O que é Death metal?
O death metal é um subgênero do metal extremo que surgiu em meados dos anos 1980 e se define por vocais guturais, guitarras afinadas muito baixo e distorcidas, bateria com pedal duplo e letras sobre morte, gore, horror, religião e política. Nasceu nos Estados Unidos, com as cenas da Baía de São Francisco e da Flórida, ganhou escolas próprias na Suécia e no Reino Unido e teve um capítulo brasileiro decisivo em Belo Horizonte. Este guia reúne a origem, as características do som, os subgêneros, as bandas essenciais e os álbuns para começar.
Origem e história do death metal
O nome aparece em 1984 em dois lugares: o demo Death Metal, do Possessed, e uma coletânea da gravadora alemã Noise Records, também chamada Death Metal. No mesmo ano, a banda Mantas, que logo passou a se chamar Death, lançou o demo Death by Metal, que ainda não trazia o termo exato. O Possessed, da Baía de São Francisco, reivindica a criação do termo, mas a origem exata é disputada. No início, a expressão era usada de forma quase intercambiável com thrash metal, e o estilo só ganhou contornos próprios ao longo da segunda metade dos anos 1980.
Entre os precursores estão o Venom, com Welcome to Hell (1981) e Black Metal (1982), além de Slayer, Celtic Frost, Kreator e Sodom. As fontes divergem sobre qual é o primeiro disco do gênero: Seven Churches, do Possessed, de 1985, ou Scream Bloody Gore, do Death, lançado em 25 de maio de 1987. O Death nasceu em Orlando, na Flórida, em 1983 ou 1984, e lançou Leprosy em 1988. O líder Chuck Schuldiner morreu em dezembro de 2001, de câncer no cérebro, e o Disconecta acompanha a memória do músico, como em Gene Hoglan explica por que não gostou do documentário “Death By Metal” e na experiência imersiva sobre o Death.
Na virada para os anos 1990, Tampa e Orlando viraram o polo do gênero, e o estúdio Morrisound Recording e o produtor Scott Burns gravaram boa parte dos discos clássicos. A Suécia criou a própria escola logo depois, e a década terminou com o death metal dividido em cenas bem distintas.
Características do som
- Vocal gutural: o growl, grave e áspero, em contraste com o grito agudo do black metal.
- Guitarras graves e saturadas: afinações baixas e muita distorção. Left Hand Path, do Entombed, foi gravado com guitarras afinadas muito baixo e o pedal Boss HM-2, que virou marca do som da cena sueca.
- Bateria agressiva: pedal duplo e, em geral, blast beats, com mudanças de andamento frequentes.
- Riffs em tom menor e cromáticos, quase sempre sobre uma formação de duas guitarras, baixo, vocal e bateria.
- Letras sobre gore, horror, morte, religião, ocultismo e política, com variações de banda para banda.
Subgêneros e cenas do death metal
- Death metal da Flórida: Altars of Madness, do Morbid Angel, e Slowly We Rot, do Obituary, ambos de 1989, e a estreia do Deicide (1990), gravada no Morrisound, em Tampa. O Cannibal Corpse, formado em Buffalo, gravou Eaten Back to Life (1990) no mesmo estúdio.
- Death metal sueco: cena de Estocolmo, com Left Hand Path, do Entombed (1990), gravado no Sunlight Studio com Tomas Skogsberg, e discos de 1991 como Like an Ever Flowing Stream, do Dismember, e Into the Grave, do Grave.
- Death metal melódico: a escola de Gotemburgo, com Slaughter of the Soul, do At the Gates (14 de novembro de 1995), The Gallery, do Dark Tranquillity (1995), e The Jester Race, do In Flames (1996). Heartwork, do Carcass (1993), é citado como precursor britânico. O Disconecta lembrou o músico do At the Gates em Shane Embury, do Napalm Death, relembra Tomas Lindberg.
- Death metal técnico: Human, do Death (1991), e Focus, do Cynic (1993), com estruturas complexas e musicalidade mais elaborada.
- Death metal de Nova York: o Suffocation lançou Effigy of the Forgotten em outubro de 1991, pela Roadrunner.
- Death/doom: mistura de death metal com andamentos lentos, com Severed Survival, do Autopsy (1989), e Lost Paradise, do Paradise Lost (1990), ambos pela Peaceville.
