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O dia em que Simon Le Bon percebeu que o Duran Duran não tinha credibilidade nas ruas

5 min de leitura
Duran Duran. When Simon Le Bon Realized  Had No Street Credibility
Foto: Duran Duran. When Simon Le Bon Realized Had No Street Credibility
Resumo
  • ▪ John Taylor comparou a credibilidade de rua do Duran Duran ao perfume Chanel No 19 durante conversa com Simon Le Bon.
  • ▪ Simon Le Bon citou suas raízes no grupo punk Dog Days ao The Guardian antes de abraçar de vez a vertente pop da banda.
  • ▪ O grupo faz shows anuais de Halloween desde 2022 e marcou nova apresentação temática para a O2 Arena, em Londres.

No início dos anos 1980, Simon Le Bon ainda carregava a mentalidade de quem vinha do circuito alternativo britânico. Tendo passado por um grupo de rock e uma banda punk chamada Dog Days, o cantor tinha preocupações típicas de músicos que buscavam validação das ruas. No entanto, uma conversa sincera no banco de trás de um táxi mudou completamente sua perspectiva sobre o Duran Duran.

Em entrevista ao The Guardian, Le Bon recordou o diálogo direto que teve com o baixista John Taylor logo após um dos primeiros ensaios do grupo. O vocalista questionou como ficaria a reputação do grupo diante do público mais purista. A resposta de Taylor foi imediata e desarmante: o Duran Duran tinha tanta credibilidade de rua quanto o perfume Chanel No 19. Naquele instante, Le Bon percebeu que fazia mais sentido abraçar a identidade pop da banda e seguir em frente.

Essa postura desapegada em relação à opinião alheia ajuda a explicar a facilidade com que o quinteto se diverte em suas apresentações temáticas de Halloween, realizadas anualmente desde 2022. O evento tem nova edição marcada na O2 Arena, em Londres. Embora afirme que não é fã da data comemorativa por achá-la excessivamente comercial, o cantor não se esquiva de participar das brincadeiras no palco.

Ao longo dos shows temáticos, Le Bon já subiu ao palco fantasiado de lobisomem, capitão fantasma de comboio marítimo do Atlântico Norte e uma mistura peculiar de múmia com guerreiro pós-apocalíptico, além de usar chifres como um deus druida. Ele também relembrou uma tentativa de figurino de água-viva que acabou lembrando as produções de RuPaul’s Drag Race, e adiantou que planeja se caracterizar como Shiva para a próxima edição.

O tecladista Nick Rhodes pontuou que o senso de humor sempre fez parte do DNA da banda, mesmo que parte do público não tenha notado na época de ouro. O músico destacou que a formação do grupo foi fortemente influenciada por Monty Python e pela comédia britânica de John Cleese em “Fawlty Towers”. Embora essa veia cômica não estivesse diretamente nas composições, ficava evidente na estética das produções audiovisuais, como nos clipes de “A View to a Kill” e “Rio”.

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Curiosamente, a longevidade que permite ao grupo subir aos palcos hoje em tom de festa quase foi interrompida no auge: nos anos 1980, até mesmo Mick Jagger aconselhou Duran Duran a não se separar em 1985, mostrando que a falta de pose e a perseverança mantiveram a banda unida.

Autor

  • Luis Fernando Brod

    Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a história por trás de álbuns lendários e dissecar a trajetória de ícones da música nas décadas de 70, 80 e 90. No Disconecta, assina reportagens especiais, retrospectivas e a cobertura diária do rock internacional. Criador do canal no youtube Minha Vida em Vinil onde cobre música e colecionismo em mídia física.

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