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Neil Young processa comitê de Trump em US$ 10 milhões por uso de “Rockin’ in the Free World”

5 min de leitura
Foto: Gary Miller/Getty; Alex Wong/Getty Images
Foto: Gary Miller/Getty; Alex Wong/Getty Images
Resumo
  • ▪ Neil Young processou em US$ 10 milhões um comitê de Trump por usar "Rockin’ in the Free World".
  • ▪ A música tocou em 12 de outubro, em comício em Youngstown, Ohio, apesar de acordo de 2020.
  • ▪ A ação foi protocolada na Virgínia e Trump não é réu individual no processo.

Neil Young entrou com um processo de US$ 10 milhões contra um comitê de arrecadação de fundos de Donald Trump pelo uso da música “Rockin’ in the Free World” em um comício em Youngstown, no estado de Ohio. Segundo o artista, a canção foi tocada em 12 de outubro, durante discurso de Trump no evento.

A ação, de cinco páginas, foi protocolada em uma corte federal da Virgínia, onde fica a sede do comitê. De acordo com o documento, Trump sabia que seria necessária uma licença para tocar a música em um evento e que Young não concedeu nem concederia essa autorização. Trump não aparece como réu individual na ação, protocolada na segunda-feira.

O processo afirma ainda que o uso ocorreu apesar de uma ação anterior e de um acordo firmado em 2020, no qual Trump teria se comprometido a nunca usar músicas de Young sem permissão.

“‘Rockin’ in the Free World’ é um hino contundente que contrapõe as promessas vazias da retórica política americana à dura realidade enfrentada por pobres, sem-teto e esquecidos”, escreveram Young e seus advogados, Robert Besser e Scott Simmons. “A letra pinta retratos vívidos das ruas: uma mãe que abandona o bebê, viciados perdidos no desespero, lixo se acumulando à sombra da prosperidade, enquanto o refrão repetido entrega uma ironia selvagem, celebrando uma liberdade que claramente não é de todos.”

Os advogados acrescentaram que a música, de 1989 “é o oposto de tudo que Donald J. Trump representa”.

A Casa Branca, o Trump 47 Committee e o Comitê Nacional Republicano, que se uniu a Trump para criar o comitê conjunto de arrecadação, foram procurados, mas não responderam de imediato.

O embate entre Young e Trump vem de 2015, quando o então candidato usou a faixa no anúncio de sua campanha à presidência, na Trump Tower. Na ocasião, um porta-voz do músico disse que Trump não tinha autorização e que Young, cidadão canadense, apoiava Bernie Sanders.

Em 2018, Trump tocou a música de novo, e Young voltou a protestar. O músico, hoje com 80 anos, disse em seu site que havia pedido a Trump, em carta pública, que parasse de usá-la, mas que ele preferiu não ouvir.

Young recentemente pediu um “tsunami azul” nas eleições de meio de mandato para limitar o poder de Trump.

Ele está longe de ser o único a contestar o uso de músicas nos eventos políticos de Trump. White Stripes, Rihanna, Axl Rose, Pharrell Williams, Linkin Park e os espólios de Tom Petty e Sinéad O’Connor já se opuseram publicamente.

Autor

  • Luis Fernando Brod

    Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a história por trás de álbuns lendários e dissecar a trajetória de ícones da música nas décadas de 70, 80 e 90. No Disconecta, assina reportagens especiais, retrospectivas e a cobertura diária do rock internacional. Criador do canal no youtube Minha Vida em Vinil onde cobre música e colecionismo em mídia física.

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