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Brian May, do Queen, diz que não há base para humanos se acharem mais importantes que os outros animais

5 min de leitura
Queen. Jack White e Loretta Lynn na Calçada da Fama da Música em Nashville
Queen. Jack White e Loretta Lynn na Calçada da Fama da Música em Nashville — Foto: Divulgação
Resumo
  • ▪ Brian May disse que não há base para humanos se acharem mais importantes que outros animais.
  • ▪ O guitarrista do Queen virou vegano em janeiro de 2020, após participar do Veganuary como experimento.
  • ▪ Ele mantém o resgate Save Me e comprou 157 acres em Dorset, hoje com mais de 101 mil árvores e arbustos.

Brian May, guitarrista do Queen, falou sobre veganismo e proteção animal em entrevista a Samuel Goldsmith, do Good Food Podcast, do Reino Unido. Para ele, não existe fundamento para a ideia de que a espécie humana seja mais importante que as demais.

May já defendia a vida selvagem havia anos, mas só adotou a dieta vegana em janeiro de 2020, quando participou do Veganuary como experimento. Desde a pandemia de coronavírus, ele defende o veganismo como forma de os humanos viverem em mais harmonia com o planeta e seus ecossistemas.

“Estou definitivamente comprometido em tentar diminuir o sofrimento dos animais, porque acho que todo animal importa. Não só as espécies, não só os números, mas cada criatura importa”, afirmou. O guitarrista contou que mantém um resgate de animais selvagens e disse ter ficado feliz ao salvar recentemente alguns sapos presos em bueiros.

Segundo ele, Anne Brummer, que comanda o resgate Save Me, já salvou literalmente milhares de animais ao longo dos anos de parceria. O trabalho inclui raposas, texugos, cervos, ouriços e várias espécies de aves. A iniciativa também faz ações de conscientização e pressiona o governo britânico e o Parlamento por leis que protejam os animais selvagens da exploração e do abuso.

Perguntado se houve um momento que o empurrou para o veganismo, May disse que sempre amou animais, mas lembrou de um episódio da infância. Aos oito ou nove anos, ele usou um spray inseticida da mãe contra uma vespa grande que o assustou. “Eu a vi zumbir em aparente agonia e aquilo me destruiu. Pensei: ‘Eu fiz isso. Por que destruí esse animal?’. Aquilo ficou comigo por muito tempo, e nunca mais toquei em nenhum desses sprays”, relembrou.

Ele também citou uma fala recente de David Attenborough: “Por que temos a arrogância de achar que os humanos são o único animal significativo do planeta? Por que achamos que somos mais importantes que todos os outros animais?”. Para May “não há base para isso”. Ele disse que, se um alienígena visse os animais da Terra, não concluiria necessariamente que os humanos são os melhores ou os mais dignos de preservação.

“Fizemos muito estrago, e ainda fazemos, e não estou convencido de que sejamos muito bons como espécie. Então por que presumimos que todas as outras estão aqui para a nossa exploração? Não é uma suposição lógica”, disse.

O músico acrescentou que ainda não percebemos o quanto precisamos cuidar do planeta e dos animais selvagens. “Somos todos animais selvagens, basicamente. Não pertencemos a essa coisa de concreto que fabricamos para nós mesmos”, declarou.

May é defensor de longa data dos animais selvagens e cofundador do Save Me Trust, que já enfrentou o governo britânico em questões como o abate de texugos. Em 2013, ele comprou 157 acres de terras que eram fazenda em Dorset, na Inglaterra, para transformá-las em um “refúgio seguro para a vida selvagem”. Mais de dez anos depois, o May’s Wood abriga mais de 101 mil árvores e arbustos, além de novas espécies de insetos, aves e mamíferos.

Em 2017, o guitarrista também recebeu o título de PhD em astrofísica pelo Imperial College.

Autor

  • Marcelo Scherer

    Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate da cultura física como host do podcast e newsletter Papo de Colecionador, dedicado a LPs e CDs. Além de assinar resenhas críticas no site, expande o debate musical no comando dos programas Disconecta na Rádio na Fm Cultura 107,7 de Porto Alegre/RS e Pôr do Som na Sintonia Fm 94.7 de Torres/RS.

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