Blaze Bayley explica por que parou de fazer meet-and-greets em shows

Luis Fernando Brod
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Luis Fernando Brod
Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a...
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Blaze Bayley. Crédito: Dario De Marco/Wikimedia Commons

Blaze Bayley, ex-vocalista do Iron Maiden, explicou em uma nova entrevista os motivos por trás de sua decisão de parar com as sessões de “meet-and-greet e autógrafos” em seus shows solo. A mudança, anunciada anteriormente, visa preservar sua saúde e melhorar sua performance no palco.

O músico, que liderou o Iron Maiden há mais de 25 anos, detalhou em entrevista à revista online Dales Rock Interviews e Metalliville-zine que a principal razão é sua saúde. Ele notou que, com o aumento de sua popularidade, o número de fãs nas sessões cresceu de 30-50 para cerca de cem por vez.

“Primeiro, minha saúde”, disse Bayley. “Fiquei maior e mais popular, então passei de encontrar 30, 40, até 50 fãs para cem em cada vez. O que acontece é que não consigo conversar. Não consigo usar minha voz, então não consigo ter conversas.” Ele explicou que, com vários shows seguidos, a falta de voz o impedia de interagir adequadamente.

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Bayley também revelou que descobriu ser diabético na época de seu ataque cardíaco, uma condição que, somada à recuperação de uma cirurgia de ponte de safena quádrupla ou tripla, o deixou mais cansado e com menos energia. A agenda apertada dos meet-and-greets o impedia de ter tempo suficiente para se aquecer e monitorar sua saúde antes das apresentações.

“A questão é que, normalmente, eu precisaria de 45 minutos para me aquecer, para me preparar do zero para subir ao palco e cantar. Bem, eu não estava conseguindo isso. Mal tinha tempo para me aquecer”, afirmou. “Não consigo verificar comigo mesmo. Minha diabetes está bem? Meu coração está bem? E, claro, estou muito mais cansado agora.”

Além das questões de saúde, Bayley mencionou o abuso das sessões para fins comerciais. “Eu adorava encontrar meus fãs e ouvir muitas histórias maravilhosas sobre quando eles começaram na música. E então ver que eu abri mão do meu tempo de aquecimento, me esforcei para descobrir que isso estava sendo abusado por alguém com uma foto minha autografando algo que está sendo vendido no eBay por duzentas ou trezentas libras. Isso é realmente errado”, desabafou. Ele destacou que este problema não existia no início de sua carreira.

O cantor ressaltou que não é o único artista a tomar essa decisão, citando nomes como Alice Cooper, Dave Grohl e Paul McCartney, que também optaram por não dar autógrafos. Ele planeja direcionar seus autógrafos para causas de caridade.

Bayley esclareceu que o “meet-and-greet” nunca foi gratuito, mas sim incluído no valor do ingresso. “Estou parando o meet-and-greet para poder cuidar da minha saúde. E sabe de uma coisa? Tem sido muito difícil, porque sinto falta dos meus fãs e de encontrá-los, mas minha performance, minha voz e meu nível de confiança aumentaram muito”, concluiu. Ele atribui essa melhora ao tempo adequado para aquecimento e preparação para os shows, algo que não tinha há anos.

No ano passado, Blaze realizou uma turnê europeia celebrando os 25 anos de seu primeiro lançamento pós-Maiden, “Silicon Messiah”. Naquela turnê, ele ainda oferecia meet-and-greets gratuitos no estande de merchandising antes dos shows.

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