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Histórias

Mick Jagger nunca foi fã de Nirvana, mas aprovava uma banda de Seattle em 1995

5 min de leitura
The Rolling Stones
The Rolling Stones — Foto: Divulgação
Resumo
  • ▪ Em 1995, Mick Jagger disse que nunca foi fã de Nirvana, por considerar a banda angustiada demais.
  • ▪ Ele elogiou o Pearl Jam e convidou Eddie Vedder a cantar "Wild Horses" com os Stones em 2005.
  • ▪ Keith Richards afirmou que "Exile On Main Street" foi o primeiro disco grunge, tese que a matéria vê como frágil.

Quando o grunge chegou ao grande público, no início dos anos 1990, os Rolling Stones já eram veteranos do rock. Haviam passado de uma “banda de blues descolada” a melhor de Londres e, depois, a candidata a melhor do mundo, sempre a partir da releitura de bluesmen americanos como Robert Johnson e B.B. King. Pelo caminho, incorporaram R&B, soul, funk e disco.

O niilismo punk do grunge, porém, era outra conversa. Na Inglaterra, os punks que inspiraram tantas bandas de Seattle haviam transformado os Stones em alvo de piada. Johnny Rotten chegou a dizer que gostaria de matar Mick Jagger e divulgar o vídeo, declaração que depois retirou. O próprio Jagger, ao responder às críticas a “Some Girls”, disse que o próximo disco seria “mais racista e mais sexista” e “muito melhor”, comentário do qual também recuou.

Nesse contexto, não surpreende o que o cantor disse em 1995, quando perguntado sobre o grunge: “Não estou apaixonado por nada no momento. Nunca fui louco por Nirvana, angustiado demais para mim.”

Ele completou: “Mas gosto do Pearl Jam. Prefiro a muitas outras bandas. Há muita angústia em tudo isso, o que é uma das grandes coisas a explorar. Mas não sou fã de melancolia.”

Aos 51 anos, Jagger estava distante da geração dos próprios filhos, e o som pesado do Nirvana dificilmente seria feito para quem tinha milhões no banco e uma mansão no Caribe. Ainda assim, na mesma entrevista à Rolling Stone, ele reconheceu que o grunge devia muito ao rock dos anos 1960. Para ele, quando há “quatro pessoas tocando guitarras”, há muita influência da época, e alguns cortes de cabelo vistos na MTV lembravam os dos Byrds.

“Mas os grooves são diferentes”, prosseguiu. “Tudo é influenciado pela música dançante. Em 30 anos você não continua tocando a mesma batida.” Também viu o lado positivo: “É animador voltar à música ao vivo. Reafirma a forma original pela qual nos apaixonamos.”

Keith Richards foi além e chegou a dizer que “Exile On Main Street” (1972) foi “o primeiro disco grunge”. Segundo ele, o álbum vendeu pouco no início e foi tratado como fracasso, numa época de sons polidos, enquanto os Stones iam na direção oposta. A tese é frágil, e atribuir aos Stones a paternidade do gênero seria injusto com Neil Young, mas o disco compartilha certa aspereza e descontentamento.

A afinidade com o Pearl Jam foi além das palavras. Em 2005, Jagger convidou Eddie Vedder para subir ao palco e cantar uma versão áspera de “Wild Horses”. Em 1992, Keith Richards já havia chamado o Pearl Jam para abrir um show de sua banda X-pensive Winos, em Nova York, pouco depois do disco de estreia “Ten”, de 1991.

Três décadas depois, o Pearl Jam parece mais uma banda de rock alternativo feita para grandes palcos, ligada ao grunge sobretudo pela cidade de origem. Em 2026, é veterana como os Stones eram em 1995, e estes seguem em atividade.

O interesse de Jagger por música nova, aliás, segue vivo: ele aprovou a versão de Sam Fender para “You Can’t Always Get What You Want”, como mostra a matéria sobre Mick Jagger aprovando o cover de Sam Fender. Para quem quer entender o ponto de vista do cantor sobre bandas de gerações seguintes, vale também lembrar quando Mick Jagger criticou o Oasis por não dançar em “Be Here Now”.

Autor

  • Marcelo Scherer

    Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate da cultura física como host do podcast e newsletter Papo de Colecionador, dedicado a LPs e CDs. Além de assinar resenhas críticas no site, expande o debate musical no comando dos programas Disconecta na Rádio na Fm Cultura 107,7 de Porto Alegre/RS e Pôr do Som na Sintonia Fm 94.7 de Torres/RS.

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