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Os artistas que Iggy Pop mais inveja no rock

5 min de leitura
Iggy Pop. com os The Stooges, em 1969 (Michael Ochs Archives/Getty Images)
Foto: Iggy Pop. com os The Stooges, em 1969 (Michael Ochs Archives/Getty Images)
Resumo
  • ▪ Aos 79 anos, Iggy Pop sente inveja do sucesso comercial que Alice Cooper e Kiss conquistaram no shock rock.
  • ▪ Em 1979, o vocalista cantou em Nova York com um caco de vidro cravado no corpo durante show com o The Stooges.
  • ▪ Alice Cooper criou seu visual cênico com base na personagem Rainha Negra do filme Barbarella para atuar no palco.

Durante toda a sua trajetória, Iggy Pop esteve ligado ao lado mais visceral da música pesada. À frente do The Stooges, elementos como nudez, cortes e confronto direto vinham antes das convenções tradicionais de palco, marcando apresentações desmedidas.

Mesmo aos 79 anos, o vocalista mantém a postura provocativa, embora nenhum momento recente se compare aos excessos do passado. Em 1979, durante uma apresentação em Nova York, ele continuou a cantar mesmo com um caco de vidro cravado na lateral do corpo. Wayne County, que atuava como DJ na noite, relembrou o horror do episódio, afirmando que a cena lembrava uma arena romana.

Apesar de quase perder a vida pelo perigo real que levava ao público, Iggy Pop acompanhou a transformação do shock rock em um formato acessível e comercial. De acordo com a Far Out Magazine, essa mudança fez surgir uma ponta de inveja em relação a dois expoentes do estilo: Alice Cooper e Kiss.

Enquanto o líder dos Stooges apostava na vulnerabilidade física genuína, outros projetos investiam na fantasia. Alice Cooper estruturou sua figura cênica a partir de referências visuais bem definidas. Ele explicou que percebia o cenário musical cheio de personagens como Peter Pan sem a presença de um Capitão Gancho, e encontrou na Rainha Negra do filme “Barbarella” o ponto de partida para criar Alice, incorporando luvas com lâminas e maquiagem marcante.

O contraste entre a insanidade real e a encenação bem planejada incomodava Iggy Pop, sobretudo diante da enorme diferença financeira e estrutural conquistada pelos concorrentes.

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Ele recordou uma ocasião de Réveillon em que o Kiss se apresentava no início da programação recebendo uma quantia modesta, mas já ostentava um letreiro luminoso de mais de 200 quilos. Para o vocalista, ficava claro que existia um planejamento de negócios robusto por trás da banda. Pop avaliou que, embora considerasse seu grupo superior em atitude, seu próprio descontrole e estado caótico inviabilizavam qualquer avanço profissional.

Autor

  • Luis Fernando Brod

    Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a história por trás de álbuns lendários e dissecar a trajetória de ícones da música nas décadas de 70, 80 e 90. No Disconecta, assina reportagens especiais, retrospectivas e a cobertura diária do rock internacional. Criador do canal no youtube Minha Vida em Vinil onde cobre música e colecionismo em mídia física.

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