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Geddy Lee e Alex Lifeson tiveram dúvidas sobre Anika Nilles no Rush

Luis Fernando Brod
Luis Fernando Brod
4 de março de 2026 5 min de leitura
Rush e Anika Nilles. Crédito: Richard Sibbald.
Foto: Divulgação

Seis anos após a morte de Neil Peart, a possível volta do Rush aos palcos exigiu uma decisão crucial sobre quem assumiria a bateria. A escolhida foi Anika Nilles, mas, segundo Geddy Lee, houve um momento em que ele e Alex Lifeson duvidaram da escolha.

Em entrevista ao The Guardian (via Ultimate Guitar), Lee relembrou os primeiros ensaios com Nilles. “Para ser honesto, acho que não sabíamos quais eram nossas expectativas quando ela chegou. Quando começamos a tocar com ela, algo parecia errado. E eu, claro, pensei: ‘Isso não vai dar certo’.” O baixista explicou que as viradas complexas de Peart não foram o problema para a baterista. A dificuldade estava em “entender a relação entre caixa, bumbo e chimbal, que é diferente da formação dela”.

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Os primeiros quatro dias de ensaio foram marcados por tensão e incerteza. Lee descreveu o período como “de altos e baixos”, com Nilles nervosa e sofrendo com o fuso horário, enquanto ele e Lifeson estavam inseguros. Em determinado momento, os dois músicos conversaram francamente, questionando se a parceria funcionaria. No entanto, decidiram não se precipitar, considerando a ética de trabalho, a personalidade e a grande habilidade técnica de Nilles. A persistência valeu a pena: no último dia, “ela simplesmente arrasou”.

Alex Lifeson complementou, explicando que Nilles “de repente entendeu do que estávamos falando durante toda aquela semana. Não sobre o aspecto técnico, mas sobre as sutilezas, aquilo em que Neil era tão incrível, aquelas dinâmicas internas que só outro baterista consegue entender. E aí a ficha caiu para ela.”

A missão de substituir Peart vai além da técnica, envolvendo as nuances rítmicas e a interação entre os instrumentos que caracterizam as composições do Rush. Lifeson enfatizou a importância da fidelidade aos arranjos para os fãs, mas também deixou espaço para a personalidade de Nilles. “Não impomos nenhuma restrição. Quando ela estiver confortável e confiante com os arranjos, está livre para aprimorá-los com seu próprio espírito.”

A retomada do Rush, que Lee admitiu ter sido precedida por “muita angústia e hesitação”, representa um ajuste tanto musical quanto emocional. “A vida é curta, amamos esse material”, disse o baixista em outra ocasião. Apesar das dúvidas iniciais, a sensação atual é de um encaixe bem-sucedido.

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