O melhor álbum do The Smiths, segundo Morrissey e Johnny Marr
Resumo
- ▪ Morrissey e Johnny Marr consideram Strangeways, Here We Come, de 1987, o melhor álbum de estúdio do The Smiths.
- ▪ O quarto disco da banda foi lançado em 28 de setembro de 1987, momento em que o quarteto já havia chegado ao fim.
- ▪ Marr compôs Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me em Carlisle, logo após um concerto em outubro de 1986.
Ao analisar a trajetória do The Smiths, a escolha quase unânime do público e da crítica costuma recair sobre “The Queen Is Dead” (1986). O terceiro registro de estúdio da banda reuniu faixas definitivas como “I Know It’s Over”, “Bigmouth Strikes Again” e “There Is a Light That Never Goes Out”, combinando a lírica afiada de Morrissey com os arranjos inovadores na guitarra de Johnny Marr.
No entanto, os dois principais compositores do grupo não compartilham dessa preferência coletiva. Para ambos, o ápice criativo do quarteto reside em seu quarto e derradeiro trabalho de estúdio, “Strangeways, Here We Come” (1987). Em 2017, durante as celebrações de 30 anos do lançamento, Morrissey destacou essa rara sintonia em declaração à MusicRadar: “Estamos totalmente de acordo sobre isso. Dizemos isso com bastante frequência”.
Disponibilizado nas lojas em 28 de setembro de 1987, o disco chegou às prateleiras quando a banda já havia encerrado suas atividades. Marr anunciou sua saída por meio de uma carta logo após o fim das sessões de gravação, antes do lançamento oficial. O rompimento envolveu o cansaço acumulado por turnês contínuas e o peso da exposição midiática, somados a desentendimentos a respeito das colaborações externas que o guitarrista pretendia explorar. O episódio, que rendeu até mesmo um momento em que Johnny Marr revela conselho de Paul McCartney sobre o fim do The Smiths, transformou o projeto em uma despedida não programada.
Por não ter recebido apresentações ao vivo ou o ciclo de promoção habitual de lançamentos anteriores como “Meat Is Murder”, a obra acabou por vezes ofuscada por “The Queen Is Dead”. Ainda em 1987, em conversa registrada pela Melody Maker e resgatada pela FarOut Magazine, Morrissey avaliou que o disco aperfeiçoa cada proposta lírica e melódica construída anteriormente, reforçando: “É, de longe, o melhor disco que já fizemos”.
Marr trilhou um raciocínio semelhante, sustentando que o trabalho reflete uma maturidade conquistada mesmo em meio a um ambiente tenso. Em sua autobiografia “Set the Boy Free” (2016), o guitarrista apontou “Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me” como a criação mais forte do grupo. Ele elaborou a progressão harmônica da faixa sozinho, a bordo de um ônibus de turnê após um concerto em Carlisle, em outubro de 1986.
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Com produção assinada ao lado de Stephen Street, o álbum exibiu uma textura sonora diferenciada. O trabalho instrumental trouxe novas camadas, com Marr utilizando um instrumento de cordas fabricado em 1777, enquanto os vocais ganharam contornos de maior firmeza. Canções como “Girlfriend in a Coma”, “Stop Me If You Think You’ve Heard This One Before” e “I Started Something I Couldn’t Finish” equilibraram comicidade e melodias pop, confirmando por que os dois líderes sustentam até hoje esse trabalho como a gravação definitiva da parceria.


