinar”, que não refletia suas contribuições à banda. Brad Wilk, do Rage Against the Machine, gravou as baterias do disco. Ao vivo, o grupo usou Tommy Clufetos, baterista da turnê solo de Ozzy.

O álbum chegou ao topo da parada Billboard em junho de 2013, o primeiro número 1 do Black Sabbath nos Estados Unidos. No Reino Unido, também estreou em primeiro lugar, 43 anos depois de “Paranoid” liderar a parada, em outubro de 1970.

Outras opiniões sobre o disco

Em entrevista de 2022 à Stereogum, Ozzy disse que não sentiu muito entusiasmo com o álbum. “Para ser bem sincero, eu não senti empolgação com o disco. Embora o Rick Rubin seja um bom amigo meu, eu estava só cantando”, afirmou. Ele disse ainda que seu maior arrependimento era a ausência de Bill Ward e que “13” não foi gravado como o Sabbath gravava seus discos.

Em abril de 2022, Geezer Butler comentou o trabalho de Rubin no programa “Trunk Nation With Eddie Trunk”, da SiriusXM. “Algumas coisas eu gostei, outras não particularmente. Foi uma experiência estranha, principalmente por ouvir que deveríamos esquecer que somos uma banda de heavy metal”, disse. Segundo ele, Rubin pediu que o grupo imaginasse que o disco era o sucessor do primeiro álbum, de quando o heavy metal não existia. Geezer também contou que Rubin fez Iommi usar amplificadores de 1968. No documentário oficial sobre o disco, porém, o baixista foi mais elogioso e disse que Rubin “tem um ótimo currículo” e boas ideias.

Em 2013, em entrevista à revista Guitar Player, Iommi disse que o trabalho foi bom depois que a banda se acostumou com o produtor. Em 2021, à SPIN, ele brincou que aprendeu “a deitar no sofá com um microfone na mão e dizer ‘Próxima!'”. Rubin queria encontrar o som original do Sabbath e pediu os amplificadores antigos de Iommi, que já não existiam mais. No estúdio, o guitarrista encontrou 20 amplificadores vintage e não gostou de nenhum.

Após o Sabbath recusar a sugestão de Rubin de substituir Ward por Ginger Baker (Cream), Rubin indicou Wilk. Ward anunciou em maio de 2012 que não participaria da gravação nem dos shows.

A formação original (Iommi, Ozzy, Ward e Butler) fez seu último show no Villa Park, em Birmingham, em 5 de julho de 2025, no evento beneficente “Back To The Beginning”. Ozzy morreu em 22 de julho de 2025, aos 76 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

Autor

  • Marcelo Scherer

    Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate da cultura física como host do podcast e newsletter Papo de Colecionador, dedicado a LPs e CDs. Além de assinar resenhas críticas no site, expande o debate musical no comando dos programas Disconecta na Rádio na Fm Cultura 107,7 de Porto Alegre/RS e Pôr do Som na Sintonia Fm 94.7 de Torres/RS.

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