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Uma breve história do shoegaze e sua paisagem sonora etérea

O shoegaze é um gênero musical que transcende a mera audição, é uma experiência que envolve e transporta o ouvinte para paisagens sonoras etéreas. Nascido no final dos anos 80 no Reino Unido, o shoegaze é frequentemente caracterizado por sua mistura de vocais etéreos, distorção de guitarra, efeitos de feedback e um volume avassalador.

O termo “shoegaze” foi cunhado pela imprensa britânica inicialmente considerado pejorativo, para descrever uma cena de bandas que possuíam uma postura introspectiva no palco, muitas vezes mais focados em seus pedais de efeito do que na audiência. O gênero tem suas raízes na cena underground britânica e irlandesa dos anos 80, que era marcada por uma ética DIY e uma rejeição ao comercialismo mainstream. Influenciado pelo pós-punk, pela new wave e pelo rock psicodélico e noise dos anos 60 e 70, o shoegaze emergiu como uma resposta introspectiva à superficialidade percebida da música pop da época.

Durante os anos 90, o shoegaze se misturou com a música eletrônica e experimental, dando origem a subgêneros relacionados como “dream pop”, “nu-gaze” e “electronica”. Bandas como M83, The Radio Dept. e Beach House incorporaram as qualidades etéreas do shoegaze em sua música, expandindo os limites sonoros do gênero.

Entre as bandas pioneiras do shoegaze, My Bloody Valentine, Ride e Slowdive são frequentemente citadas como influências fundamentais. O álbum Loveless do My Bloody Valentine é considerado por muitos como a obra definitiva do gênero. Outras bandas notáveis incluem Cocteau Twins e The Jesus and Mary Chain, que também contribuíram significativamente para o código genético do shoegaze.

Desde o final dos anos 2010, houve um renovado interesse pelo gênero, notadamente entre as bandas de nu gaze e blackgaze. O shoegaze moderno continua a evoluir, com artistas como DIIV e Nothing liderando o renascimento do gênero, mantendo a essência do som clássico enquanto exploram novas direções musicais.

O shoegaze é mais do que um gênero musical, é um portal para um mundo sonoro que desafia as convenções e oferece uma fuga introspectiva. Sua influência pode ser sentida em várias formas de música contemporânea, provando que o movimento é tão relevante hoje quanto era nas décadas passadas.

5 discos essências para entender o shoegaze

My Bloody Valentine Loveless (1991)

Considerado por muitos como o ápice do shoegaze, Loveless é um álbum que desafia o tempo e o espaço com suas camadas de guitarras distorcidas e vocais etéreos. A produção meticulosa de Kevin Shields e a abordagem inovadora à textura e ao timbre criaram um som que muitos tentaram imitar, mas poucos conseguiram replicar.

SlowdiveSouvlaki (1993)

Souvlaki é frequentemente citado como um dos álbuns mais influentes do shoegaze, com sua abordagem mais acessível e melodias cativantes. A habilidade do Slowdive de equilibrar a densidade sonora com a clareza melódica torna este álbum um ponto de entrada essencial para aqueles que desejam explorar o gênero.

Ride – Nowhere (1990)

Com Nowhere, o Ride trouxe uma energia juvenil e uma sensibilidade pop ao shoegaze. Suas canções são ao mesmo tempo expansivas e íntimas, oferecendo uma dinâmica que oscila entre a introspecção e o êxtase. Este álbum é um lembrete de que o shoegaze pode ser tão emocional quanto experimental.

Lush – Split (1994)

Split representa um ponto crucial na trajetória do Lush, documentando a banda alcançando além do molde shoegaze sem ainda apelar para o apelo pop. O processo difícil de mixagem final, que envolveu várias tentativas, acabou beneficiando o álbum, que se destaca por sua capacidade de tocar em várias formas de turbulência emocional. Este álbum é uma prova da versatilidade e profundidade emocional que o shoegaze pode alcançar.

Chapterhouse – Whirlpool (1991)

“Whirlpool”, o álbum de estreia do Chapterhouse, é notável por sua abordagem mais rítmica e energética do shoegaze. Com faixas como “Pearl” e “Breather”, o álbum oferece uma versão mais otimista do gênero, mantendo a densidade sonora característica. A crítica especializada elogia “Whirlpool” por sua mistura de rock e psicodelia, destacando-o como um exemplo excelente e subestimado do gênero.

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