- Grindcore e goregrind: Scum, do Napalm Death (1987), é o marco do grindcore, que une hardcore punk e metal extremo. Reek of Putrefaction, do Carcass (1988), é creditado como o início do goregrind, que se distingue pela temática de gore e patologia.
- Deathcore: mistura com elementos do metalcore, com The Cleansing, do Suicide Silence (2007), como marco.
Death metal no Brasil
A cena brasileira nasceu em Belo Horizonte e girou em torno da Cogumelo Records, loja de discos que virou gravadora em meados dos anos 1980. O Sepultura lançou Morbid Visions em 1986 e Schizophrenia em 30 de outubro de 1987, ambos pela Cogumelo, e a Roadrunner contratou a banda em 1988. Nesses discos a banda tocava um metal extremo que mistura thrash, death e black, descrito de formas diferentes conforme a fonte.
O Sarcófago, também de Belo Horizonte e formado em 1985 com Wagner Lamounier, ex-vocalista do Sepultura, lançou I.N.R.I. em 1987, disco que mistura thrash, death e black e é citado entre os importantes do início do black metal. O Vulcano, de Santos, formado em 1981, lançou Bloody Vengeance em 1986 e é anterior aos dois. Depois vieram o Krisiun, formado em 1990, que estreou com Black Force Domain em 1995, e o Torture Squad, formado em 1990 em São Paulo, autor de Pandemonium, de 2003. Entre as visitas internacionais, o Disconecta noticiou a turnê brasileira inédita do Six Feet Under, com quatro shows.
Bandas essenciais de death metal
- Possessed (Estados Unidos): Seven Churches, de 1985, lançado pela Combat, é um dos candidatos a primeiro disco do gênero.
- Death (Estados Unidos): de Scream Bloody Gore, de 1987, a Human, de 1991, liderado por Chuck Schuldiner.
- Autopsy (Estados Unidos): Severed Survival, de 1989, referência do death/doom.
- Morbid Angel (Estados Unidos): Altars of Madness, de 1989, um clássico da cena da Flórida.
- Obituary (Estados Unidos): Slowly We Rot, de 1989, lançado pela Roadrunner.
- Deicide (Estados Unidos): estreia homônima de 1990, gravada no Morrisound.
- Cannibal Corpse (Estados Unidos): Eaten Back to Life, de 17 de agosto de 1990, pela Metal Blade.
- Suffocation (Estados Unidos): Effigy of the Forgotten, de 1991, marco do death metal de Nova York.
- Entombed (Suécia): Left Hand Path, de 1990, que definiu o som sueco.
- Dismember (Suécia): Like an Ever Flowing Stream, de 1991.
- At the Gates (Suécia): Slaughter of the Soul, de 1995, base do death metal melódico.
- Krisiun (Brasil): Black Force Domain, de 1995, a estreia de um dos nomes mais conhecidos do gênero no país.
Álbuns de death metal para começar
- Seven Churches, Possessed (1985)
- Scream Bloody Gore, Death (1987)
- Leprosy, Death (1988)
- Altars of Madness, Morbid Angel (1989)
- Slowly We Rot, Obituary (1989)
- Left Hand Path, Entombed (1990)
- Like an Ever Flowing Stream, Dismember (1991)
- Human, Death (1991)
- Effigy of the Forgotten, Suffocation (1991)
- Slaughter of the Soul, At the Gates (1995)
Diferença entre death metal, thrash metal e black metal
Os três estilos dividem raízes e se confundiram no início. Em geral, o death metal usa vocal gutural, afinações baixas e letras de gore e morte, com riffs que podem ser mais groove ou mais técnicos. O thrash metal costuma manter afinação padrão, vocal rasgado e letras de crítica social. O black metal usa vocal agudo e gritado, produção mais crua e ênfase em atmosfera, com temas ligados ao ocultismo e ao anticristianismo. Na prática, as fronteiras variam de banda para banda e de fonte para fonte.
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Atualizado em 29 de outubro de 2026. Fontes: Wikipédia (português e inglês), Loudwire, Rolling Stone Brasil, Decibel, Louder, Guitar World, Metal Music Archives, Blabbermouth e Atmostfear. Os fatos desta página precisam de revisão editorial.