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Jeff Ament relembra início do Pearl Jam e detalha escolha de novo baterista

5 min de leitura
Pearl Jam. jeff ament PJ book
Foto: Pearl Jam. jeff ament PJ book

Enquanto o Pearl Jam conquistava os palcos do mundo no início dos anos 1990, Jeff Ament sempre mantinha uma câmera fotográfica por perto. Além de baixista do grupo, ele assinou registros icônicos que estamparam capas célebres, como a ovelha de Vs. (1993), além de Yield (1998), Riot Act (2002) e a coletânea Lost Dogs (2003).

Boa parte desse acervo histórico acaba de ser reunida em Since Forever, obra criada ao lado do irmão Barry Ament que compila mais de 250 fotografias em preto e branco com anotações e memórias pessoais. Em participação no podcast Rolling Stone Music Now, o músico revisitou histórias de bastidores, a transição rítmica recente da banda e os próximos passos criativos.

A ovelha de ‘Vs.’ e a ética faça-você-mesmo

A veia de fotógrafo começou por pura necessidade e economia. Para se mudar para Seattle em 1983, Ament teve que vender sua câmera. Ele só conseguiu uma nova quando trabalhou no departamento de arte do filme Vida de Solteiro (Singles), dirigido por Cameron Crowe. Mais tarde, com o Pearl Jam já contratado por uma grande gravadora, o espírito faça-você-mesmo falou mais alto.

“Descobrimos que a gravadora contratava fotógrafos cobrando US$ 8 mil por hora e nós tínhamos que pagar metade da conta. Veio o meu lado econômico e pensei: ‘Isso é quatro vezes o valor do meu equipamento, eu mesmo posso fazer'”, explicou o baixista. Foi assim que ele registrou Eddie Vedder cantando sem camisa na cabine durante as sessões de gravação de Ten — registro resgatado anos depois — e a imagem que estampa a capa de Vs..

“Aquela ovelha ficava me acompanhando por uma cerca em uma fazenda de Montana. Eu simplesmente comecei a tirar fotos dela enquanto ela tentava atravessar a cerca”, revelou. Ao receber as folhas de contato, o baixista percebeu o simbolismo da imagem: “Já tínhamos composto ‘Animal’ e havia um sentimento nosso contra o mundo, contra as gravadoras, contra a máquina. Pareceu algo muito mais natural”.

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A saída de Matt Cameron e a chegada de Abe Laboriel Jr.

O lançamento do livro coincidiu com a volta do grupo aos palcos após a saída do baterista Matt Cameron. Ament relembrou conversas bem-humoradas com Cameron no passado sobre encerrarem os ciclos aos 60 anos: “Nós brincávamos: ‘Então temos mais uns três anos? Faremos 60, perfeito’. Eu achava que era brincadeira, mas descobri que ele estava falando sério. E eu entendo completamente. Chegar aos 60 com saúde e querer ficar em casa com a esposa é um direito legítimo”.

Para substituir o posto nos palcos, o grupo recorreu a um nome de peso. O Pearl Jam revelou Abe Laboriel Jr. como baterista durante uma apresentação surpresa, marcando também o primeiro show desde a saída de Cameron antes de tocarem como atração principal no Ohana Fest.

“Foi o primeiro nome que surgiu. Pensamos: vamos começar logo pelo topo”, comentou o baixista, destacando a habilidade do músico de longa data da banda de Paul McCartney. “O mais difícil foi avisar nossos outros grandes amigos bateristas que já tínhamos encontrado alguém.”

Planos para o futuro

Mesmo com décadas de estrada, Jeff Ament enfatizou que não tem planos de parar tão cedo e espera que o quinteto entre em estúdio para gravar um novo disco em breve: “Eu adoraria. Estamos com uma nova energia e temos a chance de aproveitá-la ao máximo para transformar isso em algo diferente e grandioso. Vai levar alguns meses, mas estamos bastante animados”.

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