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Morre Skowa, icônice da cena alternativa paulistana, aos 68 anos

Luis Fernando Brod
Luis Fernando Brod
14 de junho de 2024 5 min de leitura
Morre Skowa, icônice da cena alternativa paulistana, aos 68 anos
Foto: Divulgação

A morte de Marco Antonio Gonçalves dos Santos, ocorrida na noite de ontem em um hospital de Botucatu (SP), marcou o fim de uma era para a música alternativa paulistana. Conhecido artisticamente como Skowa, o compositor e instrumentista nasceu em 13 de dezembro de 1955 na Vila Mariana, São Paulo (SP), e faleceu em 13 de junho de 2024, aos 68 anos, devido a complicações de uma parada cardiorrespiratória sofrida na semana passada.

Desde 2003, Skowa fazia parte do Trio Mocotó, grupo de samba-rock onde atuava como percussionista, substituindo Luiz Carlos de Souza Muniz, o Fritz Escovão, que deixou o trio em 2002. No entanto, a contribuição mais significativa de Skowa para o cenário pop nacional foi a criação da banda Skowa e A Máfia em 1987.

Com Skowa e A Máfia, uma banda de black music com forte influência do funk, ele ajudou a renovar o gênero e a enriquecer a cena black paulistana. A banda alcançou notoriedade nacional em 1989 com a regravação de “Atropelamento e Fuga” (Akira S e Alex Antunes), originalmente lançada em 1986 pela banda Akira S e As Garotas que Erraram. Essa versão integrou o primeiro álbum do grupo, “La Famiglia” (1989), que também contou com composições de Skowa, como “Amigo do Amigo” e “Atenção”, além da releitura de “África Brasil (Zumbi)” (1976), de Jorge Ben Jor, um dos maiores ídolos de Skowa ao lado de James Brown e Jimi Hendrix.

Embora a banda tenha lançado um segundo álbum, “Contraste e Movimento” (1990), a obra não repetiu o sucesso do primeiro, levando à dissolução do grupo em 1991.

A trajetória de Skowa, no entanto, começou bem antes de A Máfia. Atuando profissionalmente desde 1975, ele integrou o Clube do Choro em 1977, fundou o Choro Roxo, participou do grupo Sossega Leão em 1983, tocou com a Gang 90 e fez parte do grupo Premeditando o Breque.

O nome artístico, Skowa, surgiu como uma resposta ao preconceito racial que enfrentou na escola devido ao seu cabelo black power. Apelidado de “Escova” por seus colegas, ele transformou a ofensa em um nome de palco que carregaria por toda a sua carreira.

Como Skowa, Marco Antonio Gonçalves dos Santos deixou uma marca indelével na música brasileira, especialmente na vibrante cena paulistana dos anos 1980. Sua morte é uma perda significativa para a cultura musical do país, mas seu legado perdurará através de suas contribuições inovadoras e memoráveis.

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