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Bono revela pedido de Ed Sheeran para evitar política em gravação

5 min de leitura
Bono. e Ed Sheeran (Dominique Charriau/Wiree Amy Sussman/Getty Images)
Foto: Bono. e Ed Sheeran (Dominique Charriau/Wiree Amy Sussman/Getty Images)

Resumo
  • ▪ Ed Sheeran pediu a Bono para não ser envolvido em política durante a gravação de "Yours Eternally".
  • ▪ O pedido veio antes da polêmica da "Loop Tour", onde Macklemore foi removido por posicionamento político.
  • ▪ Bono e Larry Mullen Jr. defenderam a liberdade dos artistas de escolherem seu envolvimento político, criticando a interferência de promotores.

Em entrevista à Rolling Stone UK, Bono, vocalista do U2, relembrou os bastidores da colaboração com Ed Sheeran na faixa “Yours Eternally”, do EP “Days of Ash”, lançado em fevereiro de 2026.

Sheeran fez um pedido direto a Bono: “Você não vai me meter em política, vai?”. Essa questão ganhou mais peso meses depois, quando o rapper Macklemore foi retirado da “Loop Tour” de Sheeran após declarar “Free Palestine” no palco. Em solidariedade, outros artistas de abertura, como Finneas e Aaron Rowe, também deixaram a turnê.

A faixa “Yours Eternally”, que encerra o EP e conta com a participação do músico e soldado ucraniano Taras Topolia, é narrada do ponto de vista de um soldado na guerra entre Rússia e Ucrânia, o que lhe confere um caráter político inevitável. Mesmo assim, Sheeran quis deixar sua posição clara. Bono explicou que respondeu a Sheeran destacando o aspecto humano da composição, mencionando que o soldado que inspirou a música era fã do cantor. Sheeran, no entanto, foi firme: “Sim, mas só quero manter a minha coisa livre”.

Ao ser questionado sobre a polêmica da “Loop Tour”, Bono preferiu não focar nos indivíduos. Ele citou Brian Eno, que disse que “estrelas pop são como peixinhos em um grande mar de forças enormes — religião, política”. Em fevereiro, Bono já havia descrito Sheeran como “um redemoinho de talento” e que o cantor havia sido sincero desde o início, expressando amor pela música e pela Ucrânia, mas preferindo não se envolver em controvérsias políticas. Bono admitiu ter respondido “claro que não” na ocasião, mas confessou que “pode ser que eu estivesse blefando”.

Larry Mullen Jr., baterista do U2, que retornou após uma cirurgia no pescoço, foi mais incisivo ao diferenciar a escolha individual do artista da pressão externa. Ele afirmou: “Os artistas podem escolher se querem se envolver ou não e têm o direito de fazer essa escolha. Não cabe a nós criticar isso, independentemente do que sentimos”. Mullen Jr. também criticou a interferência de proprietários de estádios no conteúdo artístico, citando o caso de Robert Kraft, dono do New England Patriots, que, segundo Macklemore, teria ameaçado cancelar a turnê de Sheeran. “Somos absolutamente contrários à ideia de que promotores e donos bilionários possam exercer influência sobre o que você diz ou faz no palco. Se aplicássemos essa lógica ao U2, teríamos encerrado a carreira em ‘Sunday, Bloody Sunday'”, disse ele.

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Bono concluiu que “você precisa persuadir as pessoas pela razão. Não se pode tentar forçar ninguém a assumir uma posição”. Sheeran, por sua vez, voltou aos palcos e admitiu ter cometido “erros”, reafirmando que suas apresentações são sobre “humanidade, não política” – a mesma postura que ele apresentou a Bono no estúdio.

 

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