Os quatro fracassos que Tom Morello diz terem moldado sua carreira
Resumo
- ▪ Morello listou quatro fracassos que chama de pilares da carreira, em entrevista à Guitar World.
- ▪ O Lock Up foi dispensado pouco depois de lançar disco pela Geffen, e ele jurou só tocar música em que acreditasse.
- ▪ Em 2026, ele lança "Everyone Gets Everything They Want" e retoma a turnê em 1º de março de 2027, em Calgary.
Poucos guitarristas do rock são tão celebrados quanto Tom Morello, mas a trajetória dele também foi feita de tropeços. Em entrevista à Guitar World, ele listou o que chama de “os quatro pilares da minha carreira”: quatro fracassos que, olhando para trás, o empurraram adiante.
O primeiro veio ainda na adolescência. Aos 13 anos, Morello queria aprender “Black Dog”, do Led Zeppelin, e “Detroit Rock City”, do KISS. Não conseguiu e desistiu. “Eu disse à minha mãe: ‘Música não é para mim’, e a guitarra ficou no armário por quatro anos antes de eu tocar nela de novo”, contou.
A volta aconteceu depois que ele ganhou uma fita cassete dos Sex Pistols. Segundo o guitarrista, ali nasceu a determinação de abrir o próprio caminho, sem aulas, e encontrar a própria voz sem que ninguém dissesse o que fazer.
O segundo fracasso envolve uma guitarra cara, comprada em uma loja de instrumentos personalizados em Los Angeles. “Foi a pior guitarra que já toquei. Era feia, soava mal e eu tinha gastado um monte de dinheiro”, revelou. Ele passou um ano trocando braço, captadores, parte elétrica e alavanca, e ainda achava que o amplificador era ruim.
Morello sabia qual som tinha na cabeça, mas não conseguia alcançá-lo nos ensaios e acabou “desistindo”. A virada veio quando percebeu o problema: “Eu estava gastando tempo demais me preocupando com timbre e não criando”. Ele marcou o ajuste do amplificador e decidiu que aquela guitarra e aquele equipamento seriam os dele. Era a guitarra Arm the Homeless, o Marshall de 50 watts com meia-torre e o gabinete Peavey que ele diz ter usado em 22 discos.
O terceiro fracasso foi o fim do Lock Up, banda que o levou a Hollywood com o sonho de ser estrela do rock. “Consegui um contrato e foi espetacular. O disco saiu e, 15 minutos depois, fomos dispensados. Falhei na minha missão”, lembrou. Segundo ele, o produtor o fez suavizar o som. Depois disso, Morello jurou nunca mais tocar uma nota em que não acreditasse, e foi então que começou a escrever riffs para o Rage Against the Machine.
Sobre o Lock Up, disse que assinou com a Geffen Records e que, em casa, em Illinois, todos achavam que ele era milionário, enquanto vivia num imóvel ocupado com seis colegas, comendo queijo e macarrão instantâneo.
Jovem e ingênuo, confiou no que a gravadora pedia. “Eles devem saber. Têm o Guns N’ Roses nesse selo”, pensavam. O disco resultante não o deixou tão orgulhoso quanto gostaria. “Tivemos nossos 15 segundos de interesse deles e pararam de retornar as ligações”, contou. A banda foi dispensada e saiu com cerca de 400 dólares. Ele tinha 27 anos e fez ali o voto solene de só tocar música em que acreditasse, lição que diz seguir ao longo de 22 discos.
O quarto fracasso ainda está em andamento: não ter conseguido manter juntos o Rage Against the Machine e o Audioslave. “Eu tinha duas bandas enormes, com bilhões de streams, e elas se dissolveram”, disse. Para ele, o fim das duas abriu portas: “Uma porção de janelas se abriu para mim porque aquelas duas portas se fecharam”. Seu balanço final é que esses quatro grandes fracassos levaram a uma carreira que ele ama e da qual se orgulha.
Em 2026, Morello lança Everyone Gets Everything They Want e sai em turnê para divulgar o álbum. A próxima etapa começa em 1º de março de 2027, em Calgary, no Canadá. Datas e ingressos estão no site oficial do guitarista.
O Disconecta já tratou do novo disco quando o guitarista lançou o clipe de “Everyone Gets Everything They Want”, faixa-título do álbum. Em outra matéria, Morello cobra autenticidade das bandas de rock, ideia que dialoga com o voto feito depois do Lock Up.



