Herdeiros de Bill Evans se distanciam de novo filme sobre o pianista
Os representantes do espólio de Bill Evans se distanciaram de Everybody Digs Bill Evans, novo filme sobre a vida do pianista de jazz, afirmando que não foram consultados nem participaram da produção.
O longa, dirigido por Grant Gee, estreou nos cinemas do Reino Unido em 11 de setembro e chegará aos Estados Unidos em 4 de dezembro. Anders Danielsen Lie interpreta Evans na produção, que acompanha um período particularmente difícil da vida do músico após a morte do baixista Scott LaFaro, em 1961.
A história foi adaptada do romance Intermission, de Owen Martell, publicado em 2013. O filme aborda o luto de Evans e as consequências da morte de LaFaro, integrante de seu célebre trio.
Antes da estreia americana, os representantes de Evans publicaram uma declaração nas redes sociais, posteriormente apagada, deixando clara a distância em relação ao projeto.
“Não fomos consultados durante a produção do filme, não nos pediram a nossa opinião e não nos foi dada a oportunidade de assistir ao filme”, afirmaram. O comunicado também destacou que a produção foi realizada “sem o endosso, envolvimento ou participação” do espólio de Bill Evans.
Apesar disso, os representantes adotaram um tom cauteloso em relação ao resultado. “Estamos genuinamente entusiasmados para ver o filme e esperamos que ele represente Bill Evans, sua vida e sua música com o respeito que ele merece”, disseram.
Eles também afirmaram esperar que o longa seja bem-sucedido e ajude a apresentar a música de Evans a uma nova geração. “A música e o legado de Bill significam tudo para nós, e seremos sempre gratos pelo interesse contínuo em seu trabalho.”
A produção recebeu uma avaliação positiva da NME, que deu quatro estrelas ao filme. A publicação destacou que, embora a história trate de temas como luto, vício, ciúme e dificuldades pessoais, o foco permanece na música e na capacidade artística de Evans.
A crítica também ressaltou uma sequência em que Bill e seus pais ouvem Sunday at the Village Vanguard, álbum gravado com Scott LaFaro e Paul Motian. Para a NME, o momento reforça que é a música de Evans, mais do que sua tragédia pessoal, que permanece como o principal elemento da história.
Everybody Digs Bill Evans chega aos cinemas em um momento de renovado interesse pela trajetória do pianista, mas a posição de seu espólio estabelece uma distinção importante: o filme é uma interpretação cinematográfica de sua vida realizada sem a participação direta dos responsáveis por seu acervo e por sua obra.
Via: NME



