Live! Os destaques dos álbuns ao vivo de 2026 (até o momento)
Live álbuns, ao vivaço, seja como você chama, ou torce o nariz até, preferindo os discos de estúdio, a crueza da gravação de certos álbuns ficam marcantes.
Em 2026 não foi diferente e vários deste formato foram lançados e que merecem ser ouvidos, seja pela sua potência ou pelo seu valor histórico.
Confira a lista abaixo e aumente o volume.
The Cranberries — Live At The London Astoria II, 1994
Gravado durante a turnê de divulgação de Everybody Else Is Doing It, So Why Can’t We?, o registro mostra o The Cranberries em um momento de transição, quando a banda começava a deixar de ser uma promessa irlandesa para se tornar um fenômeno internacional. O show aconteceu no pequeno London Astoria II e permaneceu inédito comercialmente por mais de três décadas. O repertório reúne músicas do álbum de estreia, como Linger, Dreams e Pretty, além de várias que apareceriam posteriormente em No Need to Argue. O destaque histórico é Zombie, apresentada ao vivo meses antes de se transformar em um dos maiores sucessos da carreira da banda. O áudio foi remasterizado para o lançamento.
KISS — Destroys Anaheim ’76
Este é um daqueles registros que chegam ao mercado décadas depois de sua realização, mas documentam um momento fundamental da história de uma banda. Em 20 de agosto de 1976, o KISS tocou para mais de 42 mil pessoas no Anaheim Stadium, em uma apresentação realizada poucos meses depois do lançamento de Destroyer. A gravação foi feita originalmente por Eddie Kramer em multipista e recebeu uma nova mixagem para o lançamento de 2026. O repertório inclui Detroit Rock City, Deuce, Black Diamond, Rock and Roll All Nite, God of Thunder e Cold Gin, além dos tradicionais solos de Ace Frehley, Gene Simmons e Peter Criss. É, portanto, um retrato do KISS em plena consolidação de sua fase clássica.
The Who — Live at Eden Project 2023
O álbum registra uma apresentação do The Who realizada no Eden Project, em Cornwall, em 2023. A particularidade do show está na combinação entre a banda e uma orquestra, utilizada em parte do repertório. O conjunto percorre diferentes fases da carreira, com clássicos como The Kids Are Alright, My Generation, Behind Blue Eyes, 5:15, Love, Reign O’er Me e Baba O’Riley. O lançamento também permite perceber a maneira como Pete Townshend e Roger Daltrey continuam revisitando o repertório histórico do grupo, alternando momentos essencialmente roqueiros com arranjos orquestrais.
Gal Costa — Ao Vivo no Teatro Castro Alves
Um dos lançamentos mais importantes da lista é também um dos mais antigos em termos de gravação. O álbum recupera um show realizado por Gal Costa em 2003, dentro do projeto Vozes do Brasil, no Teatro Castro Alves, em Salvador. A cantora é acompanhada pelo violão de Luiz Meira em uma apresentação essencialmente acústica, concebida para aproximar a voz do público. O repertório passa por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Ary Barroso, Roberto e Erasmo Carlos, Chico Buarque, Dorival Caymmi e outros compositores. Entre as faixas estão Minha Voz, Minha Vida, Eu Vim da Bahia, Chega de Saudade, Azul, Vapor Barato, London London, Tigresa, Força Estranha e Aquarela do Brasil. O material permaneceu preservado por mais de duas décadas antes de receber tratamento técnico de Marco Mazzola.
Jazz Sabbath — Jazz Sabbath Live
O Jazz Sabbath parte de uma ideia curiosa: transformar clássicos do Black Sabbath em jazz. Liderado pelo tecladista Adam Wakeman, o projeto apresenta versões instrumentais e improvisadas de músicas originalmente associadas ao heavy metal. Jazz Sabbath Live foi registrado durante a turnê de 2025, no Paradox Jazz Club, depois de 25 apresentações, e é o primeiro álbum oficial ao vivo do grupo. Black Sabbath, The Wizard, War Pigs, Iron Man, Paranoid, Into the Void e Children of the Grave aparecem em versões que se afastam bastante das gravações originais. Ao vivo, piano, baixo acústico e bateria dão espaço para improvisações extensas, transformando riffs conhecidos em longas explorações jazzísticas.
Al Jarreau — This Feeling Inside (Live Hamburg ’75)
This Feeling Inside recupera uma apresentação de Al Jarreau realizada em Hamburgo em 1975, período inicial da carreira do cantor americano. O registro pertence a uma fase em que Jarreau ainda transitava fortemente entre jazz, soul e R&B, antes de alcançar a enorme projeção comercial que teria nos anos seguintes. Com 13 faixas e pouco mais de uma hora de duração, o álbum oferece um retrato de seu estilo vocal já bastante particular, marcado pela capacidade de improvisação e pela aproximação entre jazz e música popular. Entre as músicas estão To Be, Letter Perfect e Your Song.
Joe Bonamassa — The Spirit of Rory Live From Cork
Joe Bonamassa dedicou três apresentações em Cork, cidade natal de Rory Gallagher, exclusivamente ao repertório do guitarrista irlandês. Os shows, realizados em julho de 2025 com ingressos esgotados, deram origem a The Spirit of Rory Live From Cork, lançado em 2026 como álbum e filme-concerto. O repertório percorre diferentes momentos da carreira de Gallagher, incluindo Cradle Rock, Walk On Hot Coals, Tattoo’d Lady, Calling Card, Bad Penny, I Fall Apart e A Million Miles Away. Bonamassa procurou evitar uma reprodução nota por nota das versões originais e, em vez disso, tentou preservar a energia e a espontaneidade associadas a Gallagher. Um detalhe especial aparece em As the Crow Flies, executada com uma guitarra National Triolian de 1930 que pertenceu a Gallagher.
Roberta Flack — The Montreux Years (Live)
Diferentemente dos demais, The Montreux Years (Live) não registra uma única apresentação. O álbum reúne gravações de Roberta Flack feitas ao longo de quase quatro décadas no Montreux Jazz Festival, desde sua estreia no evento, em 1971, até sua última participação, em 2008. O resultado funciona quase como uma retrospectiva ao vivo da carreira da cantora. Estão presentes interpretações de To Love Somebody (1971), Suzanne e Somewhere (1972), além de performances posteriores de The First Time Ever I Saw Your Face, Killing Me Softly with His Song, Feel Like Makin’ Love e Mercy Mercy Me. A seleção mostra também como sua interpretação e seus arranjos foram se transformando ao longo dos anos.


