Billy Corgan e Diplo divergem sobre uso de IA na música

Marcelo Scherer
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Marcelo Scherer
Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate...
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Billy Corgan e Diplo. Billy Corgan and Diplo.  Pascal Le Segretain/Getty and Cindy Ord/Getty for Fanatics

Billy Corgan, vocalista do The Smashing Pumpkins, e o DJ Diplo apresentaram visões opostas sobre o uso da inteligência artificial (IA) na indústria musical. Corgan afirmou que se recusa a usar IA em sua música, chamando-a de “pacto com o diabo”, enquanto Diplo defendeu a adaptação à tecnologia, sugerindo que “criativos precisam se adaptar ou desistir e virar motoristas de Uber”.

Corgan expressou sua posição durante uma participação no podcast “And the Writer Is…”. Ele disse: “Eu me recuso, me recuso categoricamente a usar IA na minha criação musical.” Para ele, a IA é algo que “literalmente vai te destruir”. O músico ressaltou a importância da pressão, inspiração e busca da alma na jornada de um compositor, elementos que, segundo ele, a IA anularia. Ele também questionou o efeito econômico e espiritual da tecnologia, afirmando que “estamos flertando com algo que vai nos destruir como economia, como negócio, como movimento.”

Diplo, por sua vez, revelou no podcast “Behind The Wall” que já utiliza IA para criar vocais em suas novas faixas. “Não preciso mais de uma voz, consigo a melhor voz com IA”, comentou. Ele notou a rápida evolução da tecnologia, que o fez mudar de opinião em poucos meses. O DJ também usou o X (antigo Twitter) para reforçar sua posição, escrevendo que “se você é um criativo, precisa se adaptar ou desistir e virar motoristas de Uber”. Diplo, no entanto, ponderou que a criatividade humana ainda é essencial, pois “a IA nunca sofrerá de transtorno bipolar e autismo como eu e outras pessoas criativas”.

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O debate acontece em um cenário onde governos e artistas discutem a proteção de direitos autorais contra o uso de IA. No Reino Unido, houve uma reversão de planos que permitiriam o uso de obras protegidas por direitos autorais sem permissão. Artistas como Paul McCartney e Kate Bush já fizeram campanhas pela proteção de seus trabalhos. Estudos recentes indicam que a maioria das pessoas não consegue diferenciar música feita por humanos e por IA, e que muitos desejam mais restrições sobre o que a IA pode fazer. Plataformas como Apple Music e Deezer já implementaram ou identificaram músicas geradas por IA.

(Via: NME)

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