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Hélio Delmiro, referência da guitarra brasileira, morre aos 78 anos

Luis Fernando Brod
Luis Fernando Brod
17 de junho de 2025 5 min de leitura
Helio Delmiro. Foto: Reprodução.
Foto: Divulgação

O guitarrista e violonista Hélio Delmiro morreu nesta segunda-feira, 16 de junho, aos 78 anos, em Brasília. Segundo familiares, a causa foi uma infecção urinária agravada por complicações de saúde já existentes.

Diagnosticado com diabetes e em tratamento renal, Delmiro realizava hemodiálise três vezes por semana em Ceilândia. Ele morava na capital com os três filhos, que o acompanhavam de perto nos cuidados médicos.

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Delmiro havia passado 55 dias internado em 2023 no Hospital das Clínicas, em São Paulo, tratando de insuficiência renal. Mesmo com o estado de saúde debilitado, lançou recentemente o disco “Certas coisas”, em parceria com Augusto Martins. O álbum chegou ao streaming no final de maio de 2025 e trouxe 12 faixas inéditas, com arranjos e toques intimistas. Foi o primeiro trabalho gravado por Hélio Delmiro desde “Compassos”, lançado em 2004, marcando um retorno ao estúdio.

Nascido no Rio de Janeiro em 1946, Hélio cresceu em uma família de músicos e ganhou um cavaquinho aos cinco anos. Influenciado pela bossa nova, trocou o instrumento pelo violão ainda na adolescência, em busca de novas possibilidades. No início da carreira, tocou em bailes com o saxofonista Moacyr Silva e depois integrou o grupo Fórmula 7, entre 1965 e 1968. A formação contava com músicos como Luizão Maia (baixo) e Márcio Montarroyos (trompete), então em início de trajetória.

O Fórmula 7 gravou três álbuns para a gravadora EMI-Odeon e circulou pelo circuito da música instrumental no Rio. Na década seguinte, Delmiro ampliou seu repertório ao lado de artistas da MPB, jazz e música popular urbana. Entre os nomes com quem trabalhou estão Elizete Cardoso, Clara Nunes, Elza Soares, João Bosco e João Donato. Também gravou com Carlos Lyra, Marcos Valle, Wagner Tiso, Nana Caymmi e o grupo MPB-4, em diversos arranjos e shows.

Participou de gravações históricas, como “Elis & Tom” (1974), ao lado de Elis Regina e Tom Jobim, em Los Angeles. Em 1978, tocou em “O som brasileiro de Sarah Vaughan”, disco que uniu a cantora americana à sonoridade local. Com César Camargo Mariano, lançou o álbum “Samambaia” em 1981, considerado um marco da música instrumental brasileira. O disco é lembrado por sua combinação precisa entre técnica apurada e fluidez melódica, com forte caráter autoral.

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Ao longo das décadas, Hélio Delmiro manteve um perfil discreto, voltado à música e aos bastidores da criação. Mesmo assim, foi amplamente reconhecido por colegas e críticos como um dos mais respeitados músicos do país. Sua influência atravessa gerações, especialmente entre guitarristas e violonistas interessados na linguagem do jazz brasileiro. Com um estilo que transitava entre a sofisticação harmônica e a simplicidade melódica, Delmiro construiu uma identidade própria.

Nos últimos anos, dedicava-se mais à família e a pequenos projetos em Brasília, longe dos grandes centros. A gravação de “Certas coisas” foi viabilizada com ajuda do cantor Augusto Martins e de Moacyr Luz, seu antigo pupilo.

O disco encerra uma trajetória que teve início na infância, passou por gravações históricas e terminou com sensibilidade. Sem buscar os holofotes, Hélio Delmiro foi um dos músicos que moldaram silenciosamente a sonoridade moderna brasileira.

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