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Los Saicos: Os Peruanos Inventores do Punk

Se fizermos um rápido exercício de reflexão sob o ponto de vista histórico dos fatos que ocorreram na história do punk rock, de imediato, viria em nossas mentes, bandas como Sex Pistols pela Inglaterra, ou, Ramones nos Estados Unidos, como as referências pioneiras dentro do movimento musical e social que abalaram as estruturas da indústria fonográfica e comportamento social desta época.

Errado não estaríamos, entretanto, absolutamente certos, também não. Muito antes dos anos 70 que ficou marcada pelas bandas punks americanas ou inglesas com suas sonoridades limitadas tecnicamente mas com grandes doses de atitude, rebeldia e energia, para criarem canções que desvirtuassem do conformismo social e capitalista da alta sociedade que predominavam as estruturas, e que ilustrassem a dura realidade das classes baixas.

Nos anos 60, na América do Sul, precisamente no Perú, a banda Los Saicos, vinham abalando e impactando as classes com sua sonoridade crua, muito distante da grande técnica para o ponto instrumental, mas, sobrava intensidade, força, vontade e sangue nos olhos de fazerem um rock and roll que mostrassem as suas verdadeiras caras.

A bela mistura de surf music com proto punk, uma espécie de Beach Boys com Stoogies, ou, Elvis com New York Dolls, os integrantes Pancho Guevara na bateria, César Castrillón no baixo, Rolando Carpío na guitarra/violão e Erwin Flores na guitarra, eles captaram as canções que mais dominavam nas rádios peruanas como Beatles e o próprio Elvis aqui mencionado, fizeram essas misturas, que acabaram moldando o seu som com estas duas conexões.

De forma simples e financeiramente limitado para comprar instrumentos novos, o guitarrista Rolando Carpío atacou uma de Brian May do Queen, fez a sua própria guitarra. O baixista Castrillón teve que aprender a tocar baixo na coragem sob ensinamentos de seus colegas de banda que lhe deram aulas de como tocar o instrumento. A fúria sonora, recheada de rebeldia, compensava facilmente as condições que lhe limitavam nesta época, o crossover surf com punk casavam perfeitamente.

Em 1965, um grupo de fãs e admiradores o acompanhavam a banda, depois de se apresentarem em pequenos locais. Chamando a atenção do selo DesPerú, que lançaram os primeiros singles da banda, ” Ana ” e ” Come On”, as duas que falavam sobre odes ao amor e ao poder. Elas soavam um tanto profundas e ao mesmo instante, absurdas, imagina canções deste tipo numa comunidade que era conservadora aos bons costumes? Era um choque de realidade, uma afronta.

Mas, sua maior canção, o seu hino, grito de guerra, certamente foi a ” Demolición “, que retratava em explodir uma estação de trem, desfilando-se com a anarquia de suas guitarras distorcidas e gritos de: “Echemos abajo la estación del tren!” (“Vamos demolir a estação de trem!”).

Um belo dia, numa apresentação ao vivo, no centro de alguma cidade, a banda estava testando o seu repertório, além do clássico, canções que falavam sobre fugitivos de Alcatraz, assassinatos de gatos, para um público que estava sob total silêncio, rostos quase que total paralisia facial, sem mover nenhuma reação em seus rostos que pregavam total atenção na performance que acabavam de presenciar. Após o fim das canções, de forma única, o estouro de vozes ensurdecedoras, como um grito de gol do seu ídolo do time que torce, todos se identificaram com a proposta da banda.

Entretanto, os policiais presentes no local não se mostraram muito animadores com o show dos Los Saicos, retiraram a banda e fizeram um convite especial para a delegacia e depois lhe soltaram, Para explicarem os motivos do povo estarem com machados e martelos, entenderam que inicialmente seria colocar em prática a canção ” Demolición”, explodirem a estação de trem. Mas, na verdade, era para registrar uma foto para servir de alternativa para uma capa de disco.

Como toda banda punk alternativa, tiveram seu relativo sucesso, com aparições na televisão, mas, depois, a banda se separou. Muitos anos mais tarde, ganharam o seu devido reconhecimento internacional pela sua obra e atitude de terem difunfido o movimento que mais tarde se espalhou mundialmente.

Como diz uma placa de mármore instalado no bairro peruano onde os Los Saicos se criaram, “O movimento punk global nasceu aqui, demolir!”

Escute este álbum, que traz gravações da banda peruana, resgatada e lançada pelo selo Munster Records

Créditos: Foto/divulgação.

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