Alice Cooper diz que não lembra de gravar três álbuns durante vício em crack
Resumo
- ▪ Alice Cooper disse não lembrar de escrever, gravar ou excursionar com três álbuns feitos durante o vício em crack.
- ▪ A fala foi dada em 19 de outubro, em Glasgow, na turnê britânica do livro "Devil On My Shoulder".
- ▪ O livro de 464 páginas, lançado em 8 de outubro pela Ebury Spotlight, virou best-seller internacional.
Alice Cooper afirmou que não se recorda de ter escrito, gravado ou feito turnê de três discos durante o auge do vício em cocaína, no início dos anos 1980. A declaração foi dada em 19 de outubro, em Glasgow, na Escócia, durante a turnê britânica de lançamento do livro “Devil On My Shoulder”.
O evento, no Pavilion Theatre, teve o jornalista Billy Sloan como anfitrião convidado.
“Sempre cheirávamos um pouco de coca. Aí alguém apareceu e disse: ‘Sabe, se você fumar, não vicia’. E a gente: ‘Tá bom’. É a coisa mais viciante do planeta e tira a sua vida por completo”, contou. “Você sente aquela euforia, o corpo todo acelera e você tem certeza de que move montanhas, quando na verdade não consegue fazer nada. Escrevi três álbuns assim e não lembro de ter gravado. Não lembro de ter escrito. Não lembro de ter feito turnê com eles. Lembro de pedacinhos. Foi um período realmente assustador.”
Cooper disse que costuma ouvir a pergunta sobre o que mudaria no passado. Para ele, o período com álcool e cocaína o ensinou muito sobre si mesmo. Hoje, ao falar com adolescentes sobre drogas, ele diz que pode responder a quem duvida: “Eu me chapava com Jim Morrison, ok?”. A reação, segundo ele, costuma ser: “Quem?”.
O músico afirmou ainda que acredita que tudo aconteceu por um motivo. “Agora, 43 anos depois, nunca tive nem tentação de beber ou usar droga, e eu era o garoto-propaganda disso quando acontecia, o que considero um milagre dos tempos modernos”, disse. Ele contou que até o médico chamou o caso de “bíblico”, por ele não esconder nada pela casa.
Em entrevista ao USA Today, Alice explicou por que decidiu detalhar o vício agora: “Porque é só ser honesto. Se você morava em Los Angeles, a cocaína estava em todo lugar. Em alguns momentos era moeda. Tinha gente pagando conta com ela”. Ele disse que o crack é a substância mais viciante que já existiu e que a rotina básica “se desintegra”.
O cantor também falou sobre “fazer a pedra”, o processo de transformar cocaína em pó em crack. “Eu era o cozinheiro. Todo mundo trazia a coca para mim porque eu era o melhor”, afirmou. “Mas você não percebe na hora que [a droga] é uma grande mentirosa. Ela diz que está tudo bem e que você pode fazer qualquer coisa, quando na verdade não consegue fazer nada.”
Em outra ocasião, ele já havia relembrado o vício em crack e dito que a substância quase o matou.
A turnê de “Devil On My Shoulder” no Reino Unido começou em 11 de outubro, após a publicação do livro pela Ebury Spotlight em 8 de outubro. Cada noite reúne Alice em conversa com um convidado especial, seguida de perguntas da plateia.
Com 464 páginas, o livro virou best-seller internacional e liderou listas do The New York Times, da Amazon e do The Sunday Times. É a terceira memória do artista e sai em capa dura, brochura, e-book e audiobook, este narrado pelo próprio Cooper.
À Billboard, Cooper disse que 90% das histórias do novo livro são verdadeiras. Ele contrastou a obra com a autobiografia de 1976 “Me, Alice: The Autobiography Of Alice Cooper”, que chamou de “um desabafo de bêbado”. “Ninguém realmente divulgou ‘Me, Alice'”, lembrou. “Ninguém divulgou ‘Golf Monster’. Eram meio ok, e divertidos. Mas neste livro a gente realmente dedicou muito tempo.”



