Filme que traumatizou Tom Waits foi “The Pawnbroker”
Em entrevista recente, Tom Waits contou que, ainda criança, entrou em uma sala de exibição esperando “algo na linha de Fellini”. Em vez disso, o projetor trouxe “The Pawnbroker” (1964), drama de Sidney Lumet que retrata um sobrevivente de campo de concentração tentando seguir a vida como penhorista em Nova York. As cenas densas, carregadas de violência psicológica, deixaram o jovem espectador confuso e abalado.
A situação ganhou contornos ainda mais surreais quando, logo depois, começou uma sessão de “Mary Poppins”, musical leve lançado no mesmo ano. Sem entender a programação do cinema, Waits pensou que se tratava de uma continuação ou parte de um único programa duplo. O contraste extremo entre o trauma do protagonista de Lumet e o otimismo da babá voadora levou o garoto a buscar uma ligação inexistente entre as produções.
“Achei que era um combo oficial e que as duas obras estavam conectadas”, recordou o artista. Ele afirmou que a experiência “o marcou” permanentemente, tornando-se a única vez em que um longa realmente o deixou com cicatrizes emocionais.
Hoje, ao revisitar aquela noite, o compositor usa o episódio como exemplo da força do cinema sobre a imaginação infantil. A lembrança também revela como a exposição a temas adultos sem mediação pode impactar um futuro criador, mesmo alguém que, décadas depois, construiria carreira reconhecida por narrativas sombrias e humor peculiar.



