Neil Young processa comitê de Trump em US$ 10 milhões por uso de “Rockin’ in the Free World”
Resumo
- ▪ Neil Young processou em US$ 10 milhões um comitê de Trump por usar "Rockin’ in the Free World".
- ▪ A música tocou em 12 de outubro, em comício em Youngstown, Ohio, apesar de acordo de 2020.
- ▪ A ação foi protocolada na Virgínia e Trump não é réu individual no processo.
Neil Young entrou com um processo de US$ 10 milhões contra um comitê de arrecadação de fundos de Donald Trump pelo uso da música “Rockin’ in the Free World” em um comício em Youngstown, no estado de Ohio. Segundo o artista, a canção foi tocada em 12 de outubro, durante discurso de Trump no evento.
A ação, de cinco páginas, foi protocolada em uma corte federal da Virgínia, onde fica a sede do comitê. De acordo com o documento, Trump sabia que seria necessária uma licença para tocar a música em um evento e que Young não concedeu nem concederia essa autorização. Trump não aparece como réu individual na ação, protocolada na segunda-feira.
O processo afirma ainda que o uso ocorreu apesar de uma ação anterior e de um acordo firmado em 2020, no qual Trump teria se comprometido a nunca usar músicas de Young sem permissão.
“‘Rockin’ in the Free World’ é um hino contundente que contrapõe as promessas vazias da retórica política americana à dura realidade enfrentada por pobres, sem-teto e esquecidos”, escreveram Young e seus advogados, Robert Besser e Scott Simmons. “A letra pinta retratos vívidos das ruas: uma mãe que abandona o bebê, viciados perdidos no desespero, lixo se acumulando à sombra da prosperidade, enquanto o refrão repetido entrega uma ironia selvagem, celebrando uma liberdade que claramente não é de todos.”
Os advogados acrescentaram que a música, de 1989 “é o oposto de tudo que Donald J. Trump representa”.
A Casa Branca, o Trump 47 Committee e o Comitê Nacional Republicano, que se uniu a Trump para criar o comitê conjunto de arrecadação, foram procurados, mas não responderam de imediato.
O embate entre Young e Trump vem de 2015, quando o então candidato usou a faixa no anúncio de sua campanha à presidência, na Trump Tower. Na ocasião, um porta-voz do músico disse que Trump não tinha autorização e que Young, cidadão canadense, apoiava Bernie Sanders.
Em 2018, Trump tocou a música de novo, e Young voltou a protestar. O músico, hoje com 80 anos, disse em seu site que havia pedido a Trump, em carta pública, que parasse de usá-la, mas que ele preferiu não ouvir.
Young recentemente pediu um “tsunami azul” nas eleições de meio de mandato para limitar o poder de Trump.
Ele está longe de ser o único a contestar o uso de músicas nos eventos políticos de Trump. White Stripes, Rihanna, Axl Rose, Pharrell Williams, Linkin Park e os espólios de Tom Petty e Sinéad O’Connor já se opuseram publicamente.