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Selo Sesc lança Relicário: Dona Ivone Lara (ao vivo no Sesc 1999)

No quinto lançamento de Relicário, projeto que resgata áudios de shows realizados em unidades do Sesc São Paulo nas décadas de 1970, 1980 e 1990, o Selo Sesc apresenta o registro histórico de Dona Ivone Lara cantando seus maiores sucessos em setembro de 1999, no Sesc Vila Mariana.

Apelidada de “Primeira Dama do Samba”, Dona Ivone Lara compôs sua primeira canção aos 12 anos de idade, mas só teve a oportunidade de gravar e lançar seu primeiro disco aos 56. Sua obra ainda é tocada no rádio, na televisão e, sobretudo, cantada nas rodas de samba pelo povo. Suas canções foram gravadas pelos maiores intérpretes do país, dos mais diferentes estilos e gerações: Beth Carvalho, Gilberto Gil, Gal Costa, Paulinho da Viola, Fundo de Quintal, Elza Soares, Elizeth Cardoso, Maria Bethânia, Monarco, Caetano Veloso, Clara Nunes, Alcione, Jair Rodrigues, Nana Caymmi e Zeca Pagodinho.
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Na apresentação de 1999, Dona Ivone Lara entoou alguns clássicos de sua carreira. Das 15 faixas do álbum, 2 são pout-pourris, totalizando 20 músicas.

O repertório da noite foi inspirado no disco Bodas de Ouro, de 1997, que celebrou os 50 anos de carreira da artista. Estava acompanhada por Armando Martinez (teclado), Edson Bastos (contrabaixo), Gilberto Torgano (bateria), Álvaro Barcelos (percussão), Maurício Verde (cavaquinho) e Hélcio Brenha (sax e clarinete).
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O disco começa com “Liberdade” (parceria com Délcio Carvalho). A letra fala da nostalgia de um amor perdido, assim como a canção seguinte, “Tendência” (dela com Jorge Aragão). Entre os destaques do repertório, aparecem os clássicos das rodas de samba, como “Acreditar” (com Délcio Carvalho), “Sonho Meu”, o primeiro grande sucesso de Dona Ivone Lara, “Alguém Me Avisou”, composição dos versos “alguém me avisou / para pisar nesse chão devagarinho” que parecem descrever a própria trajetória da artista e “Sorriso negro”, de Jorge Portela, Adilson Barbado e Jair Carvalho, lançada por ela em 1981 no disco homônimo, em gravação com a participação de Jorge Ben Jor.

Para o biógrafo, jornalista e pesquisador Lucas Nobile (autor do livro Dona Ivone Lara: Primeira Dama Do Samba), a artistaé um assunto tão amplo e tão complexo que o Brasil ainda não assimilou a dimensão do fenômeno em sua completude. Para ele, além de ouvirmos uma obra artística reconhecida nacional e internacionalmente, a trajetória de Ivone Lara simboliza, inspira e provoca reflexões e debates sobre muitas das pautas que ainda hoje são necessárias e urgentes.

Além das 150 melodias que compôs – sambas de terreiro, valsas, jongos, partidos-altos, choros-canção, sambas de enredo, Dona Ivone Lara também atuou nos enfrentamentos ao machismo, ao racismo, ao etarismo, à gordofobia, à intolerância religiosa. Esteve à frente de lutas como a da saúde mental e assistência social, sendo uma pioneira em diferentes frentes de atuação.

Como escreve Kamille Viola, jornalista e pesquisadora musical no texto de apresentação do trabalho, “Ivone só passou a se dedicar integralmente à música em 1977, após se aposentar do trabalho como enfermeira e assistente social, carreira que lhe garantiu estabilidade financeira e na qual também se destacou, tendo atuado com a renomada psiquiatra Nise da Silveira”. 

Um dos maiores nomes do samba se despediu em 2018, aos 97 anos, deixando um precioso legado de resistência.   ‍​‎

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