O álbum de 1966 que Mick Jagger disse que os Stones estragaram
Entre as mais de três décadas de discos que The Rolling Stones acumularam ao longo de mais de sessenta anos de rock and roll, nem tudo brilhou. E, para Mick Jagger, são justamente os trabalhos mais decepcionantes que costumam ficar gravados na memória. Não é difícil imaginar o porquê: com tantos álbuns de estúdio na bagagem, é natural que alguns tenham saído melhores que outros, e até o fã mais devoto da banda precisa admitir isso.
O curioso é que algumas das escolhas de Jagger contrariam o gosto popular. O frontman já citou “Beggars Banquet” e “Sticky Fingers” como os maiores discos do grupo, um argumento difícil de contestar. Mas também já se mostrou duro com “Their Satanic Majesties Request”, o trabalho de 1967 que, mesmo sendo a cara da era psicodélica e trazendo algumas das composições mais ousadas da década, nunca recebeu da banda o carinho que talvez merecesse.
Não foi o único caso. Em 1995, Jagger revelou em uma entrevista resgatada pela Far Out que sempre se sentiu decepcionado com “Between the Buttons”, o disco de 1966. No papel, o LP foi um triunfo: alcançou o terceiro lugar nas paradas britânicas e o segundo nos Estados Unidos, e rendeu um dos singles mais conhecidos da banda, “Let’s Spend The Night Together”. Para Jagger, porém, o sucesso comercial nunca pesou tanto quanto a realização artística. “Frank Zappa costumava dizer que gostava muito dele”, contou naquela entrevista. “É um bom disco, mas foi, infelizmente, um tanto estragado.”
Segundo o vocalista, o problema foi o excesso de trabalho em cima do material. O álbum teria perdido a espontaneidade e a energia que tornaram os Stones revolucionários. “Gravamos em Londres em máquinas de quatro canais”, lembrou. “Fizemos tantos overdubs e tantos bounces que perdemos o som de boa parte dele.”
Se o som se perdeu, o público em geral não notou. E nem o próprio Jagger nega que o disco tenha seus pontos altos. “‘Connection’ é muito boa”, afirmou. “‘My Obsession’, essa é boa. Soavam tão bem, mas, depois, fiquei realmente decepcionado com o resultado.”
A insatisfação do vocalista se explica também pelo que ficou de fora. “‘Ruby Tuesday’ não está aí ou algo assim? Não acho que o resto das músicas seja tão brilhante”, continuou. “Também não acho que eu as achasse muito boas na época.” E o detalhe é revelador: “Ruby Tuesday” não entrou na versão britânica do álbum, apesar de ser uma das únicas três faixas daquele período que Jagger parecia de fato apreciar.
Vale lembrar ainda o contexto em que o disco nasceu. Em 1966, os Stones viviam entre estradas e estúdios, perseguidos pela imprensa sensacionalista, sem um minuto de respiro. Com tamanha correria, talvez não seja surpresa que Jagger não olhe para “Between the Buttons” com o mesmo carinho com que a maioria das pessoas relembra a própria juventude. Para ele, o que ficou foi a sensação de que algo essencial se perdeu no caminho entre a ideia e a gravação final.

